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Mourinho x Guardiola: A relação que incendiou El Clásico

12:46 BRT 25/02/2019
Jose Mourinho - Pep Guardiola
A chegada do português ao Real Madrid causou choque de cultura a ponto de fazer com que os jogadores criassem inimizades entre companheiros de seleção

EL CLÁSICO


A rivalidade entre Barcelona e Real Madrid alcançou outro patamar entre o fim de 2012 e meados de 2012, enquanto Pep Guardiola ainda treinava os Blaugranas. Nesse meio tempo, José Mourinho, conhecido de Guardiola dos tempos em que o português era auxiliar-técnico de Bobby Robson na equipe catalã, desembarcou na Espanha para comandar os Merengues.

Apesar do histórico de convivência tranquila de anos atrás, a situação se mostraria totalmente diferente e se refletiu em partidas tensas, agressivas e cheias de histórias distintas.

O primeiro choque entre Real e Barça aconteceu em novembro de 2010. Na ocasião, os comandados de Guardiola venceram por 5 a 0 e retomaram a liderança de La Liga. Mourinho reconheceu a derrota, mas o jogo deixou feridas abertas entre as equipes, como no caso da comemoração provocativa de Gerard Piqué e Victor Valdés, que gerou revolta entre os companheiros madrilenhos de seleção espanhola.

Na partida de volta, disputada no Santiago Bernabéu, não houve maiores incidentes e o placar foi igual - 1 a 1 com dois gols de pênalti - apesar de a arbitragem ter gerado certa desconfiança. No fim de abril de 2011, a tensão viria a se revelar de maneira evidente.

A primeira vitória do time de Madrid veio na final da Copa do Rei em Valencia. As disputas de bola eram mais ríspidas, as trombadas eram mais tensas e, no final, os jogadores do Barça reclamaram de maneira efusiva, ao que Mourinho respondeu com desdém.

No dia 26 de abril, uma semana depois do primeiro embate, Mourinho e Guardiola atenderam a imprensa antes do jogo válido pela semifinal da Champions League. O luso aproveitou a oportunidade para alfinetar o rival: "Com as declarações de Guadriola, entramos em uma nova era, em que há um grupo no qual apenas ele está: o de quem critica o acerto do árbitro. Nunca vi isso antes", revelou o treinador do Real Madrid.

A resposta de Guardiola marcou o dia em que o catalão não mediu as palavras para mostrar sua autoridade: "Amanhã entraremos em cmapo, mas fora dele, Mourinho já me venceu. Eu dou a ele sua Champions particular, que ele aproveite e a leve para casa. Nesta sala, ele é o chefe, ele é quem manda e eu não quero competir em nenhum instante. Me lembro que tivemos quatro anos juntos. Ele me conhece e eu o conheço. Se ele quer ficar com os amigos de Florentino Péres e a vaca leiteira, tudo bem. Mas trabalhei com ele por quatro anos", desdenhou.

Pep ainda parabenizou a conquista da copa nacional pelos Merengues e comentou sobre um impedimento marcado pelo árbitro Alberto Undiano Mallenco. Na mesma coletiva de imprensa, o técnico alertou sobre o Real ter terminado o jogo com 10 atletas e elogiou Wolfgang Stark, responsável pelo apito na semifinal. Curiosamente, Stark expulsou Pepe e deixou os Blancos com um homem a menos.


(Fotos: Getty Images)

 

A partir daí, a relação piorou de vez. Mourinho criticou de maneira efusiva a arbitragem dos dois jogos das semifinais enquanto os catalães celebraram a eliminação do rival e a Supercopa da Espanha, vencida em agosto de 2011. A decisão ficou marcada pelo dedo no olho de Mourinho em Tito Vilanova, que empurrou o portuugês.

Real Madrid e Barcelona mediram forças 11 vezes em apenas duas temporadas, uma frequência que, sem dúvidas, colaborou para que o espírito de rivalidade ficasse mais vivo entre os dois lados. Em 2012, Guardiola assistiu o Real de Mourinho triunfar no Camp Nou no que foi o último El Clásico entre ambos, e culminou no Campeonato Espanhol dos recordes (100 pontos e 121 gols). Aquele foi o penúltimo título da passagem do gajo em território espanhol.