Casemiro: Da infância goleadora e pé quente contra Neymar a queridinho de Zidane no Real Madrid

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Meio-campista foi eleito o 26º melhor jogador do mundo e 2017 pela Goal 50

GOAL Por Fernando H. Ahuvia  e Rodrigo Hoschett

Casemiro vive atualmente o melhor momento da sua carreira. No Real Madrid, é o queridinho de Zidane e um dos pilares do sucesso da equipe que é a atual campeã das duas últimas Champions League. Na Seleção Brasileira, o meia também é peça vital no time de Tite. Para chegar onde está hoje e ganhar de alguns torcedores e companheiros de clube o carinhoso apelido de “Casemito”, porém, o brasileiro precisou superar alguns obstáculos desde muito jovem. E, para isso, contou com a ajuda de Nilton Jesus Moreira, seu primeiro treinador.

Goleiro profissional entre 1977 e 1997, com passagens pelo Fluminense e diversos clubes do interior de São Paulo, Moreira, como é conhecido, é na verdade mais que o primeiro técnico na vida de Casemiro. É considerado pelo próprio jogador como um pai por ter ajudado não só na sua formação, mas na educação também depois que viu o seu patriarca deixar a casa após uma crise conjugal quando tinha cinco anos.

Felizmente para a sua família e para todo fã do futebol, pouco tempo depois do ocorrido, Casemiro foi parar na escolinha do ex-goleiro em São José dos Campos, interior de São Paulo: “Eu tinha um time feminino que participava de todas as competições e a prima dele era a goleira. Ela falou pra mim: ‘Tenho um primo que joga bem, posso trazer ele na escolinha? Só que ele não tem condição financeira de se matricular’. Eu disse: ‘primeiro traz pra gente ver direitinho’”, contou Moreira em entrevista à Goal Brasil.

Casemiro - Moreira Sports - 12/11/2017
(Foto: Arquivo pessoal / Moreira Sports)

Bastaram dois treinamentos para que o talento especial do menino fosse percebido e ele fosse inscrito para os campeonatos da sua categoria. Em pouco tempo, porém, Casemiro já começou a atuar não só com garotos da sua idade, mas mais velhos também e em todas as posições, principalmente atacante.

Cleverson Moreira, filho de Nilton Moreira e treinador da Moreira’s Sport, lembra bem dos tempos de artilheiro de Casemiro, principalmente nos jogos em que enfrentaram do outro lado Neymar, atualmente no Paris Saint-Germain.

“A gente tinha um time muito bom no Sub-10. No primeiro ano, enfrentamos o Neymar, que na época era da Portuguesa Santista. Ganhamos de 4 a 1. O gol deles foi do Neymar e o Casemiro fez três, sendo dois de bola parada e um de cabeça. Depois de um ano e meio, cruzamos com ele no Santos de novo nas quartas de final do campeonato e tiramos o Neymar de novo com o gol do Casemiro em uma bola parada”.

Casemiro - Moreira Sports - 12/11/2017
(Foto: Arquivo pessoal / Moreira Sports)

Aos 14 anos, Casemiro foi morar no alojamento do São Paulo. Alguns anos depois, se profissionalizou e virou titular do Tricolor. No entanto, problemas extracampo fizeram com que o volante fosse emprestado ao Real Madrid Castilla, o time B de um dos maiores clubes do mundo, sem lamentações da torcida.

Na Europa, porém, a evolução de Casemiro foi impressionante e aos poucos o jogador foi conquistando seu espaço. Ganhou suas primeiras chances na equipe principal, foi campeão da Champions pela primeira vez, no ano seguinte foi emprestado ao Porto para ganhar mais minutos em campo e no seu retorno ao Real Madrid alcançou sua importância na equipe, principalmente sob o comando de Zidane.

Mesmo passados tantos anos, a relação de Casemiro com Nilton Moreira segue sendo próxima. “Tenho uma amizade muito boa com ele e a sua família. Quando ele vem pra São José dos Campos, um frequenta a casa do outro. Durante o ano conversamos por telefone. Também já tive a oportunidade de ir lá (em Madrid) visitar ele. É um sentimento muito bacana que um tem pelo outro. Ele sempre reconheceu o nosso esforço para que ele conseguisse essa carreira maravilhosa e isso é muito gratificante”.

Quando visita sua cidade natal, Casemiro também faz questão de encontrar outro amigo mais recente. Trata-se de Ocimar Castilho, que corta o seu cabelo há seis anos. “É um sonho realizado. Sou são-paulino, sempre fui fã do futebol dele, então é um orgulho poder cortar o cabelo dele”. 

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