Análise: Tite faz ótima e coerente convocação, mas existem escolhas questionáveis

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Pedro Martins/Mowa Press
Lista de 23 convocados do treinador da Seleção Brasileira não teve surpresas e manteve padrão das anteriores

Ao ler este texto, um grande amigo vai me elogiar pela análise, mas dizer que o título serve para todas as convocações do Tite. De fato, serve, e é tanta verdade que no bigode escrevi que a "lista de 23 convocados do treinador da Seleção Brasileira não teve surpresas e manteve padrão das anteriores".

Isso porque a convocação da Seleção Brasileira de Tite para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, revelada nesta segunda-feira (14), foi ótima e coerente, mas teve escolhas questionáveis, como ocorreu em suas últimas convocações.

Algo absolutamente normal se tratando do escrete canarinho, da nossa cultura e das várias (ótimas) opções que o treinador da Seleção tem ao seu dispor. E também curioso, diante do trabalho espetacular feito por Tite e de algumas escolhas antes vistas com desconfiança, que foram superadas e hoje são muito elogiadas.

Começando pelo gol. Antes, Tite foi criticado por insistir em Alisson, reserva da Roma, enquanto Diego Alves era fenomenal no Valencia. A insistência, porém, foi premiada e se mostrou certa. O hoje titular dos Giallorossi viveu uma temporada extraordinária e é considerado um dos melhores goleiros do planeta na atualidade com toda a justiça. Não à toa, vários clubes europeus sonham com a sua contratação. O flamenguista, por outro lado, não repete no Brasil seu desempenho na Espanha.

Alisson Roma Shakhtar Champions League 13 03 2018(Foto: Getty Images)

Seu reserva é Ederson, outro com temporada brilhante na Europa. Jogando demais pelo Manchester City, ele foi considerado um dos cinco melhores goleiros do mundo atualmente, assim como Alisson, por Ter Stegen, arqueiro do Barcelona e outro profissional com um 2017/18 absurdo, defendendo bolas indefensáveis.

Os dois são inquestionáveis, mas o terceiro goleiro, Cássio, já causa certa discórdia. Isso porque muitos julgam Neto, do Valencia, a melhor escolha, ou possuem outros arqueiros preferidos e que também mereciam a convocação, como Grohe, Vanderlei ou Fábio, do Cruzeiro, por exemplo, injustiçado há vários anos.

O corintiano, porém, merece a convocação. Cássio tem jogado demais nas últimas temporadas, especialmente em 2017 e neste ano, e chega em ótima forma para a Copa. Além disso, ele tem a confiança de Tite, com quem já trabalhou. Sua presença é merecida e totalmente justificada. Outro fator é que ele dificilmente estará em campo sendo o terceiro goleiro. A questão aqui é muito mais de gosto que qualquer outra coisa.

Cássio e Fagner - Corinthians - 10/08/2017 (Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

Já nas laterais, Tite fez escolhas questionáveis, mas coerentes. Na esquerda, a missão era difícil. Titular absoluto e incontestável, Marcelo é o melhor do mundo na posição, mas para a reserva era complicado escolher entre Filipe Luís e Alex Sandro. O jogador do Atlético de Madrid é muito sólido defensivamente e bom no apoio ao ataque, enquanto o atleta da Juventus também pode jogar mais adiantado, no meio-campo, e tem enorme qualidade, assim como o concorrente.

Qualquer um que ficasse de fora seria injustiçado, assim como a presença de qualquer um dos dois é merecida. Filipe Luís tem mais estrada na Seleção, já foi titular e lutou contra uma lesão para estar na Rússia. Por tudo isso e pela qualidade, também o convocaria, mas, novamente, é uma questão de gosto.

Na direita, porém, a situação é mais complexa. Dani Alves, um dos melhores de sua posição no planeta, é um líder técnico e também no vestiário da Seleção. Sua ausência certamente será sentida fora de campo pela liderança e pelo ótimo ambiente que proporciona, e dentro das quatro linhas pela enorme qualidade técnica.

O jogador do PSG, afinal, é vital no apoio ao ataque tanto pelo flanco quanto se infiltrando pelo meio-campo e abrindo o corredor para Philippe Coutinho ou Willian. Além disso, ele se destaca pelas várias assistências e por criar muitas chances de gol.

GFX Daniel Alves

Nenhum substituto está no seu nível e Tite tinha uma escolha difícil a fazer. Fágner tem outro perfil e se recuperou de lesão faz pouco tempo, mas sempre atua na posição e tem a confiança do treinador, com quem já trabalhou.

