Arsenal x Manchester United: não vale título, mas ainda é imperdível

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Clive Brunskill
As equipes que protagonizaram a maior rivalidade na história da Premier League, encontram-se neste domingo (09) na briga por uma realidade diferente

Header Tauan Ambrosio

O maior clássico da Inglaterra é disputado entre Manchester United e Liverpool. Arsenal e Tottenham protagonizam o maior de Londres.

Entretanto, quando analisamos a história moderna da Premier League, iniciada na temporada 1992-93, nenhum embate foi mais intenso do que entre United e Arsenal. Neste domingo (10), Gunners e Red Devils se enfrentam em duelo válido pela 30ª rodada. E tem muita coisa em jogo.

O título, entretanto, não é uma delas. A batalha pela taça está relegada nesta temporada a Manchester City, líder, e Liverpool. Bem diferente do período de dez temporadas a partir de 1996, que marca a chegada de Arséne Wenger ao comando do Arsenal, até 2006, quando o trabalho do francês começaria a minguar no Norte de Londres.

Até lá, o United conquistou cinco títulos. E se inicialmente havia uma equipe que, após as tentativas de Blackburn e Newcastle, conseguiu fazer frente ao esquadrão treinado pelo escocês Sir Alex Ferguson, foi justamente o Arsenal de Wenger – um time que revolucionou a maneira de jogar futebol na Terra da Rainha, encantando multidões e tirando o selo de “time chato” que os Gunners tinham antes de Arséne.

Dentro deste corte de dez anos, na metade deles United ou Arsenal terminaram a campanha como primeiro ou segundo colocado. Os Red Devils levantaram mais troféus, enquanto os Gunners (campeões três vezes) encantaram mais através do futebol – especialmente na temporada 2003/04, quando ficaram com a taça de forma invicta, algo inédito até então e até aqui.

2018-01-01 Ferguson WengerFerguson e Wenger (Foto: Getty Images)

Dentre as inúmeras brigas e provocações que cercaram o embate durante o seu período mais quente, o mais famoso deles aconteceu em 2004, quando o United venceu o Arsenal por 2 a 0, colocando um fim a 49 partidas de invencibilidade dos londrinos. Nos túneis de Old Trafford, jogadores e comissões técnicas entraram em forte atrito e até uma pizza foi atirada sobre Ferguson. Anos depois, o espanhol Cesc Fábregas, à época ainda um jovem no Arsenal, confessou ter sido o atirador da massa.

Manchester United Arsenal 2004Em 2004, o clássico terminou até com pizzas voando nos túneis de Old Trafford (Foto: Getty Images)

Com o passar dos anos, especialmente após 2005, a intensidade da rivalidade diminuiu. Várias são as razões – inclusive a chegada de José Mourinho ao Chelsea, para colocar um novo fogo na Premier League. A disputa Ferguson/Wenger chegou ao fim em 2013, quando o escocês anunciou a sua aposentadoria. Já o francês deixou o comando dos Gunners em 2018, quando pela segunda vez consecutiva fazia o que parecia ser inimaginável desde sua chegada: não deixar o time nas quatro primeiras posições, ficando, consequentemente, fora da Champions League.

E a briga para garantir vaga na próxima edição da Champions League é justamente o grande atrativo do clássico deste domingo (10). Vivendo fase espetacular desde que Solskjaer foi apontado como interino para o lugar de José Mourinho, o United ocupa a quarta posição com apenas um ponto de vantagem para o Arsenal, que vem logo atrás.

Estar fora da disputa pela taça mostra que não há legado que perdure para sempre em resultados na Premier League, mas há de se respeitar a história de ambas as camisas. Se Wenger (828 jogos) e Ferguson (810) são até hoje os treinadores que mais partidas somam no certame, o período de competição levado ao máximo ajudou United e Arsenal a serem os clubes com mais vitórias (646 do United, 561 do Arsenal) e gols marcados desde o início da Premier League (1982 dos Red Devils, 1833 dos Gunners).

Acima de tudo: segue a ser um duelo imperdível.

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