A evolução tática da Seleção Brasileira nos títulos de Copa do Mundo

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De uma diagonal que ajudou no entendimento de ideias húngaras, até um complexo 3-4-2-1, confira a disposição do Brasil de 5 estrelas

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A história do Brasil nas Copas do Mundo é a mais vitoriosa, além de ser uma das mais bonitas. Participante em todas as 20 edições do torneio, os cinco títulos da Seleção foram escritos pelos maiores craques de suas épocas no futebol.

Mas além de craques, a história das cinco estrelas acima do escudo também é contada com revoluções táticas e ideias que fizeram a diferença na hora de tirar exatamente o melhor de cada jogador em prol do grupo.

Por isso, contamos aqui a história das transformações táticas nas seleções brasileiras que conquistaram os títulos mundiais. E quem sabe o 4-3-3/4-1-4-1 de Tite não entra nesta lista em um futuro próximo?


DIAGONAL E HERANÇA HÚNGARA


Brazil 1958 World Cup Champion 29061958(Foto: acervo e memória/CBF)

Em 1950, o Brasil foi vice-campeão disposto em campo no WM, sistema tático mais popular no futebol até então. No entanto, o técnico Flávio Costa fez uma pequena mudança: o recuo de um dos médios para o avanço de um dos meias. O sistema chegava a ser até mesmo próximo de um 4-2-4, mas nas palavras do próprio Flávio Costa era um “WM Diagonal”.

Aquelas décadas foram marcadas pelo grande intercâmbio de treinadores no Brasil, especialmente os húngaros. Dori Kürchner e Béla Guttmann, principalmente. Guttmann trouxe o 4-2-4 que já havia nascido em sua terra natal, e como os brasileiros já estavam próximos a chegar em caminho parecido [principalmente pelo uso do WM Diagonal], o entendimento foi rápido.

GFX Seleção Brasil 1958

Guttmann teve sucesso no São Paulo, conquistando o estadual de 1957. No ano seguinte, Vicente Feola, seu assistente no Tricolor, colocava exatamente este esquema no Mundial realizado na Suécia e vencido pelo Brasil.


A REVOLUÇÃO DO LOBO-FORMIGA


Seleção brasileira | Brasil | 1962(Foto: Getty Images)

Quatro anos depois, o técnico Aymoré Moreira convocou praticamente o mesmo grupo de jogadores de 1958. Ou seja: um grupo quatro anos mais velho.

E em meio às exibições tão espetaculares quanto decisivas de Garrincha na ponta-direita, Zagallo seguia recuando no outro flanco – para equilibrar o time, ajudando os meio-campistas. Um trabalho de ‘formiguinha’, como foi chamado o ponta-esquerda.

GFX Seleção Brasil 1962

Só que nos gramados chilenos, Zagallo recuou tanto que acabou sendo o marco de uma nova disposição tática: o 4-3-3 usado até os dias de hoje foi a prova de que o ‘Velho Lobo’ tinha uma leitura de jogo ímpar – algo que o ajudou a resolver um quebra-cabeças que mais encantaram o mundo.


A PERFEIÇÃO EM CAMPO


Pelé 1970 final Seleção 04 08 2017(Foto: acervo Pelé)

Este quebra-cabeça foi o de como encaixar quatro ‘camisas 10’ em um time titular. A Seleção de 1970 encantou o mundo, e confunde até hoje a cabeça dos analistas.

GFX Seleção Brasil 1970

Na prática, era um 4-3-3. Mas tamanha era a movimentação, que na visão moderna de ler o jogo muitos poderiam ver um 4-2-3-1, com Gerson e Clodoaldo na frente dos zagueiros; Rivelino na ponta (embora centralizasse mais os lances quando chegava perto da área) e Pelé como ‘clássico 10’ atrás de Tostão.


SEGURANÇA EM PRIMEIRO LUGAR


Romario| Brasil| 1994(Foto: Ben Radford/Getty Images)

Há 24 anos sem conquistar a Copa do Mundo, a pressão por resultados era gigante em uma Seleção que vinha de uma participação fraquíssima em 1990. Carlos Alberto Parreira assumia o comando do Brasil com uma inspiração: Sepp Herberger, mítico treinador da Alemanha que, em 1954, protagonizou um milagre ao bater a Hungria na decisão.

O objetivo era impor o seu estilo: trocar passes em velocidade com a bola, mas recuar bastante as linhas sem ela. Algo muito mais próximo ao futebol moderno do que alguns podem pensar, mas o choque foi grande. O Brasil não parecia jogar como Brasil.

GFX Seleção Brasil 1994

Mas o 4-4-2 seguro, com Dunga, Mauro Silva e Mazinho dando segurança aos avanços de Jorginho; e com Zinho trabalhando intensamente para ocupar espaços no meio-campo, fizeram o Brasil ter resultados de Brasil: o título, marcado também pelas exibições marcantes de Romário e Bebeto no ataque.


UM TÍTULO DE VARIAÇÕES


Ronaldo Rivaldo Brazil 2002(Foto: Getty Images)

Quando Felipão assumiu o comando da Seleção, o Brasil corria riscos de não se classificar para o Mundial a ser realizado por Coreia do Sul e Japão. O ciclo não foi completo para o gaúcho, que buscou inspiração em um sistema até então inédito em sua carreira: aquele 3-4-2-1 privilegiava o talento de Rivaldo e Ronaldinho no meio, e o recuo de Edmílson para a linha de zagueiros liberava todo o potencial das subidas de Roberto Carlos e Cafu nas laterais.

GFX Seleção Brasil 2002

No ataque, Ronaldo voltava de uma grave lesão... mas demonstrou que ainda era o maior atacante do mundo. Isso ficou provado com os 2 a 0 sobre a Alemanha, na final, com o camisa 9 balançando as redes duas vezes na conquista do Penta!

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