Clubes x Jogadores: relação que nem sempre é tratada com profissionalismo

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Ricardo Saibun/Santos FC
Ligação entre atletas e instituições ainda são um problema para a era moderna do futebol brasileiro

Recentemente os casos do lateral Zeca, no Santos e do meia Gustavo Scarpa, do Fluminense, ganharam as páginas dos principais notíciarios esportivos, a situação não é nada nova no futebol e acontece com certa frequência. Clubes, com pendências financeiras acabam vendo seus atletas entrando na justiça pelo direito de se desvicular de graça e seguir o rumo de sua carreira em outro lugar.

Desta forma, as instituições, que investiram e detinham os direitos federativos dos jogadores acabam ficando sem absolutamente nada. Preço que se paga por não cumprir com as suas obrigações. Apesar de vez ou outra um caso desses aparecer, em sua maioria, os atletas preferem esperar o pagamento do clube ou negociam a sua saída de forma amigável. 

Aí começa a discussão que é tema constante na era moderna do futebol, o profissionalismo x a paixão, o respeito a camisa. Ao mesmo tempo que torcedores pregam a necessidade de um futebol cada vez mais organizado e profissional, levantam a bandeira do amor à instituição, do romantismo vivido nas primeiras décadas do esporte.

Gustavo Scarpa Fluminense Coritiba Brasileirao Serie A 09112017
(Foto: Nelson Perez / Fluminense / Divulgação)

Aos 24 anos, Scarpa foi revelado no Fluminense, foi no clube das Laranjeiras que nasceu para o futebol brasileiro. Lá viveu grandes momentos e chegou à Seleção Brasileira, mas diante da crise financeira, o Tricolor se viu na necessidade de abrir mão de alguns atletas e da luta por títulos.

Na última temporada, o meia passou por momentos complicados e foi até vaiado pela torcida. Insatisfeito, virou alvo de vários clubes, entre eles o Palmeiras, que fez o possível para contrata-lo mas contou com a resistência do Fluminense. Outros clubes surgiram mas a multa no valor de 10 milhões de euros complica o negócio. 

Orientado por seus agentes, o meia entrou na justiça em busca de seus direitos e principalmente ter o "passe livre" no mercado. No entanto, o Fluminense agiu rapido e quitou o que devia com o atleta. Mas a discussão não vai por aí. 

Gustavo Scarpa Fluminense Univ Catolica Quito Copa Sudamericana 29062017
(Foto: Nelson Perez / Fluminense / Divulgação)

O clube se posicionou diante da imprensa como decepcionado pela atitude do jogador que além de ter entrado na justiça não se apresentou com o restante do grupo para dar início a temporada 2018. Desta forma, parte da torcida se voltou contra o atleta o chamando de ingrato. Agora, ainda que seja obrigado a seguir seu vínculo com o Fluminense, a permanência do atleta fica bem difícil.

O caso de Zeca, no Santos, é ainda pior, o jogador entrou na justiça contra o clube em 2017 e se afastou dos treinamentos e jogos, de quebra, ainda deixou um carta explicando seus motivos onde mecionava perseguição da torcida. Ele chegou a ganhar do Santos, que recorreu, e transformou a sua possível contratação num risco para qualquer outro clube. 

Zeca Keno Santos Palmeiras Paulista 19032017
(Foto: Cesar Grecco / Palmeiras / Divulgação)

O Flamengo, que tem interesse no jogador, preferiu não fechar o acordo, pois se no final de todo o processo a justiça entender que o Santos está com a razão, o Rubro-Negro será obrigado a pagar um alto valor ao Peixe. Diante disso, a diretoria tenta se entender com o Alvinegro, que aceita pechinca. 

Em todo o caso, o mais prejudicado acaba sendo o atleta, que além de perder o respeito de um clube e uma torcida, fica mal visto no mercado. Se fez com o clube X, pode fazer com o clube Y também. A melhor saída é buscar um entendimento antes de pensar em ação na justiça. Por outro lado, sabemos que nem sempre é possível chegar num consenso. 

De certa forma, analisar a situação financeira, se paga em dia ou não, é o principal ponto que um atleta deve levar em consideração hoje para acertar com um clube e tanto as instituições, se readequar ao cenário financeiro é a melhor saída para evitar esse tipo de problemas e evitar ainda mais prejuízos. No final das contas, o futebol brasileiro ainda precisa de uma verdadeira imersão no mundo profissional. 

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