Danilo tem muita qualidade, mas também um perfil diferente, foi reserva no Manchester City de Guardiola durante a temporada e atuou quase sempre improvisado na lateral-esquerda ou no meio-campo, jogando raras vezes na sua posição. Fabinho, por sua vez, jogou a maioria das partidas no meio-campo pelo Monaco, enquanto Rafinha, muitas vezes reserva no Bayern de Munique, foi mais vezes utilizado na esquerda. Ambos também são distintos de Dani Alves em todos os quesitos.

Tite optou pelos nomes que chamou mais vezes e tem mais confiança, o que é totalmente justificável. Eu provavelmente convocaria Fabinho, mas não discordo do treinador chamar Fágner por conhecê-lo, confiar no jogador que está mais integrado e adaptado ao grupo da Seleção e com quem já trabalhou, além de ele sempre atuar na sua posição. Tanto ele quanto Danilo são bons jogadores e, quando acionados, jogaram bem.

Danilo Burnley Manchester City(Foto: Getty Images)

Fágner é importante e tem feito boas temporadas com regularidade no Corinthians. O nível da Seleção é diferente, é verdade, mas ele se saiu bem quanto teve chances e justificou a confiança de Tite, por mais que exista um abismo considerável para o titular. Danilo, por sua vez, foi bem no City quando Guardiola o utilizou e, não à toa, recebeu elogios do espanhol. O mesmo aconteceu no escrete canarinho.

A próxima escolha difícil nesse setor será o titular e substituto de Dani Alves. Eu iria de Danilo, que tem mais qualidade técnica e, no ótimo e organizado time de Tite, pode voltar a mostrar seu melhor futebol na sua posição.

Na zaga, por outro lado, Tite acertou totalmente e não existe o que questionar. Marquinhos, Miranda e Thiago Silva já eram nomes certos e estão jogando muito bem tanto por seus clubes quanto pela Seleção. A dúvida que muitos levantaram era entre Gil, Rodrigo Caio ou Geromel. O gremista, melhor entre os três tanto tecnicamente quanto no momento, no futebol apresentado e no nível de atuações, era a escolha óbvia e certa. Jogando demais, merece estar na Rússia, ao contrário dos dois "concorrentes".

ZAGUEIRO - Geromel (Grêmio)(Foto: Pedro Martins)

Já no meio-campo, voltamos a falar de gosto. Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Philippe Coutinho, Renato Augusto e Willian dispensam apresentações e merecem as convocações. Vale destacar, inclusive, que no início do trabalho de Tite, Paulinho e Renato Augusto foram questionados como Alisson, mas logo se tornaram inquestionáveis e importantes para a Seleção.

O meio-campista, hoje no Barcelona, continua voando, enquanto o outro ex-corintiano que segue na China caiu de rendimento, mas merece estar na Rússia diante de tudo o que fez nas Eliminatórias. No entanto, existe a (grande) possibilidade de Tite colocar Renato Augusto no banco e armar o time com Casemiro mais recuado e Coutinho "no centro" ao lado de Paulinho no 4-1-4-1, tendo Willian aberto pela direita e Neymar pela esquerda, com Gabriel Jesus como referência no ataque.

A questão do gosto no meio-campo é levantada pela presença de Fred. Ele fez uma temporada vitoriosa e inquestionável e jogou demais no Shakhtar Donetsk. Não à toa, está sendo disputado por gigantes da Europa. José Mourinho e Pep Guardiola, por exemplo, tentam levá-lo para Manchester. No entanto, apesar da qualidade técnica e do ótimo ano do convocado, eu prefiro Arthur, assim como vários outros amantes do futebol, jornalistas e analistas possuem essas ou outras preferências. Tite, porém, não erra ao levar Fred para a Rússia. Ele merece.

2018-02-10 Fred Shakhtar(Foto: Getty Images)

No ataque, porém, existe o "patinho feio" e a convocação que merece sim ser questionada. Douglas Costa, Roberto Firmino, Gabriel Jesus e Neymar são inquestionáveis e merecem demais a ida para a Rússia. Mas... E Taison?

Questionado sobre o atacante do Shakhtar Donetsk, Tite deixou claro que confia no jogador, com quem já trabalhou e teve sucesso. No entanto, a confiança e o passado não justificam a escolha do treinador neste caso específico, ao contrário do que acontece em outras escolhas. 

Taison não fez boa temporada no Shakhtar e passou longe de ser brilhante com Tite nos poucos minutos que teve na Seleção. Existem várias opções em melhor momento e superiores tecnicamente ao atacante que pode ser considerado o erro do treinador na convocação.

Por outro lado, a lista é ótima e muito coerente. Apesar de alguns questionamentos, Tite acertou a mão e foi muito feliz. Com seu ótimo trabalho, a confiança em alta, o excelente futebol e os resultados apresentados recentemente, o Brasil chega muito forte para a Copa do Mundo, sendo um dos grandes favoritos para levantar a taça na Rússia.

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