Lampard no Chelsea é só pelo nome ou ele já mostrou serviço como técnico?

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Ídolo dos Blues como jogador, ele foi anunciado como técnico após somente um ano no comando do Derby County, da segunda divisão

Frank Lampard foi anunciado, nesta quinta-feira (04), como novo técnico do Chelsea. É o retorno de um dos maiores ídolos do clube, pelo que vez com a bola nos pés. O contrato assinado foi para três temporadas.

Maior artilheiro na história do Chelsea, com 211 gols marcados ao longo de 649 partidas disputadas em 13 temporadas, Frank Lampard chega com o carimbo de uma boa campanha sob o comando do Derby County na segunda divisão inglesa. A equipe localizada na região das East Midlands por muito pouco não conseguiu o acesso à Premier League, sendo parada somente pelo Aston Villa na final do play-off que decidiu a última das três vagas de acesso da chamada Championship: perdeu por 2 a 1. Entretanto, na primeira temporada sem Eden Hazard [negociado com o Real Madrid] e impedido de contratar graças a uma punição imposta pela FIFA, fica a dúvida: Lampard já mostrou serviço considerável na área técnica ou chega pelo nome?

A investida mais forte por parte do Chelsea aconteceu, segundo afirma a imprensa inglesa, também pela falta de grandes opções no mercado. Apesar de ter sido muito criticado, especialmente pelos torcedores que não abraçaram o estilo de jogo focado na posse de bola, Sarri deixou Londres valorizado com o título da Europa League conquistada sobre o rival Arsenal. Massimiliano Allegri, demitido da Juventus, seria uma opção segura e que encaixaria com o estilo tradicional dos Blues, mas está fora de alcance: deseja tirar um ano sabático do futebol.

A rápida ascensão de Lampard em sua primeira temporada como treinador obviamente atraiu as atenções do Chelsea, mas no mundo ideal os Blues gostariam de esperar o ídolo ganhar mais rodagem nesta nova fase profissional antes de contratá-lo de vez. As circunstâncias, porém, foram outras. E isso ajuda a responder se o nome do ídolo pesou mais do que o trabalho como técnico: o fato de ser Frank Lampard foi o fator primordial. Até para agradar os torcedores, que prometem apoiar o máximo possível um ícone presente nas maiores glórias obtidas pelo clube.

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Isso não quer dizer que Lampard não tenha feito um bom trabalho no Derby County. Fez! Em termos de resultados, conseguiu levar os Rams à final do play-off [na segundona inglesa, os dois primeiros garantem o acesso direto enquanto times que ocupam do terceiro ao sexto posto definem a última vaga através do mata-mata]. Foi um passo a mais em relação ao ano anterior, no qual o Derby também ficou em sexto mas não chegou à finalíssima do play-off. O time de Lampard fez mais gols [74 a 71] e teve mais posse de bola [55.8% a 46.9%] em relação ao ano anterior, mas também teve as redes vencidas mais vezes [59 contra 50]. De qualquer forma, fica o peso positivo por ter eliminado o Leeds de Marcelo Bielsa e chegado mais longe.

Mas o trabalho de somente um ano não é salvo conduto de competência irrestrita na maioria das vezes, a não ser em casos de exceção como a primeira temporada de Pep Guardiola no Barcelona, 2008-09, quando ajustou alguns dos jovens que conhecia da base ao que de melhor já havia entre os profissionais e fez os catalães levantarem todos os títulos. Lampard, entretanto, está longe de Guardiola quando o assunto é estilo de jogo. Qualquer comparação entre ambos seria exercício de futurologia em relação ao trabalho do inglês.

Frank Lampard Chelsea Champions League Lampard segura a taça da Champions League, conquistada pelo Chelsea em 2012 (Foto: Getty Images)
Frank Lampard Mason Mount Derby County 2018-19 Lampard e Mason Mount, um dos jovens emprestados pelo Chelsea ao Derby (Foto: Getty Images)

Entretanto, se o nome do ídolo pesou mais do que a sua experiência na área técnica, ficam também as boas experimentações no próprio Derby, que teve entre seus destaques dois jovens emprestados pelo Chelsea. Mason Maunt foi um dos líderes em assistências [4] e no ranking de passes-chave [71], além de ter marcado nove gols. O zagueiro Fikayo Tomori foi outro emprestado junto aos de Stamford Bridge que demonstrou bom rendimento. A eles, Lampard também precisará polir talentos jovens como Reece James e aproveitar ao máximo Callum Hudson-Odoi e Loftus-Cheek, que já demonstraram utilidade entre os profissionais dos Blues e se recuperam de lesão.

Embora tenha pela frente calendário de Champions League mais uma vez, a impossibilidade de efetuar contratações [graças à punição recebida por irregularidades na contratação de menores de idade] deixa em aberto a chance de um teste de fogo para o próximo treinador do Chelsea. Lampard ainda não se provou na área técnica, apesar do início promissor, mas a sua figura pode ser útil para dar um pouco de estabilidade nos primeiros momentos de crise. Mas se não vierem os resultados, talvez nem mesmo isso seja o suficiente para o ídolo.

O calendário 2019-20 não será dos mais fáceis, afinal.

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