Demissão de Lopetegui mostra que Real deve ter trabalho para superar Era CR7

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Do maior time europeu em 2017-18, a um dos maiores fiasco de 2018-19. A trajetória que para muitos seria improvável se tornou realidade no Real Madrid

Campeão da Champions League 2017-18 há exatos cinco meses e três dias, o Real Madrid passa por uma das maiores e mais surpreendentes crises do clube na história, ciclo que se torna um marco com a demissão do treinador Julen Lopetegui. O anúncio conclui uma experiência que deu errada tanto para os merengues como para o treinador, que foi sacado da seleção espanhola às vésperas da Copa do Mundo ao aceitar o emprego no Santiago Bernabeu. Nada deu certo.

Em um início de temporada atípico, os merengues iniciaram 2018-19 sem Zinédine Zidane, tricampeão da Uefa Champions League, e sem Cristiano Ronaldo, maior ídolo na história recente do clube. Duas peças fundamentais na construção da memória afetiva recente do torcedor, que outro dia curtia o 3 a 1 na final contra o Liverpool, em Kiev.

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(Foto: Getty Images)

A sequência de feitos considerada quase improvável por parte dos torcedores merengues se concretizou no último domingo (27), após a equipe ser derrotada por 5 a 1, contra o Barcelona, e sofrer a segunda goleada do clube na temporada. Durante jogo no qual o time demonstrou abatimento em praticamente todo o tempo, até Sergio Ramos, símbolo de liderança e respeito nos bastidores, falhou no quarto gol do Barça, no qual Luiz Suarez fez seu hat-trick.

Com o resultado longe do esperado e uma atuação irreconhecível perto daquele Real Madrid da final em Kiev, os Blancos deixaram os gramados do Camp Nou, em nono lugar na tabela da La Liga, ao lado de Lopetegui que já estaria a imaginar seu futuro na equipe.


ZINÉDINE ZIDANE


Zinedine Zidane Real Madrid
(Foto: Getty Images)

Alguns fatores podem ter influenciado diretamente no momento vivido pelo clube. O pedido de demissão de Zinédine Zidane após a percepção de que um ciclo havia se encerrado foi o ponto de partida desse processo. No ápice da carreira como treinador e apenas três dias após levantar o troféu do tricampeonato da Champions, o ex-meia foi enigmático: “Eu tomei a decisão de não continuar como técnico do Real Madrid. É um momento estranho, mas esse time precisa de uma mudança para continuar vencendo. Precisa de outro discurso, outra metodologia de trabalho. E é por isso que tomei essa decisão”.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Solo siento orgullo de haber sido tu jugador. Míster, gracias por tantísimo.

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Na pressa para contratar um novo comandante, a diretoria recorreu a Antonio Conte. Ainda no Chelsea na ocasião, o italiano teria negado o pedido dos espanhóis devido a cláusulas contratuais com os ingleses. O Real, então, se viu obrigado a apelar para Julen Lopetegui, que vinha de longa invencibilidade no comando da Espanha. 


CRISTIANO RONALDO


Além do pedido para sair de Zidane, a transferência de Cristiano Ronaldo à Juventus também acabou influenciando diretamente no desempenho do time em campo. Sem o principal artilheiro no elenco, os Blancos chegaram a ficar quatro jogos sem marcar, o que resultou em derrotas para o Sevilla, Atlético de Madri, CSKA Moscou e Alavés, respectivamente.

O desfecho de uma história de oito anos pode ter pegado o torcedor de surpresa, mas internamente a parceria entre Real e CR7 já dava sinais de crise. 

GFX_CRISTIANO RONALDO

Na última segunda, em uma entrevista publicada pela France Football, Cristiano disparou contra Pérez: "Sentia que dentro do clube, principalmente por parte do presidente, não me consideravam como no início. Me olhava como uma relação de negócios. O que ele me dizia nunca foi de coração. Nos quatro ou cinco primeiros anos tinha a sensação de ser Cristiano Ronaldo. Em pouco tempo o presidente me olhava e já era diferente, como se eu já não fosse indispensável”.

A recompensa para os milhões de fãs era uma contratação para repor a perda de CR7, ou então um nome de destaque para preencher o vazio deixado por um dos maiores artilheiros da equipe. Mariano Díaz e Vinícius Jr chegaram ao elenco mas, até o momento, ainda não conseguiram agradar os madrilenhos.

Vale ressaltar que a equipe do Santiago Bernabéu depositou confianças em Gareth Bale, uma das contratações mais caras na história do Real. O galês finalmente ganhou a tão esperada chance de garantir uma vaga no time titular após a saída de Cristiano e Zidane, que costumava utilizar poucas vezes o jogador. Ainda assim, Bale não soube aproveitá-la.

Fora dos trilhos e das realidades das últimas temporadas, o Real Madrid busca se recolocar no cenário dos líderes europeus novamente. Com 46.7% de aproveitamento em La Liga, os Blancos somam sete pontos de diferença do primeiro colocado, o Barça. Já na Champions League, a equipe vê a classificação para a próxima fase do torneio ser ameaçada pela Roma e o CSKA. Durante cincos meses, o time viu o enredo de uma história de contos de fada se tornar uma série de terror.

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