Ninho do Urubu: com Abel Braga, Flamengo irá se acosumar com fracassos em 2019

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Buda Mendes/Getty
"O Fla-Flu deixou claro para quem duvidava ainda: Fernando Diniz é o futuro. Abelão, o passado"


Por Bruno Guedes


A esmagadora maioria dos dirigentes do futebol brasileiro atualmente cresceram acompanhando um futebol que não existe mais e nomes que faziam sucesso àquela época. Práticas arcaicas, baseadas mais no lado humano que o tático. Como acontece atualmente com o Flamengo e seus fracassos que já recomeçaram.

Quando a atual diretoria Rubro-Negra contratou Abelão tinha como alvo acabar com o "estilo banana", derrotista e conformista com os vexames que foi a marca de 2018. Apelaram para quem usasse mais o lado humano, a conversa, o diálogo. Só que não estamos em 2006. O futebol mudou. E muito. As atitudes acontecem se houver comportamento vencedor, não apenas com velhas fórmulas para novas cabeças.

Por isso vemos tanto combate ao novo, às novas ideias, aos nomes que querem mostrar seu trabalho. A paciência com eles não existe. Com os veteranos é eterna. Vencedores no passado, chacota no presente. (Quase) todos torcem e comemoram o fracasso dos que chegam agora para depois afirmar: "ganharam o que? Bom é o vencedor". Do Diniz a Valentim, do Zé Ricardo a Odair Hellmann. Sempre há um abutre esperando suas derrotas.

Abel Braga Gabigol Flamengo Fluminense 14022019

O que vimos no Maracanã pela semifinal da Taça Guanabara, na última quinta-feira, foi o retrato fiel do porquê da decadência do Brasil em seu esporte favorito. Porque a Bélgica atropela e dizem que "perdemos por pouco". Enquanto Fernando Diniz tenta se alinhar com o que há de mais competitivo no planeta atualmente, Abel ainda insiste no que dava certo há 10 anos e agora é arquivo no Youtube.

Durante a sua passagem pelo Fluminense em 2017, Abelão foi alvo de críticas por um futebol pobre e ultrapassado. Seus defensores diziam que faltava material humano. E agora, qual é a desculpa? Para piorar, com um time bem inferior àquele de dois anos atrás, Diniz conseguiu torná-lo competitivo.

Inegavelmente o Abel Braga é uma das figuras mais incríveis, carismáticas e cativantes do meio. Isso não há qualquer questionamento. Seu lado pessoal é irretocável. Mas suas práticas estão ultrapassadas. E não é de hoje. Com dois meses de trabalho, Flamengo não evoluiu e ainda é extremamente desorganizado em campo. E a Libertadores bate à sua porta...

O Fla-Flu deixou claro para quem duvidava ainda: Fernando Diniz é o futuro. Abel Braga, o passado. Cabe agora a cada um arcar com as consequências esportivas até dezembro. E o Flamengo selou o seu ao apostar errado.

Bruno Guedes colunista torcedor Flamengo

Bruno Guedes é músico, apaixonado por futebol e beisebol. Brasiliense por certidão e carioca de coração, acredita no futebol brasileiro e tem Romário como o maior jogador que viu dentro das quatro linhas.

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