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Exclusivo: Jandrei, a missão de substituir um imortal e a emoção de reviver o ídolo

21:50 BRST 27/11/2017
Jandrei Chapecoense
Em entrevista à Goal Brasil, goleiro que sucedeu o histórico Danilo fala sobre tocante ano de reconstrução da Chape

GOAL Enviado Especial

Chapecó - SC


Existe um velho ditado no futebol: "todo grande time começa com um grande goleiro".

Foram três anos brilhantes na Chapecoense, com momentos espetaculares principalmente na competição que tornou a equipe conhecida e temida em toda a América Latina e elogiada no Brasil e no mundo. Entre vários milagres, foi um dos destaques na Copa Sul-americana de 2015, quando o Verdão do Oeste foi eliminado, e no sufoco, apenas nas quartas de final pelo poderoso River Plate.

No ano seguinte, na mesma competição, pegou quatro cobranças de pênaltis contra o gigante Independiente, nas oitavas de final, e na semifinal, contra o San Lorenzo, o time do Papa Francisco e campeão da Libertadores em 2014, parecia abençoado por Deus ao fazer defesas incríveis e um milagre com o pé direito no último minuto do jogo de volta, garantindo o avanço da Chape para a final contra o Atlético Nacional.

(Foto: Buda Mendes/Getty Images)

Depois, quando o mundo chorava sua perda, aconteceu o contrário do habitual. Ao invés de sua família ser consolada, foi a sua família quem consolou o mundo, com dona Ilaídes emocionando todo o planeta ao representar de forma única e tocante o amor e a força de ser mãe.

Grande goleiro de um grande time, Danilo honrou sua família, a Chapecoense e ficou marcado para a eternidade. Ele nunca será esquecido.

Por tudo isso, a missão de Jandrei talvez fosse a mais difícil de todos os jogadores escolhidos para defender a Chape em seu ano de reconstrução.

No entanto, Danilo deve estar satisfeito nos céus e sorrindo para o seu companheiro de profissão e posição.

Jandrei honrou Danilo. É um grande goleiro de um grande time.

(Foto: Renato Spencer/Getty Images)

Com grandes atuações, milagres e tendo uma "noite de Danilo" na segunda fase da Copa Sul-americana, ao defender dois pênaltis contra o Defensa y Justicia, Jandrei emocionou os torcedores da Chape e os amantes do futebol e de grandes histórias ao longo do ano, nos fazendo lembrar muitas vezes do eterno e mítico herói do Verdão.

A Chape, no seu ano de reconstrução, conseguiu manter seu patamar e honrar os ídolos que estão nos céus. Como em 2016, termina a temporada campeã estadual e garantida na Série A do Campeonato Brasileiro de 2018, além de ter feito boas campanhas continentais. Isso tudo tendo Jandrei como uma de suas peças principais e primordiais.

(Foto: Sirli Freitas/Chapecoense)

E em entrevista exclusiva à Goal Brasil, o goleiro se emocionou e falou sobre a responsabilidade de substituir Danilo, a emocionante noite na Sul-americana, o ano da Chape e muito mais. Confira:

A Chape viveu um bom ano e conseguiu manter o patamar dos últimos anos em 2017, mesmo depois de tudo o que aconteceu. Como foi esse ano de reconstrução?

"Foi um bom ano pra gente. A gente sabia que ia ser difícil e complicado. Sabíamos que iríamos enfrentar muitas dificuldades e adversidades dentro dos campeonatos que iríamos jogar, que não eram poucos, mas conseguimos nos sair bem em todos. O ano foi muito bom. Ganhamos o Estadual, nos classificamos dentro de campo na Libertadores, sendo eliminados apenas no extracampo, continuamos na Série A e só podemos agradecer e elogiar a equipe."

Vocês têm um clima alegre no vestiário e o Túlio de Melo me contou que vocês fizeram um pacto para ter essa alegria e não deixar o clima ficar muito triste e abalar demais vocês. Claro, sem se esquecer dos que se foram e estão gravados na eternidade por seus grandes feitos, quais foram os principais elementos para a Chape conseguir esse bom ano?

"A gente sabe que o primeiro passo para ter um grupo bom é um ambiente de alegria e brincadeira, onde todo mundo se gosta e um ajuda o outro. É isso que nos puxa para cima e nos ajuda nos jogos, fazendo com que a gente tenha uma parceria dentro e fora de campo. Isso é uma parte muito grande nesta reconstrução. Mesmo em pouco tempo e se conhecendo há pouco tempo, o grupo conseguiu ficar unido, com todos sendo amigos."

