Quem precisa de Ibra? Vitória sobre o Chelsea é um divisor de águas no projeto do PSG

COMENTÁRIO: Apesar da expulsão de seu principal jogador, a equipe de Blanc deu um espetáculo e conquistou a classificação de forma memorável

Por Peter Staunton - Correspondente Goal Internacional

Parecia mais uma vitória com a marca registrada de José Mourinho. Seu zagueiro apareceu com um gol aos nove minutos da prorrogação e a vaga para as quartas de final da Champions League parecia garantida. Não tinha sido bonito, mas tinha sido muito eficaz. Houve hostilidade e violência. Mas o Chelsea tinha sido a melhor equipe? Não. Além do fato de que o Paris Saint-Germain perdeu Zlatan Ibrahimovic com um cartão vermelho.

Havia 10 jogadores do PSG cansados ​​na frente do Chelsea de 11, mas de alguma forma eles encontraram bom senso e a coragem de que não só poderiam ser a realização do time, como também do clube. Parece que é o tipo de marco que o PSG precisava para, finalmente, entrar na elite do futebol europeu.

O investimento da Qataris só chegou recentemente. Até agora o seu progresso foi insignificante. Eles sofreram dos mesmos problemas vividos pelo Manchester City.

Houve, no entanto, mais do que milhões de euros. Houve trabalho de equipe. Eles vão refletir sobre tudo o que aconteceu em Londres, como um momento de unificação.

"Foi incrível esta noite", disse David Luiz à Sky Sports. "O espírito, cada jogador deu tudo. Eles marcaram primeiro, e depois todo mundo olhou para o outro e disse: "Você pode fazer isso, vamos acreditar até o fim"'.

Eles fizeram isso sem o seu comandante. Ibrahimovic foi expulso e pode se sentir prejudicado por isso. Bjorn Kuipers fez muita coisa errada durante o jogo. O PSG tinha o direito de se sentir injustiçado. Eles tinham o direito de aceitar o seu destino, especialmente quando Edinson Cavani, pela segunda temporada consecutiva, perdeu uma chance crucial de marcar um gol fora de casa.

A mão na bola de Thiago Silva foi corretamente assinalada. O pênalti de Eden Hazard teria sido suficiente. Mas nada disso. O PSG foi excelente e jogou de forma mais eficiente com seus 10 do que o Chelsea com 11.

Houve momentos intricados próximos à área. Chances claras foram criadas. Javier Pastore tinha o controle da partida, enquanto Thiago Motta ditava o tempo. "Quando se perde um jogador como Ibra, o melhor do time, é de se pensar 'vamos jogar simples, com a bola no pé, manter a posse de bola, tentar criar algumas oportunidades, precisamos marcar para nos classificar'", disse David Luiz.

O Chelsea, enquanto isso, estava sem energia, sem ideias. Mourinho brincou às vésperas do duelo que o treino de sua equipe no sábado foi 'mais difícil' que os 4 a 1 do PSG sobre o Lens, no mesmo final de semana. Se esse realmente foi o caso, ficou claro em campo. O Chelsea foi golpeado na reta final, arrancado da vitória pela imutável lei do 'ex'. A exemplo de Welbeck, na segunda, e Huntelaar, na terça, David Luiz marcou um gol importante, devastador no mesmo estádio em que atuava com regularidade. Só não foi uma cabeçada melhor que a de Thiago Silva, que garantiu a classificação.

O PSG pôde respirar quando o apito final soou. Até então, mostrou intensidade e concentração em todos os 120 minutos. Verdade é que, tivesse o Chelsea vencido, teria sido por merecimento. O futebol quase nunca é meritocrático, e parecia seguir no mesmo sentido. Diego Costa ficou em campo por mais tempo que devia, e por pouco não marcou o gol decisivo segundos depois.

Os comandados de Laurent Blanc, porém, se agarraram ao resultado, e garantiram ao técnico um desfecho que muitos duvidaram que poderia ser alcançado. Isso será o catalisador do PSG numa temporada por demais irregular. Claro, teremos partidas de melhor qualidade; três zagueiros marcaram em lances de bola parada, um atacante de alto nível foi expulso quando outros mereciam mais do que ele.

Como espetáculo, será rapidamente esquecido. Mas essa noite pode ter sido o renascimento do Paris Saint-Germain.