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PL Brasil: A perigosa blindagem sobre Jürgen Klopp

10:30 BRT 04/05/2019
FC Liverpool Jürgen Klopp
"Não dá para blindar o alemão só porque o Liverpool de anos atrás era horrível. Aquele momento não representa a história do clube"


Por Lucas Holanda - PL Brasil


Se o Liverpool voltou a ser competitivo e disputar os títulos mais importantes do mundo, muito se deve a Jürgen Klopp. O técnico dos Reds vem fazendo um ótimo trabalho à frente do clube e deve ganhar títulos em breve. Entretanto, desde que chegou, o comandante alemão toma algumas decisões bem questionáveis. E às vezes elas custam caro demais.

Este texto não está atrelado exclusivamente às escolhas de Klopp na última partida diante do Barcelona, no Camp Nou, onde o Liverpool acabou perdendo por 3 a 0 em um jogo válido pela semifinal da Liga dos Campeões. A análise e a opinião vão além.

Há uma grande diferença entre questionar/apontar/criticar alguma decisão de Klopp a querer vê-lo longe do Liverpool. São coisas bem distintas. Assim como todo ser humano, o comandante dos Reds erra. E como assim isso não pode ser mencionado? Por ele ser um técnico tão espetacular, o nível de cobrança precisa ser o mais alto possível. Não estamos falando de um treinador comum, amigo. É Jürgen Klopp!

O alemão foi - e é - fundamental no ressurgimento dos Reds. Isso não se discute. Mas não dá para blindá-lo de tudo pelo mau momento que o clube vivia antes da sua chegada. O momento é outro. O Liverpool é outro. O poderio financeiro subiu. As exigências por títulos, também.

Quem acompanha os Reds desde a chegada do alemão sabe que ele já errou feio em algumas escolhas. E o preço delas foi gigante. O mais famoso foi negligenciar a posição de goleiro durante duas temporadas. Uma tremenda aberração e que custou o título da Champions ao clube, na última temporada.

E não dá para falar que ele não tem autonomia e aporte financeiro para contratar. Quando viu que errou, trouxe Van Dijk e Alisson por muito dinheiro. E fez certo. Chegaram para resolver os problemas defensivos da equipe e potencializaram Robertson e Arnold, que se tornaram ótimos jogadores com Klopp.

Para a atual temporada, fez um mercado agressivo contratando Alisson, Fabinho, Keita e Shaqiri, e o Liverpool finalmente entrou como sério candidato a título. Está brigando forte nas duas competições – Premier League e Liga dos Campeões. Entretanto, a falta de profundidade no elenco atacou mais uma vez.

Nas duas copas nacionais, o Liverpool acabou eliminado na primeira partida. Na Copa da Inglaterra, conseguiu a proeza de terminar o jogo sem nenhum zagueiro de ofício entre os titulares. Mas estamos falando de Gomez, Matip e Lovren, defensores com históricos de lesões e, especialmente os dois últimos, bem questionáveis técnicamente.

Na 'meiuca', o velho problema de criação em alguns jogos. Aquele meia armador diferenciado e que decide o jogo. Claro que não é todo mundo que tem um Kevin De Bruyne no time, mas é importante um cara com essa característica no elenco, né?

O setor ofensivo é praticamente nulo quando algum do trio se machuca. Origi é um cara esforçado e com muita vontade em campo. É muito abaixo do que o Liverpool precisa. Sturridge, sem comentários. Fez uma boa pré-temporada, mas acabou não vingando de novo. E Shaqiri, o único que se mostrou apto para cumprir essa função de reserva imediato, foi ignorado na segunda parte da temporada.

Segundo Klopp, o suíço sofreu uma lesão em fevereiro e o time encaixou em um esquema que não o favorece. Ok, bem justificável. Mas será que nem para entrar durante as partidas Shaqiri serve? De fevereiro até maio ele só atuou por apenas 36 minutos. Origi entra todo jogo e não produz metade do que o suíço fez na temporada.

No jogo contra o Barcelona, Wijnaldum (!) foi escalado no setor ofensivo e nada de Origi, Sturridge como titulares. Isso quer dizer o seguinte: Klopp não confia nos dois atacantes de ofício. E se não acha eles o suficiente para serem reservas de Firmino, por que não negocia e contrata alguém útil?

Claro que ninguém está falando para ir ao mercado e sair contratando uma dúzia de craques. Não é isso. O time já tem uma base formada e precisa de reforços pontuais, desde seu sistema defensivo até lá na frente. E Klopp tem uma visão de mercado espetacular, companheiro! Já provou isso quando formou essa equipe que faz a melhor campanha da história do clube na Premier League.

A teimosia do técnico alemão também é algo complicado, já que a insistência em peças que já não se mostraram mais úteis no elenco é difícil entender. E acaba pesando, pois em momentos cruciais, não dá para contar com Morenos, Lallanas, Origis e Sturridges da vida. Com todo respeito aos atletas, eles não tem nível para jogar no atual Liverpool.

Outro ponto são algumas escalações difíceis de entender, como por exemplo, usar Joe Gomez na lateral direita quando se tem Alexander-Arnold no seu time. Na teoria, usar Gomez dá uma solidez maior ao Liverpool. Mas só na teoria. Na prática, o zagueiro, que vai muito bem na sua função de origem, fica perdido atuando improvisado. E isso não é de hoje. Enquanto isso, Arnold que evolui a cada jogo, fica na reserva.

O intuito desse texto não é ser oportunista e analisar apenas o resultado do jogo contra o Barcelona. Longe disso. Também está longe de querer colocar a cabeça de Klopp em jogo.

A discussão é: não dá para blindar o Klopp desses erros apenas porque o Liverpool de anos atrás era horrível. Aquele momento não representa a história do clube.

Klopp é um técnico espetacular e um dos melhores do mundo. Indiscutível isso. Se conseguir neutralizar esses detalhes que o atrapalham em todo final de temporada, vai conquistar muita coisa pelo Liverpool. Larga essa teimosia, professor.

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