Pela primeira vez desde 2006, o grande culpado pela eliminação do Brasil é o mais óbvio

Comentários()
Getty Images
Se entre 2006 e 2014 o ‘fator sorte’ ajudou a explicar como aquelas equipes chegaram tão longe, em 2018 foi decisiva para derrota. Coisas do futebol

banner Copa 2018

Header Tauan Ambrosio

Você vai encontrar uma infinidade de análises sobre a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2018. Algumas, exageradas, pintando um cenário de fim do mundo e exigindo mudanças absolutas. Neste espaço aqui, a opinião não é tão extremista – embora, como torcedor, você possa respeitosamente discordar.

Depois de 1958, o Brasil sempre chegou para a disputa dos Mundiais como um dos candidatos ao título. Mesmo quando não tinha o melhor time. Em 2018 não foi diferente.

Em um Mundial repleto de surpresas, com Alemanha eliminada na primeira fase, o Brasil avançou bem no grupo considerado mais difícil do Mundial. Passou sem sustos por uma boa equipe do México nas oitavas de final. Enfrentou um time que, avaliado seriamente e sem arrogância de refutar o novo, é excelente. Uma Bélgica bem treinada, com alternativas e grandes jogadores que mostram semanalmente serem decisivos nas melhores ligas do mundo.

O Brasil fez o seu pior jogo nesta Copa do Mundo. Tite, excelente até então, não tomou as melhores escolhas. Acontece. Como acontece acordar em um dia ruim: casos de Coutinho e Neymar, os mais decisivos da Seleção neste Mundial. Sob o ponto de vista do conjunto brasileiro, a derrota passa pela péssima atuação do meio-campo especialmente no primeiro tempo. Pela ausência de Casemiro, suspenso, líder absoluto em desarmes (17, segundo a Opta Sports). Mas, acima de tudo, pela qualidade dos belgas em um dia onde tudo deu certo.

Por ter contado com o toque de sorte no gol-contra de Fernandinho, e pelo aproveitamento nas finalizações. O arremate de Kevin De Bruyne seria indefensável para 9 entre 10 goleiros. Courtois, neste sábado (07), talvez fosse a exceção. Porque fez nove defesas. Algumas delas decisivas. E teve a sorte de ver a bola na trave de Thiago Silva, logo no início, e o alívio de ver o juiz não apitar pênalti em Gabriel Jesus no segundo tempo.

Courtois Thiago Silva Belgica Brasil Copa do Mundo 06 07Courtois, 9 defesas... algumas decisivas (Foto: Getty Images)

As eliminações do Brasil de 2006 até 2014 passam por vários elementos, e o futebol é o menor deles. Em 2018, o Brasil não fez um bom jogo e mesmo assim não chegou ao empate contra uma grande equipe por detalhes.

No livro “Os Números do Jogo” (que aliás cita o técnico Roberto Martínez, da Bélgica, como um exemplo positivo), é citado um longo estudo cuja conclusão é de que em Copas do Mundo, na grande maioria das vezes, a chance do melhor time ganhar um jogo seria basicamente igual a um cara ou coroa. O tal do 'dia melhor ou pior', 'a bola que entra ou a que não entra'. Entre 2006 e 2014, esse fator imponderável ajudou a explicar como o Brasil chegou tão longe.

Em 2018, ajuda a explicar como a Seleção foi eliminada para um grande adversário.

Coisas do futebol.

Fechar