Luis Fabiano, Jadson, Conca, Montillo, Jô... o que explica as fases antagônicas dos ‘chineses’ do futebol brasileiro?

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© Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Com Geuvânio perto de ser o 8º ‘chinês’ contratado pelos principais clubes do Brasileirão em 2017, explicamos por que alguns brilham e outro não


Por Tauan Ambrosio 

Nos últimos anos, o mercado chinês tirou muitos jogadores do futebol brasileiro e gastou a impressionante quantia de 447 milhões de dólares, nas últimas cinco temporadas, para tal. Entretanto, o número de atletas que regressaram para o Brasil também é cada vez maior.

O próximo deles muito provavelmente será Geuvânio, que já se despediu do Tianjin Quanjian e está muito próximo de acertar com o Flamengo

Dentre os nomes mais famosos, Jadson e Jô foram repatriados pelo Corinthians; Jucilei também voltou ao Brasil, mas não para o Corinthians e sim para o São Paulo; Montillo foi a grande contratação feita pelo Botafogo, enquanto Wagner e Luis Fabiano vieram para o Vasco. Por empréstimo, Darío Conca aproveitou o retorno para tratar de sua grave lesão e foi emprestado para o Flamengo.

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Desempenho até aqui

Recuperado de lesão no joelho, Conca treina regularmente no Flamengo mas ainda não recebeu a sua chance. Na última semana, o argentino reclamou por que não teria sido relacionado para o clássico contra o Botafogo, pela quarta rodada do Brasileirão. O meia-atacante não disputou um jogo sequer desde a sua chegada à Gávea.

Wagner Vasco x Vila Nova Copa do Brasil 01 03 17 Wagner ainda não conseguiu sequência (Foto: Carlos Gregório Jr / CRVasco da Gama)

Contratado para ser um dos grandes criadores de jogadas ofensivas para o Vasco, Wagner teve poucas oportunidades e não correspondeu até aqui. Em toda a temporada foram 11 jogos, 353 minutos em campo e um gol no duelo contra o Vila Nova, pela Copa do Brasil. No Brasileirão, a sua única oportunidade foi na parte final do triunfo sobre o Bahia, quando saiu do banco de reservas.

Montillo Botafogo Brasileirão 13 06 2017 Montillo foi atrapalhado por lesões (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Montillo foi a grande aposta do Botafogo para 2017. O argentino sempre deixou vontade em campo e não se escondeu das partidas. Entretanto, a parte física vem pesando para o meia de 33 anos. Uma lesão o tirou de ação por cerca de dois meses e o camisa 7 disputou 13 jogos, dos quais foi titular em 10. E se mostra habilidade com a bola aos pés, o gol que ainda não chegou incomoda o jogador tanto quanto os torcedores alvinegros.

Jadson Jo Universidad Chile Corinthians Sudamericana 10052017 Jadson ainda pode  mais; Jô é o grande destaque (Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

A situação de Jadson é melhor no Corinthians, mas embora seja titular absoluto [só não começou jogando em um de seus 23 compromissos] a crítica esperava um pouquinho mais de um jogador que, pela habilidade e poder decisivo, virou ídolo da Fiel torcida por méritos próprios. No entanto, fez cinco gols e, de pênalti, anotou o seu primeiro no Brasileirão no triunfo sobre o São Paulo de Jucilei, meio-campista que vem agradando os tricolores pela entrega.

Luis Fabiano Vasco Brasileirão 10 06 2017 Luis Fabiano vive grande fase goleadora (Foto:Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br)

Sem dúvida nenhuma, os ‘ex-chineses’ que vem aparecendo com maior destaque são Luis Fabiano e Jô. O primeiro vem com sequência de 5 gols nos últimos quatro jogos. Em São Januário, está mostrando que, mesmo aos 36 anos, pode ser decisivo e ajudar o Vasco a conquistar pontos importantes. Considerando todas as competições, são 6 tentos em 13 partidas [média de 0,46 gols por jogo].

Jô, então, vive um momento mágico após ser desacreditado para o futebol. É um dos melhores em atividade no Brasil atualmente, participa na criação de jogadas de gol e estufa as redes em duelos importantes. Não à toa recebeu o apelido de ‘God of Clássicos’. Desde o seu retorno para casa, 6 dos 11 gols marcados em 30 jogos foram contra rivais paulistas.

O que explica a diferença de desempenho?

Conca ainda não teve chances, Wagner é figura constante no banco e Montillo quer se provar ao máximo. Jadson ainda está longe de ser o maestro que foi um dos protagonistas do título brasileiro de 2015. Do outro lado, um Jucilei nas graças dos tricolores e Luis Fabiano e Jô como máquinas de gols. Dá para explicar tamanha diferença?

Jucilei - São Paulo - 23/04/2017 Jucilei, um dos motores do São Paulo (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)

Atual preparador físico do América-MG, Gerson Rocha foi um dos tantos brasileiros que trabalharam no futebol chinês recentemente [no Henan Jianye]. O profissional reconhece que, em alguns casos, o ritmo mais fácil de um futebol ainda em desenvolvimento pode atrapalhar na readaptação. Entretanto, como os casos de Renato Augusto e Paulinho na Seleção atestam, não servem de desculpas.

“Sempre pode exigir um pouco de adaptação pelo estilo de jogo e de treinamento (...) esse período sempre vai acontecer, a demora acho que ela vai estar muito em função da maneira como o atleta se cuidou ou se preparou no período em que ele estava fora do país”, afirmou para a Goal Brasil .

Conca treino Flamengo 14 04 2017 Conca ainda não jogou pelo Fla (Foto: Staff Images/ Flamengo)

“Pôr a culpa no campeonato fraco, às vezes é muito cômodo para a gente, profissionais e para o próprio atleta. Se o atleta sentir que está faltando alguma coisa para ele, ele tem que buscar dentro de onde ele está, ou levar algum profissional ou buscar dentro do próprio clube, buscar alguma coisa a mais para que ele possa se manter”, concluiu.


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Levando em consideração os jogadores citados ao longo da matéria, não é coincidência que os dois que vem ganhando maior destaque sejam centroavantes. É lógico que no futebol atual, tanto Jô quanto Luis Fabiano também precisam correr para ajudar o time. No entanto, não é um esforço comparável ao de meio-campistas como Jadson, Montillo, Wagner, Jucilei ou Conca.

Mas seria um erro contratar diretamente um jogador de meio-campo, defesa, lateral ou que seja um atacante de característica veloz? É claro que não. A resposta está longe de ser absoluta. Como no futebol e na vida, é uma junção de fatores que vão das características do atleta [a sua entrega, compromisso e habilidade] com as da equipe que vai recebe-lo [modelo de jogo, número de jogadores para o elenco].

O Brasileirão está apenas no seu início, muitas águas ainda vão rolar. Quem está em alta pode ver o ritmo cair e hoje quem luta contra a má fase ainda pode mostrar o seu valor. Para isso, basta que os trabalhos individual e coletivo se encaixem da melhor maneira dentro da identidade de cada time.

 

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