A Copa do Mundo de 2026 reacendeu um debate que vai muito além do futebol: o debate sobre a comunicação e as barreiras linguísticas em um torneio que se supõe ser global.
As coletivas de imprensa de Vinícius Júnior, Achraf Hakimi e Frenkie de Jong geraram polêmica após a restrição do uso do espanhol por motivos logísticos, segundo o jornal catalão “Sport”.
Um dos jornalistas tentou fazer sua pergunta em espanhol ao astro marroquino Achraf Hakimi, que entende perfeitamente essa língua. Mas o coordenador da coletiva interveio para lembrar que, de acordo com o protocolo adotado no evento, apenas algumas línguas para as quais há serviço de tradução simultânea são permitidas.
Essa situação surpreendeu muitos dos presentes, especialmente porque o próprio Hakimi não tinha qualquer objeção em responder em espanhol. No entanto, ele acabou sendo obrigado a responder em inglês, respeitando as regras.
Leia também
Após o caso da Suíça... Marrocos lidera uma lista incômoda na história da Copa do Mundo
Vídeo: Ronaldo chega a Miami... e se prepara para a Copa do Mundo de uma maneira diferente de todos
A cena se repetiu de forma semelhante na coletiva de Vinícius Júnior: o atacante brasileiro respondeu quando um jornalista lhe fez uma pergunta em inglês e pediu que, se possível, a pergunta fosse feita em espanhol.
Mas o jornalista foi obrigado a continuar em inglês devido às mesmas restrições, e Vinícius acabou respondendo sem grande problema, mas a situação mostrou claramente o constrangimento causado por essas restrições.
O“Sport” acrescentou que esses casos não são isolados, já que Frenkie de Jong, jogador do Barcelona e da seleção holandesa, também não teve permissão para responder em espanhol, apesar de dominá-lo, após anos jogando no clube catalão.
Justificativa da FIFA
A explicação oficial baseia-se em motivos logísticos: a FIFA quer limitar-se às línguas para as quais dispõe de tradução simultânea, com o objetivo de evitar problemas operacionais em grandes coletivas de imprensa.
No entanto, essa decisão foi alvo de críticas por parte de alguns setores da imprensa e da sociedade, que consideram difícil justificar a exclusão do espanhol em uma Copa do Mundo organizada em uma região onde essa língua tem grande peso.
O espanhol é uma das línguas mais faladas do mundo, é a língua predominante no México, que co-sede o torneio, e tem grande presença nos Estados Unidos. Por isso, alguns consideraram essa restrição uma falta de sensibilidade em relação a uma parte importante do público e da mídia que cobre o torneio, segundo o jornal “Sport”.
