Entre coincidências com Dunga no pós-7 a 1, Tite se mostra inquieto por alternativas à Seleção

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Pedro Martins/MoWa
Assim como aconteceu na última terça-feira (16), há exatos quatro anos a primeira grande vitória do Brasil no pós-Copa veio contra a Argentina

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Vitória sobre a Argentina meses após eliminação na Copa do Mundo, com direito a festa e troféu erguido em duelo realizado muito longe da América do Sul. A memória recente obviamente nos leva ao triunfo por 1 a 0, na última terça-feira (16), com gol de Miranda nos acréscimos após um jogo um tanto quanto monótono na Arábia Saudita. Mas os primeiros capítulos do Brasil na segunda passagem de Dunga como técnico, em 2014, entregaram um cenário muito parecido.

As principais semelhanças estão, além da distância nos amistosos realizados e vitória sobre os argentinos, em outros cinco pontos: a invencibilidade nos compromissos anteriores ao Superclássico das Américas (em 2014, vitórias sobre Colômbia e Equador; 2018 com triunfos diante de EUA, El Salvador e Arábia Saudita); as presenças de Danilo, Miranda, Filipe Luís e Neymar entre os titulares; a faixa de capitão para o camisa 10; a realização do embate na metade inicial de outubro e a presença de Lionel Messi do outro lado.

Foi em um dia 11 que o Brasil ganhou por 2 a 0, em jogo realizado no estádio ‘Ninho de Pássaro’, em Pequim, para levantar a taça diante dos argentinos graças a dois gols de Diego Tardelli. O goleiro Jefferson também teve destaque ao defender pênalti cobrado por Lionel Messi e Neymar levantou o troféu que vinha como um analgésico para diminuir as dores do 7 a 1 impostos pela Alemanha no Mineirão.

Neymar Dunga Brasil Argentina 2014 16 10 2018Neymar, em 2014, ao lado de Dunga com a taça do Superclássico (Foto: Getty Images)

A felicidade momentânea poderia até indicar um novo futuro de glórias para a Seleção, mas não foi o que aconteceu. Em primeiro lugar porque o maior vexame na história da camisa canarinho precisaria ser aceito, uma vez que jamais será apagado, e em segundo devido ao que aconteceria na sequência do trabalho de Dunga – demitido em 2016 após eliminação na Copa América Centenário e na esteira de uma campanha tão ruim nas Eliminatórias, que a presença do Brasil no Mundial de 2018 corria sérios riscos.

Passados quatro anos, as cinco diferenças em relação ao título no Superclássico de 2014 abrem espaço para um tímido otimismo em meio à necessidade de manter sempre o lado crítico. Ao contrário do cenário atual, aquela seleção argentina tinha um técnico efetivado em Gerardo Martino, era vice-campeã mundial e entrou nos gramados chineses com Lionel Messi envergando a camisa 10.

Neymar Brasil Superclássico das Américas troféu 16102018Quatro anos depois, a cena se repete com similaridades e diferenças (Foto: Pedro Martins/MoWa Press)

Já a Seleção Brasileira de 2018 também não está mais a juntar cacos, ao contrário do cenário de terra arrasada após o 7 a 1: Tite foi mantido após a eliminação nas quartas de final para a Bélgica - uma queda que apresentou seus erros, mas foi longe de ser uma vergonha - e ao contrário do que fez Dunga nos primeiros compromissos de 2014, o treinador brasileiro faz questão de efetuar o maior número de testes possíveis para encontrar o máximo de alternativas – táticas e técnicas – ao seu dispor.

Nestes amistosos de outubro, por exemplo, Tite testou diferentes jogadores e formatos em campo: foi do habitual 4-1-4-1 com variações de 4-3-3 para 4-2-3-1 e 4-3-1-2, usou Neymar na ponta-esquerda e centralizado, testou Philippe Coutinho em todas as funções criativas do meio para a frente e inclusive surpreendeu ao escalar Gabriel Jesus no lado direito de ataque com Firmino na referência.

As vitórias sobre Arábia Saudita e Argentina podem não ter sido o suprassumo do entretenimento, mas os resultados ainda assim vieram. E o ponto principal é que, ao invés de focar na conquista do troféu [sempre importante, porém de importância menor], os amistosos foram utilizados para aumentar as possibilidades futuras de um grupo que pode entregar bons resultados.

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