Chuva, incêndio e Maracanã fechado: as piores duas semanas do futebol carioca

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Fevereiro deixou exposto, de maneira visceral, diferentes problemas estruturais e de tomada de decisão no que deveria ser a Cidade Maravilhosa

Dizem que aprender com os erros é uma das ferramentas para evitar as suas repetições futuramente. E em meio a tantos lamentos, as últimas duas semanas do Rio de Janeiro jamais serão esquecidas.

Chuva torrencial iniciada em noite de jogo e que terminou em inundações e mortes, provando a falta de estrutura de toda uma cidade; incêndio no CT Ninho do Urubu, que terminou na morte de dez crianças sonhadoras; trapalhada de dirigentes e um cenário de guerra no entorno de um Maracanã que deveria estar tomado por um clima pacífico. Todas elas, experiências que mostram o quanto é preciso melhorar.


CHUVA, CAOS E MORTE NO RIO


Botafogo Defensa y Justicia Sul-Americana 19 02 2019 (Foto: Getty Images)

O Botafogo tinha expectativa de grande público para a estreia na Copa Sul-Americana, contra o Defensa y Justicia. No entanto, uma chuva torrencial impossibilitou uma presença maior no estádio Nilton Santos. O gramado do Engenhão só não brilhou sozinho naquela noite de quarta-feira (06), ao drenar com extrema eficiência as toneladas de água que caíam do céu, porque Erik fez uma pintura no último minuto para dar a vitória ao Glorioso. Mas houve pouco tempo para comemorações.

Porque a chuva não causou somente várias inundações pelo Rio de Janeiro, como terminou em acidentes e mortes. Foram sete, em diferentes regiões da cidade. Os pronunciamentos do prefeito Marcelo Crivella foram confusos. Em entrevista concedida ao Bom Dia Rio, da TV Globo, o político afirmou que 600 homens estavam nas ruas para controlar os danos ocorridos pela chuva. Horas depois, em outra entrevista, Crivella comunicou que eram 300 e uma nota da Prefeitura informou depois que o número era de 2 mil. Pouca informação, pouca estrutura e muitos estragos.


A MAIOR TRAGÉDIA DO FUTEBOL CARIOCA


Flamengo garotos do Ninho enterro 19 02 2019 (Foto: Getty Images)

Dois dias depois, na madrugada de uma sexta-feira (08), um incêndio no CT Ninho do Urubu culminou nas mortes de dez crianças que buscavam o sonho de uma vida melhor através da bola. A maior tragédia do futebol carioca em todos os tempos e manchete que rodou o mundo. Em meio às primeiras investigações, foi revelado que o Flamengo não tinha documentação necessária para os contêineres do CT, o que não é exclusividade para o Rubro-Negro - o que ficou provado com um incêndio dias depois nas instalações do Bangu. Em todo o Brasil, clubes tiveram suas instalações interditadas após a tragédia e poucas respostas foram apresentadas até o momento.


E O TORCEDOR?


Seis dias após as chuvas que expuseram as vísceras da falta de estrutura de uma das principais capitais do Brasil, a Prefeitura deu o alerta: recomendou que o jogo entre Vasco da Gama e Resende, pela semifinal da Taça Guanabara, não acontecesse pelo risco de um novo temporal. A FERJ (federação carioca) buscou remarcar o duelo e recebeu uma negativa da Polícia Militar, em virtude da partida entre Flamengo e Fluminense no dia seguinte.

Solução encontrada? Manter o jogo para aquela quarta-feira (13) marcada por algumas missas de Sétimo Dia, suspendendo a venda de ingressos e recomendando que os torcedores com bilhetes não comparecessem à partida. Dentro de campo, o Vasco emocionou o país ao homenagear as vítimas do CT do Flamengo – colocando a bandeira do arquirrival no próprio uniforme – e venceu o duelo em um estádio esvaziado.


MARACANÃ VIVE CENAS DE GUERRA


A comoção e união entre os clubes emocionaram em dias difíceis, nas primeiras horas após a tragédia que acometeu o Flamengo, mas não tardou muito para o abraço se transformar em disputa.

No último domingo (17), Vasco e Fluminense jogaram 45 minutos da final da Taça Guanabara, primeiro grande evento no calendário do futebol carioca, sem nenhuma torcida. Motivo? Os clubes não chegaram a um acordo para decidir qual deles ficaria no setor sul do Maracanã. Após bombas lançadas pela polícia e torcedores feridos, foi permitida a entrada de quem tinha bilhete. Uma das maiores vergonhas esportivas em muito tempo.

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