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Melhor jogador brasileiro da história da Austrália, Cássio fala sobre futebol local e relembra época de Flamengo

08:00 BRT 12/06/2017
Cássio Família
Ex-lateral bateu campeões do mundo e se tornou uma lenda viva na Austrália

Nem Juninho Paulista e muito menos Romário, ambos campeões da Copa do Mundo, o melhor brasileiro da história do futebol australiano é o ex-flamenguista Cássio. Formado nas categorias de base do Rubro-Negro e gravado na história pelo gol "espirita" contra o Fluminense, o ex-lateral marcou época em território australiano. Atuando sempre pelo Adelaide United virou ídolo do clube e símbolo na A-League, a Liga profissional australiana.

"Eu vim para cá em 2007 depois da vinda do Romário para o Adelaide e depois não olhei mais para atrás, fiquei aqui e não joguei por nenhum outro clube, parei de jogar no começo de 2015, então joguei 8 anos pelo Adelaide United que é um dos times aqui da Liga e fiquei morando aqui, me tornei australiano", contou Cássio.

Há 12 anos em terras australianas, Cássio pode dizer que viu a evolução acontecer de perto. Com a Liga criada em 2005, dois anos antes de sua transferência ele praticamente pegou todas as etapas do progresso do futebol por aqui, ele inclusive, destaca a importância dos sul-americanos na evolução do soccer australiano.


(Foto: Arquivo pessoal)

"Na época que eu cheguei aqui era muito bola longa, muito jogo físico, hoje em dia já mudou um pouco porque vieram muitos sul-americanos, espanhois, fizeram daqui um jogo um pouco mais jogado. Estão tentando mudar um pouco a cultura, ainda falta muito mas hoje em dia posso dizer que é uma liga muito boa de jogar. Na Austrália apesar de ser na Oceania joga na Ásia, acredito que esteja no top 3 dos mais fortes ao lado de Japão e Corea do Sul".

Apesar da evolução do esporte, Cássio lembrou que o soccer ainda luta para ganhar seu espaço contra esportes como o Australian Football, o Rugby e o Cricket, mas já é preferência entre as crianças e tem boa média de público durante a temporada.

"Soccer é diferente em prioridades em lugares aqui, em Melbourne acredito que seja terceira ou quarta potência aqui, ainda tem o AFL, que é o football deles que é muito forte, e é muito forte de bater porque é uma cultura deles como nos Estados Unidos a NFL deles é a mesma coisa só que aqui. Tem o Cricket que é muito forte, o Rugby que é muito forte, e o nosso futebol, saiu uma matéria há um mês atrás, ele é o esporte mais jogados por criança aqui, bateu todos os outros esportes mas profissionalmente, torcida, ainda falta um pouco chegar lá no nível da AFL, do Rugby e cricket. Mas no torneio regular que é a A-League tem jogos que dá 30 mil, 40 mil, mas a média a gente bota em 15, 20 mil o que não é muito ruim comparado com o Brasil, que a gente vê hoje em dia. Está crescendo".

Aposentado desde 2015, o brasileiro investiu numa escolinha de futebol justamente para ajudar na formação e desenvolvimento de atletas na Austrália.

"Eu sempre tive sonho de ter uma escolinha, uma academia que a minha escola de chama academia de futebol by Cássio, hoje eu tenho em torno de 100 alunos só na minha escolinha e também sou coordenador de futebol numa escola privada, ajudo eles a desenvolver como levei eles para a Espanha agora num torneio, o Mundialito e tento dar a oportunidade para as crianças".

Mesmo com toda a distância, Cássio não esquece o Flamengo e acompanha o Rubro-Negro sempre que pode. Ele revelou que na Austrália existem muitos torcedores do clube e lembrou do famoso gol "espírita"

"Eu sempre acompanho o Flamengo, sempre que posso, apesar do fuso. Eu sempre lembro daquele gol, até aqui, tem muito brasileiro, flamenguistas me param e perguntam como foi aquilo, aquela coisa né, gratificante ser lembrando por coisa boa, a gente foi campeão naquele jogo, é uma lembrança muito boa que eu tenho do Flamengo, do Brasil em si. Tem muitos flamenguistas aqui, esse meu amigo é um deles, aqui em qualquer lugar que você vá, quando eu ia jogar em Adelaide em outras cidades, qualquer cidade aparecia alguém com a camisa do Flamengo para pegar autográfo, Flamengo é Flamengo né? Em qualquer lugar do mundo"

Distante da Gávea, o ex-jogador sente saudades do clube mas diz não estar mais acostumado como invasão de torcedores e protestos na porta do CT.

"Eu tenho muita saudade, não tenho quando acontece coisas como aconteceu que eu vi essa semana de invasão de torcida, esses protestos, não estou acostumado com isso, já estou fora há um tempo então isso não tenho mais o costumo, mas eu vi o Juan agora, passou por essa situação, ele é meu amigo, fora essas coisas acredito que jogar no Flamengo é único e isso eu vou ter para sempre comigo, não tem nem como explicar".