Neymar na seleção é uma valsa, sem nunca de fato andar pra frente

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Getty Images
Com seu craque maior, a seleção deu passos à frente, ao lado e para trás, sem nunca de fato avançar. Como numa valsa

Ao torcer o tornozelo no meio da maior turbulência de sua vida pública, Neymar pôs fim a mais um capítulo de sua história na seleção brasileira ao ser cortado da Copa América. Desde 2010, quando estreou, é impossível pensar na camisa amarela sem ele. Para o bem e para o mal. 

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No ano passado, a economista Laura Carvalho lançou o livro “Valsa Brasileira”, publicado pela editora Todavia, para tratar de como o Brasil foi do “boom” ao caos financeiro. A analogia com o gênero musical clássico passa pelo estilo compassado da dança, ora com passos à frente, ora com passos ao lado, ora com passos atrás. 

Neymar na seleção parecia um passo à frente quando a história começou. Era recomeçar do zero, e cheio de esperanças, em um futuro pós-Dunga. Uma conjunção de fatores, no entanto, colocou o então jovem santista em um patamar muito acima do que se poderia esperar para sua idade. A ausência de veteranos confiáveis, a fragilidade da geração contemporânea, a falta de resultados e, claro, o talento de Neymar, fizeram com que rapidamente o Brasil fosse o “time dele”. 

Desde então é impossível não associar os resultados da seleção ao seu maior jogador. O que Neymar fez, ou deixou de fazer, implicou diretamente no Brasil que perdeu duas Copas América nos pênaltis para o Paraguai e conseguiu ser eliminado na primeira fase em outra. No Brasil que passou a maior vergonha da história do futebol em uma Copa do Mundo em casa e não soube brigar com a Bélgica quatro anos depois. 

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Também passam por Neymar a pancada no que era tido como um dos maiores times da história, na Copa das Confederações de 2013, e a conquista inédita do ouro olímpico três anos depois. Em cada um desses episódios, suas lesões, seus destemperos, suas ausências e seus momentos de craque foram sempre determinantes para o sucesso de um Brasil que dá passos à frente, ao lado e para trás, como em uma valsa. 

Não é difícil perceber que essa conta histórica não fecha. Se o Brasil é o que é no futebol, isso passa por uma noção autoimposta de gigantismo. O que se espera de uma seleção é excelência, conquistas transcendentais e momentos marcantes, e não um jogo duro contra a Bélgica. Os passos à frente, por mais marcantes que tenham sido as conquistas diante de um Maracanã lotado, não compensam os passos ao lado e para trás que a seleção vem dando desde 2010. 

Para marcar seu tempo, o “Brasil de Neymar” precisa abandonar a valsa e dar passos concretos à frente. A Copa América se avizinha como uma chance enorme disso acontecer. Um dos maiores argumentos para isso é que não será mais o “Brasil de Neymar”. 

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