(Foto: NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)

Qual o grande momento, o mais especial e marcante para você no ano?

"Para mim, foi a minha estreia na Libertadores e a classificação na Sul-americana contra o Defensa y Justicia. Da forma que ela aconteceu, não tem como não se lembrar e não ficar marcada. Foi muito emocionante para mim."

O que passou pela sua cabeça quando você soube que seria o substituto do Danilo depois de tudo que ele fez?

"Eu me senti honrado e também com uma responsabilidade muito grande. Eu sabia que estava entrando em um gol onde muitos fizeram história, como o Nivaldo, que ainda trabalha no clube, o Danilo, que infelizmente não está entre nós, e também o Follmann. Eu sabia do tamanho da responsabilidade e da importância, e que eu precisaria dar meu melhor para ter o reconhecimento do meu trabalho e honrar todos, principalmente o Danilo."

Como foi aquela noite da Sul-americana? O que passou pela sua cabeça e como foi para dormir após a partida?

"O Danilo fez as quatro defesas de pênalti e a defesa que classificou a Chape para a final da Sul-americana. É uma trave ficou marcada na história da Chapecoense. Para dormir naquela noite foi complicado, mas um complicado bom pela alegria e pela emoção. Eu fiz até um quadro com a camisa daquele jogo, que está lá em casa. Para mim, foi uma noite muito marcante e acredito que foi para todos do clube."

(Foto: Sirli Freitas/Chapecoense)

Como é o relacionamento com o Follmann, seu companheiro de profissão e posição?

"O Follmann é uma pessoa sensacional, um cara pra cima, que está sempre de bom humor e alegre. Não tem tempo ruim com ele. As conversas com ele são sempre muito boas e ele brinca bastante com os jogos e lances que aconteceram. O Nivaldo também, que ficou muitos anos no clube, sempre conversa muito comigo e passa as experiências dele."

Passa uma motivação diferente ter Neto, Ruschel e Follmann com vocês o tempo todo?

"Com certeza. Eles nos transmitem uma força de vontade muito grande. Como eu falei do Follmann, que é um cara sensacional e que busca estar sempre alegre e alegrar quem está do lado dele... O Neto também, que é um cara que sabe o que falar e sempre na hora certa, e o Ruschel que está treinando de igual pra igual com a gente... Isso tudo nos passa muita força, porque a gente vê a força deles em superar o que aconteceu e estar bem. É um privilégio ver eles bem e seguindo em frente."

Acompanhando de perto, a Chape transmite a sensação de ser um clube diferente em relação aos demais. O que a Chape tem de diferente?

"A atmosfera aqui realmente é diferente. O tratamento com as pessoas realmente é diferente. A gente leva os filhos no clube e pode entrar com eles em todos os lugares, levar no campo... É um ambiente muito leve, agradável e familiar. Tem muito profissionalismo, mas sem deixar de lado esse lado família e a parte humana do jogador. É importante a família estar presente neste processo de reconstrução porque a pressão é grande e a família, assim como os torcedores, está sempre do nosso lado."

(Foto: Sirli Freitas/Chapecoense)

Quais as suas principais referências no futebol?

"Taffarel, até pela escola em que fui formado. Depois vieram (Victor) Valdés, o Neuer agora também, o Buffon que também sempre foi uma referência para mim. Então são muitos os goleiros com quem eu aprendi muito apenas observando, sem nem precisar conversar. Eu tenho muitas referências no futebol."

O que esperar da Chape em 2018?

"Com certeza estaremos muito mais fortes. Em 2017 precisamos nos reconstruir, lutar contra tudo e contra todos em vários campeonatos e jogos importantes, e a gente se saiu bem nessa prova. No ano que vem estaremos ainda mais fortes e confiantes. O grupo já se conhece e quem ficar no clube estará mais ambientado com tudo, então a tendência é só melhorar."

O que significa para você ter jogado na Chape neste ano e defender esse clube?

"Quando eu recebi o convite, eu nem pensei. Aceitei na hora. É um prazer e uma responsabilidade enorme jogar na Chapecoense. Eu estou feliz e gosto muito de defender esse clube."