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Beckham, Ronaldinho e o erro do Real que mudou a história do Barcelona

18:47 BRT 25/02/2019
GFX Ronaldinho Beckham Barceona Real Madrid
O Barça prometeu o inglês e não conseguiu; os merengues deixariam o brasileiro na espera e tinham dúvidas movidas pela estética do gaúcho

Em abril de 2003 Manchester United e Real Madrid fizeram um jogo histórico dentro de Old Trafford. Antes de a bola ser rolada, David Beckham era apenas sorrisos com alguns dos nomes mais famosos do time adversário. O inglês faria os últimos dois gols na vitória por 4 a 3, que de nada adiantou para fazer os Red Devils avançarem naquela noite em que o estádio ovacionou Ronaldo, o Fenômeno, autor de um hat-trick que levou os merengues até a semifinal da Champions League.

Meses depois, em meio à sua campanha eleitoral, Joan Laporta prometeu: Beckham vestiria a camisa do Barça. Durante reunião, o seu vice, Sandro Rosell, conduziu uma apresentação em PowerPoint mostrando que o meia do United seria ideal não apenas dentro de campo, mas também na questão envolvendo marketing e suas adjacências. Após brigas com o técnico Alex Ferguson, David estava decidido a deixar o clube que o revelou. E decidido, também, que vestiria o chamado ‘uniforme branco imaculado’.

Nada de Barcelona.

Seguindo a tradição iniciada a partir da contratação de Luis Figo, em 2000, o Real Madrid apresentou a sua estrela Galáctica para aquela temporada 2003-04. Era um craque por ano. Depois das chegadas de Zidane (2001) e Ronaldo (2002), o nome de Beckham atraiu holofotes e um glamour ainda maior para aquele esquadrão madridista. Nos corredores do Bernabéu, dirigentes já pensavam na contratação estelar para 2004-05: Ronaldinho Gaúcho . O então meia do Paris Saint-Germain, campeão do mundo em 2002 pelo Brasil, teria que esperar 12 meses. Além disso, de acordo com relato presente no livro “Fear and Loathing in La Liga”, a chegada do brasileiro gerava certa resistência por causa de sua aparência física – aquele jeito moleque, caricato por causa do cabelo e arcada dentária, que contrastava com o ar cinematográfico dos Galácticos. Que erro!

Nada de Real Madrid.

Sem Beckham, a direção barcelonista foi rápida no gatilho. Especialmente pelo fato de que o brasileiro estava a detalhes do Manchester United, justamente para a lacuna deixada pelo inglês.O clube catalão pagou inicialmente os cerca de 25 milhões de euros pedidos pelo PSG e, ainda que talvez nem soubesse, mudaria o eixo na história do ‘El Clásico’ com o seu arquirrival. Eleito, Laporta contratou o holandês Frank Rijkaard para comandar o time, na tentativa de resgatar um pouco da ligação catalã com o tipo de futebol apresentado décadas antes por Johan Cruyff. E, tendo em Ronaldinho Gaúcho o grande protagonista, foi exatamente o que acabou acontecendo. O primeiro ano não terminou com títulos, mas os catalães finalizaram a Liga Espanhola na frente do Real Madrid.

(Arte: Goal Brasil)

A vitória do Barcelona no primeiro clássico da temporada 2004-05, quando Ronaldinho recebeu os reforços de Eto’o e Deco, deu a impressão de que do outro lado a era dos Galácticos havia chegado ao fim. A manchete do jornal Marca no dia seguinte não poderia ter acertado mais em sua previsão: “O início do fim”, descreveu. A vitória madridista por 4 a 2 no final daquela campanha nem chegou a ser tão importante, uma vez que após cinco anos os catalães voltavam a levantar a Liga Espanhola. O golpe final sobre o Real Galáctico (onde Beckham teve sucesso, mas no qual a equipe sentia muito a saída de Makelelé no meio-campo), entretanto, estava marcado para o confronto da temporada seguinte.

Novembro, 19. Samuel Eto’o abriu o placar para o Barça dentro do Santiago Bernabéu. No início do segundo tempo, Ronaldinho pega a bola e dispara pela ponta esquerda. Sergio Ramos e Iván Helguera ficaram para trás antes de o camisa 10 estufar as redes de Casillas, deixando o placar em 2 a 0. O momento histórico chegou pouco menos de 20 minutos depois, quando R10 repetiu a mesma jogada e o Bernabéu rendeu-se ao craque de seu maior rival.

Aplausos e reverência.

Naquele momento, a balança de poder mudava da capital espanhola para a Catalunha. E tudo protagonizado pelo craque de aparência um pouco desengonçada, mas com o futebol dos mais bonitos que o mundo já viu.

Nesta quarta-feira (27), Real Madrid e Barcelona se enfrentam no Santiago Bernabéu em jogo de volta das semifinais da Copa do Rei. Na ida, empate por 1 a 1. Sábado (02) o estádio madridista recebe mais um duelo, desta vez pela Liga Espanhola. Você poderá acompanhar, em tempo real, todas as emoções aqui na Goal Brasil . Se acertar o resultado é difícil, a certeza é de que a torcida da capital espanhola jamais voltará a aplaudir um rival barcelonista.

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