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Exclusivo! Júlio Baptista: "CR7? Real Madrid nunca teve um jogador insubstituível e nunca terá"

15:24 BRT 27/10/2018
Julio Baptista, Real Madrid former player
Meia brasileiro garantiu vitória merengue por 1 a 0 no último clássico sem Cristiano Ronaldo e Messi

Júlio Baptista resolveu cancelar sua aposentadoria para jogar no Cluj, da Romênia. Ao longo da sua vitoriosa carreira, o meia defendeu grandes clubes no Brasil, Itália, Espanha, Inglaterra e Estados Unidos. Durante o período em que defendeu o Real Madrid, um jogo em especial, ficou na memória do brasileiro. No último “El Clásico” sem Cristiano Ronaldo e Messi, foi dele o gol da vitória merengue por 1 a 0, no dia 23 de dezembro de 2007, no Camp Nou. Aproveitando a ocasião, a Goal conversou com o jogador. Confira o bate-papo!

Como foi sua chegada na Romênia?
"Não esperava isso. Estava muito tranquilo em Madrid. Mas através de um amigo que tem um bom relacionamento no Cluj, surgiu a oportunidade de jogar um pouco mais. Eles me disseram que queriam formar uma equipe para voltar à Champions League e que acreditavam que eu poderia ajudá-los. Eu não joguei por um ano e meio, mas me coloquei em posição de ajudá-los a voltar para a elite. Se não for a Champions, pelo menos a Europa League".

Como foi esse momento de parar e voltar aos gramados?
"Bem, como não chegou nada que me motivou de verdade, estava tranquilo. As coisas se resolvem sozinhas. Não estava mais tão preocupado, porque estava fazendo coisas com o futebol: FIFA, La Liga como embaixador... Estava confortável. Mas a oportunidade veio, conversei com a minha família e no final uma das coisas que me encorajou é que meu filho de 2 anos de idade podia me ver jogando futebol. É uma espécie de presente me ver jogar. Estou animado".

Teve dificuldade para entrar em forma novamente?
“Bom, eu perdi 5 quilos em três semanas. Tenho uma genética privilegiada e, embora não estivesse sem jogar há um ano e meio, estava treinando e havia aumentado pouco a minha porcentagem de gordura. Acho que agora tenho apenas 6% de gordura. Não é ruim, certo? (risos)"

 

Como está sendo sua adaptação?
“Há muitos jovens espanhóis, portugueses e outros argentinos... há um pouco de tudo e a adaptação é mais fácil. Existe um bom grupo. Nos primeiros meses estava um pouco pior porque estava sozinho, mas agora que a família chegou, tudo está perfeito".

Romênia é a última experiência que faltava depois de jogar na Espanha, Itália, Inglaterra, Brasil, Estados Unidos…
"Olha, da Espanha eu fico com futebol. Tenho que dar graças ao que o futebol espanhol me deu na minha vida. Estou muito grato por ter podido jogar na Espanha. Então, cada país e cada equipe lhe dão experiências para sua vida e sua carreira. Agora olho para trás e vejo muita bagagem nas minhas costas".

Na Espanha teremos neste domingo o "El Clásico". Recorda qual foi o último que se jogou sem Cristiano Ronaldo e Messi? 
"O meu, claro! Meu e dos meus companheiros. Mas foi o que eu marquei: 23 de dezembro de 2007. As boas datas têm que ser lembradas sempre e isso foi muito importante para mim. Marcar em um clássico e ganhar é sempre especial. E pude ser o único a marcar em um jogo cheio de craques para dar a vitória ao Real Madrid".

Um clássico pode marcar tanto a carreira de um jogador? Você acha que o seu marcou?
"Eu acho que sim. O clássico tem um significado muito grande. A expectativa que este jogo traz é loucura. Já foi falado há muito tempo. Os jogadores treinam ao máximo para chegar a esse jogo em 3000%. E quando você chega bem, as coisas correm tão bem quanto saem, é importante. Nem sempre é perfeito como se deseja, mas naquele dia saiu assim. Foi apenas um gol, mas provamos ser muito fortes no Camp Nou. Eu me lembro de uma corrida que o Pepe ganha do Eto'o, com a rapidez que ele tinha... Então você pode ver o quão bem estávamos naquele dia. Fomos muito superiores".

O clássico de hoje será menor por causa das ausências de Ronaldo e Messi?
"Não! Será igual. Com os dois havia um pouco mais de rivalidade para ambos, mas o clássico sempre tem sua magia, seja com quem for. Sempre será Madrid e Barcelona, um grande jogo"

Este "El Clásico" vem marcado pelo futuro de Lopetegui. Acredita que para o Real Madrid seria boa uma mudança agora?
“Eu não desejo mal a ninguém, realmente. É uma situação difícil e o Madrid está em uma situação de transição. Não é fácil, nem sempre sai como você pensa. Ganharam três Champions e é difícil melhorar isso. E é ainda mais difícil se você incorporar um novo treinador com outras ideias. Às vezes não é possível fazê-lo funcionar o mais rápido possível. Mas o fato é que o Real Madrid não espera por você. Você precisa dos resultados e rápido, por sua grandeza. Isso é futebol. Sem resultados, no final você não vai ficar. Assim é. Lembre-se de Ancelotti, que venceu a Champions. O Real Madrid não é um clube normal. "

