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Apesar dos erros de Mano Menezes e do excesso de emoção, o Cruzeiro mereceu a classificação

08:45 BRT 24/08/2017
Rafael Sobis Cruzeiro Gremio Copa do Brasil 23082017
Raposa foi melhor durante os 90 minutos da partida de volta em Belo Horizonte e poderia ter conseguido a vaga sem os pênaltis

A classificação do Cruzeiro para a final da Copa do Brasil teve um roteiro épico, sendo definida apenas nos pênaltis, com Fábio pegando a cobrança de Luan e Thiago Neves convertendo a penalidade decisiva para colocar a Raposa na decisão do mata-mata nacional contra o Flamengo.

No recorde de público do Mineirão no ano, com mais de 55 mil torcedores celestes fazendo uma linda festa, o Cruzeiro viu seu treinador cometer alguns erros e sofreu muito, mas conseguiu a vaga na final com todo o merecimento.

Após ser dominado no primeiro tempo na Arena do Grêmio e fazer uma segunda etapa de igual para igual, o Cruzeiro foi melhor nos 90 minutos no Mineirão.

Empurrado pela torcida, que fez uma bonita festa pintando o estádio de azul, gritando o tempo todo e fazendo o Gigante da Pampulha até mesmo balançar em alguns momentos, o Cruzeiro teve uma posse de bola ligeiramente inferior ao Grêmio, mas foi muito mais perigoso, e isso mesmo com os erros de Mano Menezes.

Sem poder utilizar Sassá na Copa do Brasil, atacante que tem feito ótimas partidas e é a referência ofensiva da equipe no Brasileirão, onde marcou seis dos últimos dez gols do time, Mano Menezes tinha duas escolhas mais lógicas: Raniel ou Sóbis.

O garoto, que entrou nas últimas partidas e marcou contra o Sport, no último fim de semana, era o preferido da torcida, enquanto Sóbis, em má fase, sem balançar as redes há 13 jogos - contando o da última noite -, desde o dia 25 de junho, contra o Coritiba, pelo Brasileirão, e tendo atuações ruins, era o menos cotado.

Mano, porém, surpreendeu, e optou por escalar Elber aberto pelo lado direito, com Alisson pela esquerda, Robinho na armação e Thiago Neves como falso 9. A ideia do treinador era dar mais liberdade para o camisa 30 poder decidir e se movimentar, e ter dois jogadores agudos pelos flancos. No entanto, ela não deu certo. O meia não conseguiu mostrar seu melhor futebol na função, enquanto Elber teve péssima atuação no primeiro tempo. Mano Menezes cometeu dois grandes erros na primeira etapa.

(Fotos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Apesar disso, o Cruzeiro foi melhor. Não que tenha sido muito superior, mas chegou com mais perigo ao ataque e ditou o ritmo da partida, enquanto o Grêmio até tinha espaços no campo ofensivo, mas enfrentava muitas dificuldades para criar chances e penetrar na defesa celeste.

Diante disso, no intervalo, Mano Menezes corrigiu seu erro e colocou Raniel na vaga de Elber. O treinador armou duas linhas de quatro, colocou o garoto como referência no ataque e Thiago Neves com muita liberdade um pouco atrás do atacante. O efeito foi imediato.

Muito melhor ofensivamente e mantendo a organização defensiva, a Raposa abriu o placar logo no início da segunda etapa, aos sete minutos, com Hudson, de cabeça, após cobrança de escanteio de Thiago Neves. Após o 1 a 0, o Cruzeiro seguiu melhor. Perigoso principalmente em tabelas rápidas pelo centro envolvendo Neves e Robinho, e jogadas pela esquerda em combinações de Alisson e Diogo Barbosa. O time estrelado foi enfileirando chances e escanteios, e parecia ser questão de tempo para ampliar o marcador.

Confira os números do jogo:

O Grêmio, por sua vez, conhecido pelo ataque poderoso, veloz e envolvente, enfrentava sérios problemas. A equipe tinha a bola em muitos momentos, mas não conseguia produzir nada e tinha muitas dificuldades para penetrar na zaga rival e criar chances. Não à toa, foram somente três finalizações durante os 90 minutos, sendo apenas uma certa. Fábio teve pouco trabalho durante a partida.

A equipe de Mano Menezes foi superior e fez por merecer a classificação durante o tempo normal, mas ela não veio. Queria o destino que a vaga fosse conquistada de forma épica e sofrida. Nos pênaltis.

Após Fernandinho e Sóbis abrirem a contagem, Edílson acertou a trave. A torcida celeste já celebrava, mas Grohe defendeu a cobrança de Robinho. Na sequência, Everton perdeu a chance de dar a vantagem ao Grêmio, acertando o travessão, mas Murilo também viu o goleiro gremista brilhar e evitar seu gol. Depois, Arthur e Raniel bateram com categoria. Era hora das últimas penalidades regulamentares.

As duas principais estrelas de cada equipe iriam bater. Luan, para muitos o melhor jogador em atividade no futebol brasileiro, na mira do Borussia Dortmund para substituir Dembélé, parou em Fábio. Já o experiente Thiago Neves selou a classificação celeste. Mesmo pegando dois pênaltis, Grohe não foi herói.

O Cruzeiro se vinga, eliminando o Grêmio na semifinal após ter sido despachado pelo Tricolor no mesmo estágio da competição no ano passado, e recupera a freguesia, eliminando os gaúchos em um mata-mata pela quinta vez em seis confrontos eliminatórios.

A classificação teve emoção demais e Mano cometendo erros, mas foi totalmente merecida e poderia ter ocorrido ainda nos 90 minutos. O Cruzeiro foi superior e merece a vaga na final.