Mundial de 2022 pode estar por trás da “ameaça” de Caboclo contra paralisação do futebol

"Vou determinar que vai ter competição. Porque vocês estão f... se não tiver", disse o presidente da CBF em reunião vazada

Em meio ao pior momento vivido pelo Brasil na pandemia de Covid-19, com o país batendo recorde de mortes e contaminações, o futebol tem protagonizado um noticiário caótico onde jogos são marcados e, logo depois, desmarcados antes de serem marcados novamente de acordo com a proibição ou não de cidades e estados para, dentre outras coisas, eventos esportivos. A única certeza até aqui é a de que, ao contrário do que houve no início do surto mundial do novo coronavírus, em 2020, o pensamento dos dirigentes é de que a bola não pode parar de rolar aqui no Brasil.

Isso ficou mais óbvio do que nunca com o vazamento de uma reunião da CBF com presidentes de equipes das Séries A e B, em vídeo publicado inicialmente pelo jornalista Venê Casagrande, do jornal O Dia. Neste vídeo, o presidente da CBF, Rogério Caboclo, garante, até mesmo em certo tom de ameaça, que sob o seu comando o futebol não será interrompido por causa da pandemia agora em 2021.

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“Eu vou mandar no futebol brasileiro e vou determinar que vai ter competição. Porque vocês estão f... se não tiver. Eu assumo o ônus por todos vocês” disse Caboclo.

“Eu não abrirei mão, a não ser sob doutorado dos senhores, de jogar as competições nacionais, o que repercutirá nas internacionais e incorporará as estaduais... Então, por gentileza, vamos pensar agora: nós podemos parar o futebol? A Rede Globo não quer. Eu estou assegurando que não. Ninguém quer, seus patrocinadores não querem. E, se parar, sabe quando nós temos a segurança de dizer que a gente pode voltar? Nunca. No dia em que o governador do Mauricio disser que pode. No dia em que o prefeito de São Nunca disser que pode... Eu não vou estar à mercê de nenhum deles”, completou o presidente da CBF.

Esta reunião aconteceu em 10 de março de 2021, mesma data em que, pela primeira vez, o Brasil ultrapassou a barreira das 2 mil mortes diárias por causa da doença.

O ímpeto de Caboclo em fazer o futebol brasileiro continuar em meio à pandemia não é novo. E uma entrevista sua para o jornal O Globo, de 5 de julho de 2020, deixa isso evidente. Nela, o mandatário da máxima confederação do nosso futebol projetava o retorno das atividades esportivas, até então paralisadas, para, no máximo, 9 de agosto de 2020. Mesmo que os times precisassem jogar fora de suas praças e cidades (caso houvesse restrições), um cenário justamente como o que vivemos agora em março de 2021, com partidas de Corinthians e Palmeiras, válidas pelo Campeonato Paulista, marcadas para a cidade de Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro.

Rogério Caboclo justificou, em parte, a sua pressa naquela entrevista: fazer com que o (já lotado) calendário brasileiro não sofresse grandes alterações visando o ano de 2022, que terá a Copa do Mundo no Qatar entre novembro e dezembro.

“Temos algumas premissas que vão além. Muita gente não leva em consideração. Nosso horizonte é a Copa do Mundo de 2022, marcada para começar em novembro. Obriga o nosso calendário a terminar pelo menos um mês antes, em outubro de 2022. Temos que encerrar 2020 na segunda quinzena de fevereiro, iniciar os estaduais na última semana do mesmo mês, o Brasileiro no final de maio de 2021. Devemos terminar a temporada de 2021 como o usual, na primeira semana de dezembro, retomando o calendário tradicional, com férias, pré-temporada. Em 2022, a temporada terá conclusão precipitada. Vai ser um exercício bem difícil”, explicou.

Sem ter muito tempo disponível para abrigar todas as competições disputadas por seus clubes, desde os estaduais até a Libertadores, o futebol brasileiro decidiu manter todos os seus torneios em meio à pandemia. Se o calendário de 2022, visando a Copa do Mundo, é o único motivo para a postura de Caboclo no vídeo vazado, só ele pode dizer. Mas conforme o próprio já atestou no passado, parece ao menos ser um dos motivos.

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