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Série C

Como Paysandu e Remo tentam atrair torcedores de baixa renda a seus jogos

17:31 BRT 07/05/2019
Remo 07 05 2019
Os arquirrivais paraenses buscaram formas de se reconectarem com os torcedores mais humildes e conseguiram resultado rápido - e surpreendente

O Brasileirão é o campeonato nacional que mais conta com público nos estádios, isso não chega a ser novidade – no momento, a média de pagantes é de 20.303. Flamengo, Corinthians e Palmeiras são respectivamente os clubes que mais levam torcedores para as partidas. Algo também esperado. O que impressiona é quando notamos dois ‘intrusos’ da Série C em meio aos times que mais contam com o apoio in loco de seus torcedores em 2019: os rivais paraenses Remo e Paysandu.

Campeão paraense, o Remo levou recentemente mais de 27 mil torcedores para a decisão contra o Independente. Na estreia da Série C, campeonato que têm a transmissão exclusiva do DAZN, o Leão Azul estabeleceu o recorde até o momento nesta edição do torneio de acesso: 7.398 pessoas pagaram um ingresso que em média custa R$ 18 para apoiarem a equipe. Pode até parecer pouco, mas ao longo da temporada os azulinos têm média de público pagante superior à de equipes tradicionais da milionária elite do Brasileirão – 11.999, mais do que Fluminense e Botafogo, por exemplo. Um apoio que vem crescendo graças a um trabalho de resgate do torcedor mais humilde para os estádios.

Tanto Remo quanto Paysandu buscaram, nos últimos anos, formas de levar os seus fãs mais desfavorecidos financeiramente para os estádios. Uma diferença grande em relação a um momento no qual a chamada elitização dos torcedores de futebol vira cada vez mais um tema para debate. Em matéria publicada pelo El País, do Brasil, este trabalho dos rivais paraenses para se reconectarem com o povão foi dissecado e mostrou que existem formas para que todos os clubes deixem as portas abertas para todos os seus torcedores e torcedoras.


Alegria do Povo


(Foto: Jorge Luiz/Paysandu/Divulgação)

No final de 2018, o Paysandu fez uma parceria com o curso de serviço social da Universidade da Amazônia (Unama) e anunciou a criação de um projeto intitulado “Alegria do Povo”. Nele, após uma análise socioeconômica, os assistentes selecionaram 250 pessoas consideradas hipossuficientes (sem condições financeiras para se sustentarem) para conceder entradas gratuitas. No sábado (11), quem for mãe não paga para ver o duelo contra o Juventude - por causa do Dia das Mães no domingo (12).

Contando apenas o público pagante, o Paysandu tem média de 9.937 em 2019. É o 17º clube que leva pagantes ao seu estádio. A taxa de ocupação na Curuzu, contudo, impressiona com 50% - mais do que clubes como São Paulo, Internacional, Grêmio, Cruzeiro e vários outros.


Ouro Social


(Foto: Reprodução/RemoTV)

O Remo também não ficou atrás e, mais ou menos na mesma época, adaptou o seu programa de sócio torcedor para aglutinar camadas mais humildes da população paraense. O plano ‘Ouro Social’, por exemplo, é destinado beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família. Em apenas um semestre, as 600 vagas que garantem presença em todas as partidas como mandante, através do pagamento de R$ 30 mensais, foram esgotadas.

O Leão Azul, entretanto, não para por aí e abre espaço para as suas leoas: o público feminino. O Remo vem investindo para transformar o seu estádio mais atrativo para as mulheres, disponibilizando itens de higiene específicos para os banheiros femininos além de catracas exclusivas. Campanhas de conscientização em relação ao assédio também são cada vez mais veiculadas pelo clube. Em menos de seis meses o salto de 800 para 5 mil sócios mostra o tamanho do sucesso.

Gigantes de seu estado, camisas tradicionais do futebol brasileiro que voltam a disputar a mesma divisão após 13 anos, Remo e Paysandu apostam na força de sua torcida para os ajudarem na caminhada rumo ao acesso. Se irão conseguir, ainda é uma incógnita, mas a certeza é de que não faltará espetáculo nas arquibancadas paraenses. Uma festa como deve ser: de todos e para todos.