Crise na seleção argentina serve de alerta para o Barcelona: Messi não é extraterreste

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ALEJANDRO PAGNI/AFP/Getty Images
O craque não fugiu de suas responsabilidades ofensivas, e não se escondeu... mas não é sempre que vai decidir se o grupo não ajudar

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Por Tauan Ambrosio 


É tão normal quanto previsível. A situação dramática da Argentina nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 [está em 5º, na vaga de repescagem e pressionado por Chile e Paraguai] respinga sobre Lionel Messi, o grande astro da Albiceleste.

Não poderia ser diferente. Desde que o mundo é mundo, se um time não vai bem a tendência de criticar a grande estrela em campo é automática. Messi não conseguiu balançar as redes, ou dar assistências, nos últimos dois embates vestindo as cores de seu país. Só que isso não quer dizer que o camisa 10 tenha se escondido em campo.

No clássico sem gols com o Uruguai, em Montevidéu, nenhum outro jogador arriscou tantos arremates quanto Messi [4, apenas um na direção da meta] ou criou oportunidades para os seus companheiros de time – foram 3 passes para finalizações, mesmo número de DI María.

Diante da Venezuela, no amargo empate por 1 a 1 da última terça-feira (05), o cenário foi o mesmo: Messi foi quem mais arriscou a gol [5 chutes, apenas um na direção certa] e o jogador que mais encontrou jogadas para servir os argentinos antes do arremate [4 vezes].

Lionel Messi Argentina Venezuela Messi foi o jogador que mais buscou o gol nos últimos 2 jogos (Foto: Getty Images)

Outro dado que mostra como Messi não se escondeu em campo está no número de divididas: 12 contra os uruguaios e 14 diante dos venezuelanos. A grande questão dentro de sua participação na seleção argentina é que, nos últimos dois confrontos, ele não decidiu. Nos acostumou mal, e por isso sempre gera uma grande expectativa quando entra em campo. É vítima do próprio sucesso.

O fato de atuar ligeiramente mais distante do gol adversário também pode ter contribuído para a ausência de seus gols. No Barcelona, ainda que venha demonstrando ao longo das últimas temporadas uma vocação maior para ser o grande articulador criativo do time, um clássico camisa 10, Messi pisa mais vezes dentro da área. E se demonstrou, com os números citados parágrafos acima, que segue criando chances para seus companheiros, a responsabilidade precisa ser um pouco mais dividida.

Argentina Má fase da Argentina 'contamina' os jogadores (Foto: Getty Images)

Afinal de contas, nos últimos dois encontros a Argentina encontrou grande dificuldade para finalizar as jogadas ofensivas. O grupo também tem a sua dose de responsabilidade, e o peso que está se criando no entorno dos jogadores acaba por minar a confiança. E é exatamente este ponto que serve de alerta para o Barcelona da atual temporada. Messi é espetacular, um dos maiores da história... mas futebol não se joga sozinho.

Lionel Messi Alavés Barcelona LaLiga 26082017 O Barcelona 2017-18 é um dos piores dos últimos anos (Foto: Getty Images)

É claro que o camisa 10 vai resolver muitos jogos, não é isso que está em dúvida. Mas se o grupo de jogadores não estiver em um bom momento [como a Argentina], ou simplesmente não for tão bom [quanto este Barcelona parece, em relação a temporadas anteriores], o maior artilheiro da seleção argentina e Barcelona em todos os tempos não vai resolver sempre. São nesses momentos que relembramos, pela sobrecarga, que Lionel Messi ainda é humano.


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Por isso, o seu desempenho nas últimas duas partidas das Eliminatórias são um alerta para o Barça. O selecionado argentino teve mais posse de bola e criou mais chances diante de equipes que focam o seu jogo na parte defensiva, absolutamente. Um cenário muito parecido ao que o conjunto agora comandado por Ernesto Valverde terá na Champions League e, principalmente, no Campeonato Espanhol.

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