Há um técnico que está na lista de futuro treinador do Real Madrid e que você conheça bem: Guti. Você acha que ele poderia dar certo caso Lopetegui seja demitido?
"É um mistério, mas acho que ele está preparado. É como Zidane, que as pessoas disseram que não, mas quando ele chegou, ele ganhou três Champions. Você pode dizer ou pensar que Guti não é, e depois vir e ganhar tudo também. É difícil dizer se um técnico terá o trabalho e a sorte o acompanhará para que os resultados cheguem, para que ele trabalhe sem estresse, e que os jogadores lhe dêem o máximo ".


(Foto: Getty Images)

Você acha que o Real Madrid sente falta do Cristiano?
"Cada jogador tem o que ele tem. Cristiano não era mais o cara dez anos atrás, quando driblava tudo... mas continua marcando 40-50 gols por ano. E isso conta muito. Acho que sem ele, o Real Madrid também dá oportunidades para outros jogadores muito bons, e que não é fácil encontrar jogadores que podem fazer o mesmo que Cristiano. Real Madrid faz menos gols, é normal. A equipe estava muito adaptada para ele, porque ele jogava o futebol que o beneficiava. Ele é um grande finalizador e marcou muitos gols. Tinha muitas chances de marcar e colocava pra dentro". 

Em sua passagem, você viveu o fim dos Galacticos e também saíram Figo, Zidane, Beckham, Ronaldo, Roberto Carlos... Como eles fizeram para superá-lo?
"O Real Madrid é um clube muito grande. Nunca houve um jogador insubstituível e nunca haverá. Os tempos estão passando. Agora é Cristiano quem passou. Se não for o melhor, foi um dos melhores da história. E outros chegarão. E eles vão embora. Essa é a história. Após o período dos Galacticos, se ganharam outras quatro Champions League ".

Estamos falando de Cristiano, especialmente por causa da seca no Real Madrid. A segunda pior sequência da história. E você esteve presente na terceiro, com mais de 400 minutos sem gols. Como são esses momentos e o que fazer para superar?
"Para mim foi bastante complicado. Porque eu cheguei e havia muitos grandes jogadores. O Luxemburgo não conseguiu que todos jogassem e alguns tiveram que ser realocados. Acabei jogando em outra posição que não era a minha. O que as pessoas queriam ver sobre mim eram os gols que havia marcado no Sevilla. Outros jogadores, como o Ronaldo, também não marcaram. Quando isso acontece, é complicado. Você tem que vencer as partidas para que a confiança volte, e é assim que os gols surge. Jogador precisa de confiança e quando as vitórias não vem ela desaparece".


(Foto: Getty Images)

Eu quero te perguntar de mais dois jogadores. Um é Sergio Ramos, que conhece bem e está sendo criticado ultimamente. Você acha que já perdeu seu melhor nível, ou é apenas uma questão de momentos?
"Com certeza vamos ver o melhor Sergio Ramos em breve, claro. Eu não acho que o que foi dito sobre ele esta semana seja um reflexo do que é o Sergio Ramos. Ele está no Real Madrid há anos, sempre deu uma boa imagem como capitão, e demonstra os valores do Real Madrid. Às vezes acontecem coisas, e temos que saber que no final o futebol é assim: você chuta, você recebe um chute... Então não importa se a imprensa diz coisas. O que queremos é que o time vença. E com certeza é isso que Sergio vai querer: que o Real Madrid vença novamente".

O outro jugador que queria perguntar é Vinicius. O que tem achado dele?
“Não o via muito no Brasil, tenho que dizer isso. Mas ele é um jogador que tem muito talento, muitas possibilidades... mas o futebol brasileiro é diferente do espanhol, e o jogador precisa de algum tempo para se adaptar. Há casos como Neymar, que foi direto para o Barcelona para jogar, mas é um caso diferente do Vinicius, porque ele é muito jovem. Ele tem que demonstrar, mas ele tem que aprender. É um jogador muito talentoso, mas quando ele está em um time tão grande e as coisas não estão indo bem, ele também pode ser queimado. Você também precisa saber quando o jogador está pronto para ajudar o time da melhor maneira possível".

Para terminar, uma curiosidade. É verdade que você poderia ter ido para o Barcelona de Rijkaard antes de chegar ao Real Madrid?
"Sim, é verdade! Chegou uma proposta, mas Del Nido a rejeitou. Foi no meu primeiro ano no Sevilla que o Barcelona começou a me observar. Mas o presidente não quis escutar e eu não queria sair também. Etava muito bem em Sevilha. Depois, no segundo ano, surgiram o Arsenal, o Chelsea, o Real Madrid ... e eu fiquei com o Real Madrid, que era o meu sonho de criança. Quando a oportunidade chega de ir ao melhor time do mundo, não pense muito sobre isso. Você tem que agarrar".