Brasil volta a 2013 e, de novo, recebe o mundo do futebol em meio a crise política

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YURI CORTEZ/AFP/Getty Images
Cinco anos depois das Jornadas de Junho, Brasil abre a Copa América 2019 com greve geral no país.

Espécie de teste para a Copa do Mundo que viria no ano seguinte, a Copa das Confederações de 2013 era o pontapé inicial da celebração de um “Novo Brasil”, capaz de receber o mundo em sua casa e mostrar que podia ser potência. Cinco anos depois, a Copa América de 2019 encerra, de maneira um tanto melancólica, esse ciclo de grandes eventos como país-sede. E como se o tempo tivesse parado no período, os visitantes vão encontrar de novo a sala bagunçada e a cozinha suja. 

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Há cinco anos, a Copa das Confederações foi parte fundamental das Jornadas de Junho que, de alguma maneira, mudaram o país. Quando as pessoas decidiram tomar as ruas, um dos gritos de guerra mais fortes era justamente contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. Os jogos do evento-teste, especialmente os do Brasil, se tornaram palco de protestos enormes e, em alguns casos, cenas de selvageria. Desnecessário dizer que não foi a impressão que o país esperava passar. 

Nesta sexta, a Copa América começa com apenas dois chefes de Estados confirmados, como informa o Globoesporte.com, e temor dos organizadores de que boa parte dos estádios fiquem vazios. Para completar, a bola começa a rolar justamente no dia em que está marcada uma greve geral no país. 

O protesto, organizado há semanas, pretende paralisar diversas áreas para protestar, entre outras coisas, contra a reforma da Previdência e os cortes orçamentários na educação. Na semana em que os vazamentos de conversas privadas, feitos pelo site Intercept, colocam o ministro da Justiça, Sergio Moro, em maus lençóis, não é difícil imaginar que a Copa América pode começar com algum grau de caos. 

Não chega a ser por acaso. De 2013 para cá, o país passou por uma devassa sem precedentes tanta na política como no futebol. Basta lembrar que os protagonistas da foto abaixo estão todos fora dos postos de comando que já ocuparam, para dizer o mínimo

Dilma Rousseff, Joseph Blatter e José Maria Marin na abertura da Copa das Confederações de 2013(Foto: Scott Heavey/Getty Images)

Resta saber que impacto que isso vai ter na seleção. Desde que assumiu, em 2016, Tite repetidas vezes foi questionado sobre política. Reviu sua posição sobre Marco Polo del Nero, com quem chegou a se abraçar em um momento protocolar, declinou a hipótese de visitar Michel Temer antes e depois da Copa da Rússia e voltou a ser questionado sobre o assunto quando o presidente da vez mudou. Na última quinta, um dia antes da estreia, ele fez questão de tratar do tema, mesmo sem ter sido questionado diretamente sobre o assunto. 

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“Tem de ter a conotação e a grandeza de que o futebol é uma parte da sociedade, mas não é solução para problemas sociais, cada um com sua devida importância. Os aprendizados passam mais ou menos por aí”, disse Tite, tentando blindar seu time de qualquer polêmica.

A abertura da Copa, entre Brasil e Bolívia, será nesta sexta, às 21h30, no estádio do Morumbi. Você pode acompanhar a partida em tempo real na Goal.com. 

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