Opinião: O Brasil parece ter futuro, mas precisa transformá-lo em presente

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Getty Images
NxGn, projeto da Goal, aponta dois jogadores do Brasil entre os 50 melhores jovens do mundo. Nenhum dos dois estreou com a camisa da seleção principal

A Goal divulgou, na última quarta, o resultado final do NxGn, projeto que envolveu todas as edições do site e escolheu os 50 melhores jogadores jovens (sub-20) do planeta. O Brasil emplacou dois no top 5, Vinicius Jr. e Rodrygo, dando corda para a teoria de que a seleção está bem servida para o futuro. Mas e o presente?

A pergunta não é retórica. É nesses talentos, e em outros um pouco mais velhos, como Arthur, Richarlison, Militão e Paquetá, que reside o futuro da seleção brasileira. Ao lado de quem já viveu a experiência de uma Copa e está no auge, como Coutinho, Casemiro, Marquinhos, Gabriel Jesus, Firmino e, principalmente, Neymar, esses jovens têm condição de entregar uma seleção brasileira à altura de sua história. 

Só que esse caminho precisa ser pavimentado por Tite e sua comissão, historicamente problemáticos no que diz respeito a transições. Foi esse seu drama no Grêmio, no Inter e principalmente no Corinthians, quando as dificuldades para repor peças de um trabalho de sucesso acabaram por minar sua continuidade. 

Em texto publicado hoje na Goal, Bruno Andrade aponta para o caso mais sintomático desse dilema na seleção. Titular do Real Madrid e exaltado mundo afora por ter mudado a cara do time em uma temporada turbulenta - com o bônus de ter perdido a pior parte por lesão, Vinicius Jr. deveria ser nome certo na seleção. 

O ex-flamenguista aponta como craque há pelo menos dois anos, mas nunca encheu os olhos de Tite antes da Copa do Mundo. Depois do fracasso na Rússia, foi ignorado durante seis meses, período em que buscou seu espaço no Real Madrid Castilla e começou a engatinhar na equipe principal. 

Chamado pela primeira vez, foi cortado por lesão. A reportagem da Goal aponta, no entanto, que ele sairia atrás de Richarlison na briga por uma vaga de titular. Como esses são os últimos amistosos antes da Copa América, como ficará a situação do jogador para o torneio mais importante do ano, que pode definir o futuro de Tite, já não mais um herói nacional? 

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O treinador vai abrir mão de seus conceitos e chamar para jogar um torneio-chave alguém com quem nunca treinou? Ou vai seguir a ferro e fogo e ignorar um jogador tratado como potencial Bola de Ouro até pela imprensa europeia? 

A resposta a essa pergunta vai ajudar a entender a questão principal sobre o presente do Brasil. A convocação para os jogos contra Panamá e República Tcheca foi a mais aberta desde a derrota para a Bélgica, deixando “vacas sagradas” como Paulinho, Renato Augusto e Willian e não cedeu aos apelos de veteranos como Fernandinho e Marcelo, que seguiram fora. 

Para efeito de comparação, a Inglaterra, que foi à Rússia com 26,1 anos de idade de média, já estreou Jadon Sancho, vencedor do prêmio NxGn, na seleção principal no segundo semestre do ano passado. Nesta data Fifa, está prestes a fazer o mesmo com Callum Hudson-Odoi, 3º na lista da Goal, promessa do Chelsea que sequer entrou em campo pela Premier League este ano. Rodrygo, o outro brasileiro que completa o top 5, não parece estar nem perto de receber uma chance. 

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