Descartável no Real, dúvida no Bayern: James Rodríguez não alcançou as expectativas

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Getty Images
O meia, que pertence à equipe espanhola, viu suas chances caírem na Alemanha e ainda não se transformou no craque mundial que esperávamos

James Rodríguez apareceu como candidato a craque mundial em 2014. O meia, que saiu cedo do Banfield, da Argentina, fez muito sucesso no Porto e já aparecia com destaque pelo Monaco. Mas a avaliação geral ainda não dava àquele jovem de 22 anos expectativa para ser um dos maiores. Isso mudou na Copa do Mundo realizada no Brasil, quando o camisa 10 fez seis gols em seis jogos – um deles, contra o Uruguai, inesquecível – e ajudou a levar o seu país até as quartas de final. Meses depois, era apresentado pelo Real Madrid.

Os espanhóis pagaram cerca € 80 milhões para contar com uma das sensações do futebol. Com a camisa merengue, James conquistou duas Champions League e uma Liga Espanhola dentre outras taças. Como jogador do Bayern de Munique, acabou de ser bicampeão da Bundesliga. Também viu os Bávaros conquistarem a Copa da Alemanha, no jogo que marcou as despedidas de Arjen Robben e Franck Ribéry do clube. O ‘ver’, neste caso, é literal: James sequer foi relacionado pelo técnico Niko Kovac neste final de campanha e seu futuro é incerto.

Incerteza, esta, que ajuda a explicar o quanto o colombiano não conseguiu se transformar em uma das maiores estrelas do futebol mundial. Foi peça importante de um Real Madrid que fez história? Sim, mas não de forma regular. E ainda que fosse impossível ser protagonista no time que então tinha Cristiano Ronaldo, James ficou abaixo da expectativa ao ser ‘apenas’ um jogador de grande talento. Em um futebol que tem como obrigação a regularidade, não foi, ao menos até aqui, o bastante para elevá-lo à condição de estar entre os dez maiores craques em atividade.

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Por opção do Real Madrid, com quem possui vínculo até 2021, o colombiano foi emprestado ao Bayern de Munique em 2017-18. Um baque na vida pessoal do jogador, adaptado à capital espanhola e que tinha o carinho do torcedor. Na Alemanha, seguiu um roteiro comum em sua carreira: início marcado por gols e assistências antes de ter uma queda de rendimento: “a sensação é que ele tem qualidade, mas não tem constância. Inclusive, poderíamos pensar que, uma vez que demonstra que pode ser titular, se acomoda nas equipes. E, hoje em dia, se não tiver constância e regularidade é muito difícil triunfar”, opina o jornalista Alberto Piñero, da Goal Espanha.

james rodriguez real madrid champions league 2016James teve passagem vitoriosa pelo Madrid, mas acabou sendo emprestado (Foto: Getty Images)

Em sua primeira temporada na Alemanha, sob o comando do técnico Jupp Heynckes, foi titular na equipe campeã da Bundesliga. Anotou oito gols e contribuiu com 14 assistências considerando todas as competições disputadas. E ainda que não tenha sido o grande protagonista do time, conquistou os torcedores e demonstrou boa adaptação. Mas a saída de Heynckes, que se aposentou de vez, e a chegada de Niko Kovac marcou um ponto de inflexão em sua passagem pela Baviera.

Niko Kovac Bayern Munchen 2019Permanência de Kovac pode dificultar a de James Rodríguez no Bayern (Foto: Getty Images)

Com menos oportunidades, o camisa 10 entrou menos em campo e não conseguia decidir em grande parte de seus jogos. Terminou esta campanha 2018-19 com sete tentos, menor número desde a sua temporada de estreia no futebol europeu (2010-11) com o Porto e as assistências diminuíram mais da metade: foram apenas cinco. Titular em 30 dos 39 duelos em que esteve sob o comando de Heynckes, James foi a primeira opção de Kovac em 19 de 28 compromissos em que esteve à disposição. Uma queda que reflete não apenas uma relação tortuosa com o treinador, mas que mostra a necessidade de tempo de jogo para conseguir desempenhar o seu melhor. Mas se quando ele consegue este tempo lhe falta regularidade, a questão é mais profunda do que podemos imaginar.

James Jogos Como titular Gols Assist. Passes-chave
2018-19 28 19 7 5 65
2017-18 39 30 8 14 100
Números no Bayern (Fonte: Opta Sports)

Na imprensa alemã, semanas atrás a permanência de James no Bayern era atrelada à continuidade ou não de Kovac. Em sua primeira temporada no comando dos Bávaros, o treinador teve momentos conturbados até o time se encaixar. Mas, em entrevista recente à Sky, o presidente Uli Hoeness garantiu “100%” a continuidade do comandante. Para manter o seu camisa 10, o Bayern teria que pagar € 42 milhões estipulados como cláusula contratual no acordo feito com o Real Madrid. E apesar de contar com toda a admiração do CEO Karl-Heinz Rummenigge, que não poupa elogios à técnica do canhoto, nada ainda é certo no futuro de James. Ele poderia ser uma das peças centrais nesta reconstrução do elenco bávaro, mas a única certeza que temos hoje é de que o colombiano não conseguiu alcançar às enormes expectativas criadas há cinco anos.

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