Cristiano Ronaldo foi coadjuvante na ‘decisão’ contra a Suíça... e isso é bom para Portugal

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JOSE MANUEL RIBEIRO
O craque do Real Madrid, peça mais importante ao longo das Eliminatórias, teve noite apagada no Estádio da Luz... mas não houve uma grande dependência

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Cristiano Ronaldo é o dono do time na Seleção Portuguesa. Por isso mesmo, os grandes feitos da equipe lusa teriam que passar, sempre, pelos pés do camisa 7.

E se é curioso que a exceção à regra tenha acontecido justamente no maior feito esportivo da história do país [o título da Eurocopa com gol improvável do limitado Éder, enquanto CR7 assistia, lesionado, ao jogo do banco de reservas], a vaga para a Copa do Mundo de 2018 também foi confirmada em um dia nada espetacular do grande craque.

Na última rodada da fase de grupos das Eliminatórias Europeias, os portugueses receberam a Suíça dentro do Estádio da Luz. Uma verdadeira decisão, já que os helvéticos vinham com incríveis 100% de aproveitamento. Mas como tinha saldo melhor, aos donos da casa bastava uma simples vitória para ficar no topo do Grupo B.

A esperança lusa de não ter que passar, mais uma vez, pela repescagem foi pavimentada por uma dose cavalar de poder decisivo de Cristiano Ronaldo. Em nove jogos disputados, o camisa 7 fez 15 gols e contribuiu com outras três assistências. Ou seja: dentre os 32 tentos anotados pelo time de Fernando Santos – 4º melhor ataque das Eliminatórias Europeias – 56,25% tiveram participação direta de CR7.

GFX CR7 Eliminatorias

Sem o atacante nascido na Ilha da Madeira, talvez a porta do Mundial se fecharia para os atuais campeões europeus. Dito isso, não deixa de ser uma curiosidade que os últimos dois momentos de festa para os nossos irmãos de idioma não tenham contado com participação direta do atual melhor do mundo.

Contra a Suíça, Cristiano seguiu demonstrando o seu grande ímpeto ofensivo: foi quem mais arriscou contra o gol defendido por Yann Sommer [3 vezes]. Entretanto, não conseguiu levar perigo efetivo nenhuma vez [os tiros a gol não chegaram na direção: 2 foram bloqueados e outro seguiu para a linha de fundo]. CR7 também não conseguiu criar chances para seus companheiros.

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Mesmo assim, Portugal se mostrou superior aos suíços dentro do Estádio da Luz. Na Catedral, como é chamada a casa do Benfica, teve mais posse de bola e chegou mais vezes ao ataque. O problema é que as oportunidades nem sempre eram agudas - a melhor chance foi um chute de Bernardo Silva, defendido por Sommer.

Prova disso foram os dois gols que garantiram a passagem lusa para a Rússia: o primeiro, que aliviou a missão do time da casa, foi em lance fortuito. Eliseu fez um cruzamento perigoso à área e João Mário corria em direção à bola, mas estava cercado pelos zagueiros suíços. A esfera foi de encontro às redes após a trapalhada de Fabian Schär – que deixou a redonda passar – e Djourou, que se chocou com o goleiro e fez o gol contra.

Joao Mario PortugalJoão Mário comemora (Foto: Getty Images)Andrè Silva Stephan Lichtsteiner Portugal SwitzerlandArremate atrapalhado de André Silva (Foto: Getty Images)

O segundo tento foi mais elaborado, em mais uma excelente chance construída por Bernardo Silva. Mas na hora da conclusão, sozinho de frente para o gol, André Silva quase se atrapalhou antes de estufar as redes e deixar a situação bem mais cômoda para os donos da casa.

PortugalClassificados após 'decisão' (Foto: Getty Images)

É claro que a Seleção Portuguesa fez por merecer a sua vaga, mas não deixa de ser curioso que o triunfo não veio em um dia brilhante de Cristiano Ronaldo. Embora tenha sido, ao longo de toda a campanha, o maior artífice da classificação lusa, ele não decidiu na ‘final’ contra a Suíça. E isso é bom para os comandados de Fernando Santos, que assim como na Euro 2016 conseguiram se resolver sem precisar de sua principal arma.

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