Como a Copa de 1994 e a Arábia Saudita levaram o novo técnico do Real aos EUA

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Substituto de Julen Lopetegui no comando do Real Madrid, o argentino viveu parte da adolescência em uma universidade de New Jesey

Quando Santiago Solari foi anunciado como técnico interino do Real Madrid na última segunda, não foi difícil lembrar de seus tempos como jogador. Revelado pelo River Plate, ele foi um coadjuvante de luxo da primeira era “galáctica” do clube merengue e viveu bons momentos na Inter de Milão. A parte menos conhecida dessa trajetória é a jornada dele de Rosário, sua cidade natal, até os EUA, antes de virar profissional. 

Antes de viver seus melhores momentos como jogador de futebol, ele era só um menino magrelo, de 17 anos de idade, defendendo uma pequena universidade na terceira divisão do futebol nos EUA, a 30 minutos de Atlantic City, em Nova Jersey. Quem viu Solari naqueles tempos fala de um jogador talentoso e inteligente, técnico e capaz de ler o jogo de um jeito diferente de seus oponentes, o que normalmente fazia com ele apanhasse mais que a média dos atletas. 

“Obviamente ele estava em um nível diferente. Era como se ele estivesse jogando xadrez e o resto estivesse em uma partida de damas”, disse Tim Lenahan, técnico de Solari no Richard Stockton College, com exclusividade à Goal.  Santiago Solari Tim Lenahan Scarf

Mas como ele foi parar nos Estados Unidos?

A história toda passa pela família de Solari e a Copa do Mundo de 1994, que aconteceu justamente em solo norte-americano. Naquele verão, a Arábia Saudita foi até o país preparar-se para a competição e decidiu ficar no campus da modesta Stockton University. O time asiático na época era dirigido por Jorge “El Indio” Solari, que tinha como assistente seu irmão, Eduardo, pai de Santiago Solari. 

Lenahan, na época, era treinador de futebol em meio-período, mas aproveitou a passagem da Arábia Saudita pelo lugar, tirou uma licença e foi ajudar os visitantes como profissional de tecnologia da informação. 

Durante as cinco semanas de treinamento, Lenahan e Eduardo se aproximaram e viraram amigos. Da convivência partiu o convite para que o jovem Santiago passasse um semestre estudando na universidade local, para conhecer uma nova cultura, aprimorar seu inglês e desenvolver outras habilidades antes de se lançar de vez em busca de uma carreira profissional. Os Solaris gostaram da ideia e decidiram tentar. 

“Não foi uma experiência de futebol”, disse Santiago Solari à revista Soccer America em 2001. “Foi uma experiência sobre a vida, conhecer pessoas, uma cultura diferente e outros jeitos de se pensar. Abriu minha cabeça”, disse ele sobre a passagem pela universidade americana. 

A experiência permitiu, por exemplo, que Santiago Solari fosse comentarista de futebol em língua inglesa. “Eu adorei a ideia de estudar nos Estados Unidos e aprender inglês. Vivi um período muito bom. Tive de voltar porque tinha uma oportunidade de jogar pelo time reserva do River Plate, mas a experiência foi muito boa para mim”, disse ele. 

“Só o fato de tomar essa decisão, de vir para melhorar seu inglês, crescer e ser independente pela primeira vez na vida, só de tomar essa decisão ele já fica anos-luz à frente das outras crianças. Eu acho que isso o ajudou a mudar, depois, de Rosário para Buenos Aires, depois para Madri e depois para Milão. Acho que ele aprendeu a lidar melhor com essas transições”, disse Lenahan à Goal. 

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E já naquela época era possível prever o que Solari tinha pela frente como jogador. Ou melhor, não tudo. “Eu achava que ele ia voltar para a Argentina e virar um profissional. Mas eu achava que ele iria levantar a Champions League? Não, eu não sabia disso”, disse Lenahan, referindo-se à conquista do Real Madrid em 2002, com Solari como coadjuvante de Zidane, Figo e Roberto Carlos. 

Lenahan é, até hoje, treinador da Stockton University, e ainda mantém contato com o antigo pupilo. Ele viaja a Madri todo ano e até estabeleceu uma conexão profissional com o Real Madrid, trocando jogadores e experiências entre o gigante espanhol e a modesta universidade. O americano, é claro, confia que o velho amigo vá se sair bem na nova função. 

“É um pouco diferente de Zidane porque Zidane tinha um time já pronto que não estava funcionando bem. Este time está abaixo do que pode, mas não acho que está no mesmo nível daquele. Eu acho que ele vai tratar os jogadores com respeito e que eles vão jogar por ele. Mesmo que for apenas uma experiência por algumas semanas ou meses, vai ser uma experiência inesquecível para a carreira dele”, disse Lenahan. 

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