Navas, Casillas e mais: Real Madrid não sabe se despedir de seus ídolos

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Getty / Goal
É muito fácil ver os Blancos contratarem jogadores que chegam para deixar suas marcas pelo clube... o problema é sair bem do Santiago Bernabéu

Um dos goleiros mais vitoriosos na história do Real Madrid, Keylor Navas não seguirá defendendo a meta do Santiago Bernabéu. Autor de três gols e uma assistência nos últimos quatro títulos de Champions League conquistados pelo clube, Gareth Bale é carta fora do baralho para a próxima temporada e causa constrangimento ao insistir em sua permanência até 2022 – quando acaba o seu contrato. São os dois novos exemplos da dificuldade histórica que o clube merengue tem na hora de despedir-se de seus grandes ídolos.

Eles se juntam a nomes como Iker Casillas e Raúl González dentre os ícones mais recentes, e voltando bastante no passado ainda é possível falar de Alfredo Di Stéfano, o maior ídolo da história merengue, que em 1964 deixou o clube que ajudara a mudar de patamar após discordâncias com treinador e direção.

Iker Casillas: desgaste e “ambiente estranho”

Iker Casillas Real Madrid Champions LeagueCasillas ganhou a Champions League em 2000, 2002 e 2004 - dentre outros títulos - pelo Real Madrid (Foto: Getty Images)

Talvez o maior goleiro na história do clube, Casillas teve um casamento de 25 anos com o Real Madrid. Conquistou todas as taças possíveis, adquirindo a experiência vitoriosa desde muito jovem até tornar-se um veterano. Em suas últimas temporadas, sentiu-se desvalorizado com o constante revezamento da posição. Foi algo iniciado quando José Mourinho, com quem não tinha boa relação, era treinador e contratou Diego López. Ancelotti manteve a situação durante seus anos.

Em meio a este cenário, Casillas também sofreu com uma sucessão de lesões na mão e isso atrapalhou o seu ritmo de jogo. Na final de Champions League contra o Atlético de Madrid, 2013-14, falhou no gol marcado por Godín. A história não terminou em tragédia para o camisa 1 somente por causa do salvador gol de empate de Sergio Ramos, nos acréscimos, e da goleada que veio na sequência.

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A temporada seguinte, a da chegada de Navas, foi marcada por falhas e até vaias do torcedor. Casillas poderia sair, mas a postura do Real Madrid não foi das melhores: o clube relutou até o último minuto em pagar os vencimentos que o goleiro teria direito até 2017, quando o seu vínculo terminava. Iker acabou acertando sua ida para o Porto.

“O ambiente não era bom. Já pensava em tomar uma decisão. Pensamos bem o que fazer e o melhor era sair do Real Madrid. Creio que era o momento (...) O ambiente já era muito estranho”, revelou para o Porto Canal em 2016.

Raúl: pressa para se livrar do então maior artilheiro

Raul Real Madrid Champions League"Raúl Madrid" levantou as Champions em 1998, 2000 e 2002 (Foto: Getty Images)

Raúl Gonzalez virou símbolo maior do madridismo em sua época ao ajudar o clube a reencontrar a glória europeia, obsessão máxima e enraizada no DNA blanco, com muitos gols... mas acima de tudo, através da luta e confiança que sempre foram mais evidentes do que a sua habilidade.

O atacante, que vestia a camisa 7, era o maior artilheiro na história do clube (323). Mas em Madri existia a pressa para que Cristiano Ronaldo assumisse de vez o protagonismo no vestiário... e o número de Raúl às costas. O português entregou muito em campo e superou o espanhol como máximo goleador madridista de todos os tempos (450), mas boa parte da torcida gostaria de ver um final mais honrado com o ídolo – que sem grandes opções foi jogar no Schalke, da Alemanha.

CR7 DEIXOU O REAL MADRID COMO SINATRA

Cristiano Ronaldo também poderia ser lembrado na lista. Afinal de contas, deixou o estádio Santiago Bernabéu dizendo que o clube não lhe deu o carinho que ele ansiava. Entretanto, o gajo foi o único que deixou o Real Madrid em seu auge e sob os seus próprios termos. Soube se proteger, mas também é um lembrete deste histórico madridista.

Alfredo Di Stéfano: o primeiro pecado

alfredo-di-stefano-real-madrid-1962Em 1964, o maior ídolo da história madridista deixou o clube brigado com direção e treinador (Foto: Arquivo)

O atacante hispano-argentino é um dos grandes responsáveis pelo Real Madrid ser o clube que todos conhecemos hoje. A sua chegada, em meados da década de 1950, mudou a equipe da capital de patamar. Foi pentacampeão consecutivo da antiga Copa dos Campeões da Europa (atual Champions League), e deixou o clube brigado com o presidente Santiago Bernabéu – que depois passou a dar nome ao estádio – e com a comissão técnica em sua 11ª temporada a serviço dos Blancos. Foi contratado pelo Espanyol, da Catalunha. A mágoa demorou a passar até que, anos depois, Di Stéfano fosse nomeado presidente de honra.

Navas: “chutado” para fora

KEYLOR NAVAS REAL MADRID TOTTENHAM CHAMPIONS LEAGUENavas, outro tricampeão europeu - 2016, 17, 18 - que deixa o clube por baixo (Foto: Getty Images)

O caso envolvendo Keylor Navas é um dos mais estranhos. Poucos ídolos foram tão pouco valorizados pelo próprio clube. Em 2015, ele esteve perto de deixar a capital espanhola e isso só não aconteceu graças a um atraso no envio da documentação que validaria a chegada de David De Gea – do Manchester United. O costarriquenho, de perfil quieto e nada midiático, não chegou a ser unanimidade. No entanto, era daqueles jogadores que cresciam nas horas mais decisivas. Teve participação fundamental no histórico tricampeonato da Champions League.

Não foi o bastante para ser valorizado sob os olhos do presidente Florentino Pérez. E se a história de Navas começou no Real Madrid após uma Copa do Mundo, ela começou a se encerrar justamente depois da realização do Mundial seguinte. Courtois chegou em 2018 e dividiu a titularidade com o costarriquenho nesta temporada. Zinedine Zidane, em seu retorno, chegou a dar força para a continuidade de um de seus homens de confiança. Mas no final das contas isso não evitou a sua saída.

Gareth Bale: constrangimento

Gareth Bale Real Madrid 2018-19Bale, uma novela que promete se arrastar (Foto: Getty Images)

Herói do último titulo europeu, ao anotar dois gols na decisão de 2018 contra o Liverpool, Gareth Bale chegou ao Bernabéu como maior contratação na história do clube e protagoniza uma grande saia-justa.

O galês tem contrato até 2022, e mesmo ciente de que não está nos planos do clube, se recusa a buscar uma nova equipe para jogar. E ainda não tem boa relação com o técnico Zinedine Zidane. A situação do camisa 11 será um dos principais temas durante a janela de transferências e, possivelmente, além.

Uma situação constrangedora que mostra o quanto o Real Madrid é um tanto quanto descuidado na hora de saber “dizer Adeus” aos que tanto contribuíram para sua história vitoriosa.

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