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Bélgica

Esqueça a Copa! Na disputa pela melhor batata frita, belgas garantem que levam a melhor

12:45 BRT 13/07/2018
Bélgica - Chez Vouz - 10/07/2018
Restaurante típico Chez Vouz, em Moema, na Zona Sul de São Paulo, foi o reduto belga da cidade durante a Copa do Mundo de 2018


GOAL Por Fernando H. Ahuvia

A Bélgica foi derrotada pela França e terá que se contentar em brigar com a Inglaterra pelo terceiro lugar da Copa do Mundo de 2018. No entanto, esqueçam por um instante a seleção liderada por Courtois, De Bruyne, Hazard e Lukaku para tratarmos de outro assunto tão debatido pela população dos dois países quanto o futebol: a batata frita.

Ambos reivindicam a invenção do prato que se tornou tão popular no mundo todo. Os franceses dizem que a batata frita foi criada pouco antes da revolução de 1789 por vendedores de rua. Já os belgas garantem que ela surgiu anos antes em Namur, sul do país, por pescadores que substituíram o peixe frito pela iguaria por conta do congelamento dos rios da região no inverno.

A Goal Brasil esteve na última terça-feira (10) no restaurante Chez Vous, recanto belga localizado em Moema, na Zona Sul de São Paulo, e conversou com o proprietário Lionel Sturnack, que, há dois anos e meio, abriu o único estabelecimento de São Paulo com comida típica do seu país. Para ele não há dúvida nem de quem criou e muito menos de quem faz a melhor batata frita.

“Os belgas inventaram a batata frita, isso é registrado em manuscrito do século XVI, o que fez com que tivessem mais tempo de aprimorar as técnicas de fritura da batata. Os belgas tem um sistema de dupla fritura da batata que deixa ela bem macia por dentro e crocante por fora. Está se popularizando cada vez mais, mas até 15 anos atrás os franceses não sabiam fazer isso, por exemplo. Então a batata frita, na verdade, quando é gostosa, é belga. Acho que é a resposta mais simples (risos)”, declarou Lionel, que chegou ao Brasil em 2011 e ficou de vez no país por dois motivos bem especiais.

“Vim para o Brasil em 2011 para estudar linguística por cerca de um ano, mas encontrei uma brasileira, me apaixonei logo de cara e acabei dando um jeito de permanecer para ficar com ela, que se tornou a minha esposa hoje... E também encontrei aqui outro amor que é a gastronomia, abrindo um restaurante”, contou.

“Quando você está em outro lugar pensa sempre em como manter contato com suas raízes e para mim isso se fez com a culinária. Ela permite não só mexer, mas compartilhar aquilo que acha que é o genuíno da sua cultura”, acrescentou.

Lionel comemorou também o fato de os pratos típicos do seu país terem caído no gosto dos brasileiros.

“Felizmente os pratos belgas caíram no paladar brasileiro e isso é um grande prazer... O Boulettes Sauce Liégeoise (prato ilustrado abaixo) é o mais vendido até hoje junto com os Moules (mexilhões). Ele é da região de Liège, leste da Bélgica, que é a cidade do Standard de Liège, que é o meu time. Consiste em almôndegas de carne de boi e porco com uma mistura de ervas. Elas são fritas ou assadas, nesse caso fritas porque mantém uma suculência, e vem servida com um molho que tem como base cerveja preta e uma geleia de pera e maçã, também uma iguaria típica da região de Liège. As duas dão essa finalização mais cremosa e um sabor agridoce. E claro, não podemos deixar de colocar as fritas, porque a batata frita é belga, e a maionese caseira bem simples”, explicou.

Falado um pouco sobre a batata frita e outros pratos da rica culinária da Bélgica, como as famosas cervejas e o delicioso gaufre (waffle belga com calda de chocolate), não poderíamos deixar de tocar no assunto Copa do Mundo. E nesse tema, Lionel, assim como a maioria dos outros torcedores, diz estar sentindo um misto de orgulho e decepção.

“Tem uma parte de grande orgulho pelo fato de a Bélgica ter chego até onde chegou pela segunda vez na história do futebol do país, mas tem uma pitada boa de decepção de não ter ido à frente depois de ter conseguido vencer o Brasil, que no meu ver e de muitos analistas e torcedores, era o grande favorito. Ficamos chateados de perder da França, que é logo a nossa vizinha. É como a Argentina, que temos uma rixa saudável. Mas a França mostrou um grande futebol e não podemos negar isso. Ficou um sabor um pouco amargo. A gente queria chegar mais longe”, finalizou.