Do modesto Barcelona Capela a referência no Chelsea - os primeiros passos de Diego Costa

Comentários()
No seu primeiro clube, atacante quase desistiu do futebol e até 25 de março se tornou concorrente dos gramados. Conheça essa história!

REPORTAGEM ESPECIAL - Por Jaqueline Lima e Rodrigo Hoschett


Goleador nato, ‘raçudo’, e  até considerado briguento, Diego Costa hoje brilha no Chelsea, onde se tornou um jogador fundamental, mas muito antes disso, o atacante sempre chamou a atenção por onde passou. Em Lagarto, cidade do interior do Sergipe, ele deu os seus primeiros passos rumo a sua carreira de sucesso internacional no futebol.

Com apenas 15 anos, trocou o calor do Nordeste pela garoa de São Paulo em busca de uma vida melhor e de mais oportunidades, uma história comum em um país tão grande como o Brasil. E foi no modesto Barcelona Capela, clube localizado na zona sul da capital paulista, que encontrou as portas abertas.

Paulo Sérgio Moura, presidente do Barcelona Capela SP Paulo Ségio Moura, presidente do Barcelona Capela, primeiro clube de Diego Costa (Foto: Rodrigo Hoschett / Goal Brasil)

Graças ao seu talento, ao ‘empurrãozinho’ da família e até de um pouco de sorte, Diego Costa foi subindo, degrau por degrau, passou por diversos clubes, mas sempre esteve no lugar certo na hora certa. Paulo Sérgio Moura, presidente do Barcelona Capela, conta que no seu clube também foi assim: Diego chegou em um momento em que eles precisavam de um atacante com as suas características, e, logo na primeira oportunidade, já mostrou que era diferenciado.

“A história do Diego Costa é como a de tantos outros meninos que aparecem pro futebol, apareceu em um dia normal pra fazer apenas um teste conosco, não veio originário de nenhum outro clube. Um tio dele nos procurou, falou com um olheiro que trabalha aqui até hoje, que é o seu Moacir, apelido de Jabá, e pediu pra ele para que pudéssemos dar uma oportunidade pro Diego fazer um teste no clube. E o Diego, predestinado que é, chegou no dia certo e na hora certa", conta Paulo Sérgio em entrevista exclusiva à Goal Brasil.

"Chegou em um dia que precisávamos de um jogador e pra posição que era a que ele estava se qualificando. Nós íamos disputar um torneio em janeiro, e nos preparativos pro torneio, o menino da posição dele se machucou e não pode viajar e ele chegou justamente nesse dia.”

EMBED Archive pic Diego Costa Barcelona Brasil Arquivo

“Foi dito a ele e a o tio se ele podia fazer o teste, mas na viagem conosco. Se o tio autorizasse, porque ele era menor, ele iria na viagem e a gente aproveitaria. Não era um jogo ‘valendo’, então não precisava estar registrado na federação. E ele foi como mais um menino e chegando na viagem já deu pra perceber que ele era muito acima dos meninos que estavam no clube", acrescenta.

"O Diego estava com 15 anos, ia fazer 16. Ele tinha vindo de Sergipe, a família permaneceu em Sergipe, era uma família estruturada e ele veio morar com um tio aqui em São Paulo, e esse tio se encarregou de fazer alguns contatos e já veio direto procurar por clubes. Bateu no clube certo que foi o nosso, ainda bem (risos)”

Diego morava com o tio na Zona Leste de São Paulo, e tinha que atravessar a cidade para treinar no Barcelona, que tem a sua sede no extremo sul da capital. Além da dificuldade de locomoção, o fator financeiro também foi um empecilho no início da carreira do atacante, que cogitou parar de jogar várias vezes, sendo tentado até pela remuneração encontrada em trabalhos na 25 de março.

"Era um percurso longo, porque o nosso CT de treinamentos sempre foi aqui, então nós tínhamos esse problema de locomoção e até hoje nós somos um clube pequeno e a gente não tem muita condição de dar condução pro menino, de ajudar financeiramente."

"A gente ajuda com que o bolso consegue e foi um grande problema pro Diego também, como pra outros, essa adaptação dele no clube, porque ele tinha que vir todos os dias, ir e vir, e isso de certa forma até cansou ele um pouco, porque vinha treinava, meninos, sub-15, o recurso pouco no clube, a alimentação não era das melhores", relembra Paulo Sérgio.

Barcelona Capela SP Foto: Rodrigo Hoschett / Goal Brasil

Mais artigos abaixo

"Então em determinados momentos, ele se via cansado e por conta disso ele tentou até desistir, parar de jogar bola, e isso aconteceu por várias vezes, não foi só uma, umas três vezes no mínimo aconteceu dele querer desistir de jogar bola. Principalmente porque na casa dele os primos trabalhavam, todos ganhavam e trabalhando na 25 de março, eles atingiam salários de dois mil reais, mil e quinhentos, que para aquela época era um dinheiro enorme e aqui, o que o clube podia dar pra ele duzentos, trezentos reais."

"Era um menino de 15 anos, era uma ajuda de custo, só pra ele se manter mesmo, pagar a condução e vir treinar. E ele sofria com a família enchendo o saco, falando muito e ele toda hora falava que ia arrumar emprego e não ia mais ser jogador, ai eu ia lá conversava, explicava, chamei ele pra voltar a jogar bola no mínimo umas três vezes, que eu fui na casa dele e pedi para que ele voltasse a jogar bola."

E foi assim, em meio à dificuldade e à incerteza, que Diego continuaria trilhando sua caminhada rumo ao estrelato. Confira mais episódios sobre a origem do atacante nos próximos dias, aqui, na Goal Brasil.

Fechar