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Guardiola não gosta, mas estatística mostra como faltas são parte do segredo do City

13:03 BRT 17/08/2019
Pep Guardiola Manchester City
Guardiola rejeitou repetidamente as alegações de que seus jogadores cometem muitas faltas táticas, mas os números vão na contramão

Greg Vanney, técnico do Toronto FC, foi questionado após o empate, em 1 a 1, diante do Orlando City a respeito da atuação dos jogadores que poderiam ter evitado o gol do adversário.

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De acordo com o Toronto Sun, o treinador ressaltou que o elenco deve cometer "mais faltas no jogo": “Acho que precisamos usar as faltas como uma ferramenta para acabar com essas situações perigosas. Isso não significa ser desagradável, não significa receber cartões amarelos o tempo todo. Isso significa desacelerar o jogo, parar o jogo, conseguir números atrás da bola”.

Vanney aproveitou a ocasião para explicar, segundo ele, os meios legais de parar o contra-ataque adversário: "Se você tem uma boa posição de defesa no início da partida e você está entre o homem, o gol e a bola e você faz falta em um jogador, você provavelmente não receberá um cartão. Mas se você ficar do lado errado da jogada e depois tiver que ficar trás, então você pode receber um cartão”, disse o treinador que continuou a explicação.


(Foto: Getty Images)

“Se a alternativa é receber um cartão ou deixar um cara entrar na área e abrir o placar, então receba o cartão, especialmente se você não tiver recebido nenhum ainda. Temos que ser mais profissionais. E às vezes cometer uma falta é ser profissional. Esse é um recurso no jogo”, analisou.

Treinador do West Ham, Manuel Pellegrini acompanhou da área técnica a derrota do clube para o Manchester City, por 5 a 0, no primeiro jogo da Premier League 2019-20. O técnico alegou que o estilo de tático da equipe de Pep Guardiola teria sido um dos fatores que influenciaram no resultado: "Toda vez que tentávamos chegar na área deles, eles faziam faltas e nós fomos inocentes a esse respeito”.

Pouco provavelmente o West Ham teria vencido o jogo caso as faltas não tivessem ocorrido. Ainda assim a visão do jogo de Pellegrini a respeito das "faltas táticas" como uma das razões possíveis para explicar a derrota chamou à atenção.

"É por isso que não criamos muitas chances no primeiro tempo”, argumentou Pellegrini que seguiu: “Todos os nossos momentos ofensivos de ataque terminaram em falta. Você pode olhar para as estatísticas. Eles cometeram 13 faltas e nós cometemos seis. Mas essa não foi a razão pela qual perdemos”.

A linha apresentada por Guardiola, com seis jogadores de campo à frente da bola durante os jogos, permite a David, Kevin, Gundo fazerem falta caso seja necessário. Guardiola é sensível a qualquer um que aponte este elemento ao plano de jogo de seu elenco, apesar de ser uma característica consistente nos jogos do City.

Fernandinho liderou a contagem de falta do City na temporada passada com 40 infrações ao lado de Raheem Sterling. Durante o primeiro jogo na Premier League 2019-20, foi a vez de Rodri ficar à frente graças as três faltas.

“Tentamos jogar e, claro, às vezes há contra-ataques e nós fazemos uma falta. Às vezes, a ação é um contato”, disse Guardiola em dezembro passado, quando a questão surgiu em entrevista coletiva.


(Foto: Getty Images)

“Nós não pensamos sobre isso. Nunca nas minhas equipes estamos focados em fazer algo errado com o adversários. Somos um time que sempre tenta atacar, defender bem, tentamos jogar o nosso jogo, mas nunca pensei [propositalmente] que você tivesse que fazer isso [falta] para evitar um lance de perigo. Nunca aconteceu na minha carreira e nunca vai acontecer”.

Porém, o problema para Guardiola é que as evidências não confirmam isso. Como exemplo, a Goal irá usar os números do jogo contra o West Ham: o West Ham realizou 231 passes no primeiro tempo, nesse período o City fez oito faltas. Ainda na etapa inicial, o City tocou a bola por 290 vezes e o West Ham comentou apenas uma falta.

Na última temporada da Premier League, o City cometeu 328 faltas por jogo, média de 8,63 entre as 38 partidas do torneio. A equipe com mais faltas foi o Brighton com 463, no total. No entanto, nenhum time teve mais posse de bola do que City, com média de 68,13% durante todo o percurso da temporada anterior. 

Apesar de Guardiola não gostar de ser apontado a respeito deste quesito, não há dúvidas de que o City comete muitas faltas comparado com os rivais de campeonato. O treinador continuará, é claro, a negar, como se houvesse uma vergonha ligada ao caso.

Mas o Pep não precisa se preocupar. Faltas fazem parte do jogo. Algumas são agressivas outras sutis. Algumas são evitáveis, outras necessárias. Isso significa que a equipe de Guardiola pode continuar vencendo partidas no estilo que o comandante gosta e o que faz dele tão reconhecido.