Fábio Paím: um 'Cristiano Ronaldo' que ficou pelo caminho

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Comparado ao craque do Real Madrid, ex-promessa do Sporting não brilhou e até chegou a tentar a sorte no Rio de Janeiro

Atacante, habilidoso, revelado no Sporting e estrela da sua geração no início dos anos 2000. Não, não estamos falando de Cristiano Ronaldo. Trata-se de Fábio Paím, que, nos primeiros passos da carreira, era uma das maiores apostas do futebol português, tendo inicialmente chamado tanta atenção quanto o craque do Real Madrid e atual dono de cinco Bolas de Ouro.

Três anos mais novo que o CR7, Paím (29) atraía público como poucos para os jogos dos times de base dos leões e, para muitos sócios, torcedores e funcionários do clube lisboeta, tinha mais potencial que Ronaldo (32). Uma sensação também compartilhada por outro prata da casa, este, no entanto, (muito) mais famoso nos dias de hoje: Ricardo Quaresma (34).

“Eram garotos talentosos e que atraíam pessoas de vários pontos do país para as nossas partidas. Ele [Paím], assim como o Quaresma, tinha muita qualidade técnica. Ambos começaram a brilhar cedo e por isso rapidamente criaram uma grande expectativa. Não eram melhores que o Ronaldo, eram diferentes. O Paím, por exemplo, tinha uma capacidade enorme e que se tivesse trabalhado como Ronaldo, poderia ter sido um 'Cristiano Ronaldo'. O contexto não foi favorável a ele”, explica João Couto, treinador das divisões de base do Sporting, à Goal Brasil.

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Atualmente no Besiktas, Quaresma chegou a ter momentos de pouca expressão, mas sempre esteve em grandes clubes, como Barcelona, Porto e Inter de Milão, e foi nome importante na seleção no inédito título da Eurocopa de 2016. Já Fábio Paím conseguiu no máximo um curto período de teste no time B do Chelsea, em 2008, e colecionou passagens pelos mais variados pontos do mundo. Andou por Angola, Malta, Lituânia, Luxemburgo, China e até mesmo Brasil, onde “defendeu” neste ano as cores do Paraíba do Sul, da quarta divisão do Rio de Janeiro. Entre aspas porque não jogou, apenas treinou e foi embora alegando problemas na regularização da documentação. 

“O Fábio tem muito talento, muito mesmo. Mas as oportunidades passam e às vezes não voltam. É muito difícil para um jogador passar por Sporting e Chelsea e depois jogar em ligas menores. É complicado manter a concentração, principalmente. Ele tem noção da própria qualidade, mas é difícil motivar um atleta que teve um início tão promissor. Até posso achar que ele está jogando muito bem, só que para ele, que sabe que já jogou muito mais, pode ser pouco", destaca o meia brasileiro Mandinho, ex-companheiro de Paím no Nevezis, da Lituânia.

CRISTIANO RONALDO SPORTING
(Fotos: Getty Images)

“É um cara muito do bem e de coração aberto, gosta de ajudar todo mundo. Ser assim atrai pessoas boas, mas também muitas pessoas ruins e interesseiras, que sugam até a última gota. Mas ele não está morto, né? Ainda tem o que viver e o que jogar. Torço muito pelo sucesso dele, espero que se divirta com o futebol e ignore a pressão de precisar ser melhor do que o Cristiano Ronaldo”, completa.

Apesar do exótico percurso profissional, que contou ainda com uma curta pausa para participar do programa "Love on Top", um reality show da televisão portuguesa, o atacante recebeu recentemente a chance dentro do próprio país de recuperar parte da boa imagem deixada nos tempos de promessa do Sporting, quando era chamado de "Baixinho de Alcoitão". Foi contratado pelo Leixões, da segunda divisão nacional - num primeiro momento vai representar o time B.

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