Rica Perrone: Os mosquitos da banana

"Passou um ano da Copa que daria tudo errado e até hoje eu procuro essas pessoas para perguntar sobre a certeza de vexame anunciado. Não encontro."

Algumas coisas me intrigam na vida. Uma delas é o mosquito da banana. De onde ele vem? Pra onde ele vai? Onde ele fica quando não tem banana? Quem o avisa que a banana chegou?

Mistério…

Curioso fico porque me identifico. Noto uma semelhança de mercado terrível entre o jornalismo esportivo e a mesa de frutas aqui de casa.

Passou um ano da Copa que daria tudo errado e até hoje eu procuro essas pessoas para perguntar sobre a certeza de vexame anunciado. Não encontro.

Gostaria de saber em que cidade do interior do Acre se esconderam as pessoas que discursaram por longos 4 anos falando que, quando prontos, os novos estádios não durariam uma semana nas mãos de brasileiros marginais que não sabem se comportar.

Que invadiriam o campo. Que quebrariam tudo.

“Ah, vai dar merda! Claro que vai!”


Muito se pregou sobre o iminente fracasso da Copa. E muito disso não se concretizou (Crédito: Getty Images)

Os profetas do apocalipse, cavaleiros do vira-latismo, nunca tiveram a dignidade de voltar a mídia pra dizer: “Me enganei, o brasileiro soube se comportar”.

Mas espere até uma briga de torcida quebrar uma cadeira e verá, na capa de um portal qualquer, “Torcida destrói cadeiras e prejuízo é de X milhões”. E pior do que a manchete, na linha de baixo, aquela sem fotinho, dirá:  “Jornalista: “Eu avisei”.

E voltam as bananas.