Aguirre não é o primeiro. Conheça outros gringos no comando do Galo e saiba como eles foram

Atlético-MG já teve dez técnicos estrangeiros ao longo de sua história, contando uruguaios que se saíram bem no clube

Nesta quinta-feira, o Atlético-MG anunciou Diego Aguirre como novo treinador. O uruguaio substitui Levir Culpi no comando alvinegro e acertou contrato de dois anos com o Galo. E a escolha por um estrangeiro quebra uma sequência de técnicos locais no time atleticano.

Desde 1999, apenas brasileiros treinaram o Galo, e o último estrangeiro no comando do Atlético-MG tinha sido justamente um uruguaio: Darío Pereyra. Os treinadores gringos, aliás, não são novidade na equipe mineira. Aguirre será o 11º da história alvinegra - o sexto uruguaio -, e a Goal Brasil te mostra como se saíram os outros técnicos estrangeiros no comando atleticano.

Escola húngara

O primeiro treinador estrangeiro da história do Atlético-MG foi o lendário húngaro Eugenio Medgyessy, que treinou a equipe entre 1928 e 1929, e depois em 1930 e 1931. Marinetti, como era conhecido, também treinou o Botafogo, o Palestra Itália (hoje Palmeiras) e o São Paulo, e antes de desembarcar no Brasil para ser treinador, brilhou durante 13 anos como meia no tradicional Ferencváros, conquistando quatro vezes o Campeonato Húngaro e uma vez a Copa da Hungria.

Um dos grandes técnicos da história, Béla Guttmann foi marcante no Brasil (Foto: Reprodução)

No Galo, Marinetti faturou uma vez o Campeonato Mineiro e duas vezes o Torneio Início. Vale destacar que até os anos 1960, o Brasil teve alguns treinadores húngaros além de Marinetti trazendo inovações táticas ao País, o mais conhecido deles, o lendário Béla Guttmann.

Sul-americanos

Depois de Eugenio Medgyessy, o Galo voltou a ter um técnico estrangeiro apenas nos anos 1940. Em 1944, o argentino Gregório Suárez liderou o escrete alvinegro, que voltou a ser comandado por um húngaro em 1945, com Ignác Amsel no banco de reservas. Ambos, porém, não tiveram o sucesso do uruguaio Felix Magno, que ao contrário de seus antecessores, conquistou títulos durante a passagem pelo Atlético-MG, entre 1946 e 1948.

Ele foi bicampeão mineiro em 1946/47 e ainda faturou um Torneio Início em 1947. Magno estava no Brasil desde 1925, e foi jogador de futebol antes de iniciar a caminhada como treinador, em 1935. O uruguaio deixou o comando alvinegro em 1948, mas um ano antes, ficou ausente durante quatro partidas, período em que outro gringo, o peruano Darío Letona, de forma interina, comandou o time atleticano.

Lenda

Foi em 1950, porém, que o Atlético-MG teve seu primeiro grande técnico estrangeiro. Assim como Aguirre, um uruguaio: Ricardo Díez. Ele liderou o Galo na histórica conquista que é lembrada até mesmo no hino do clube. Foi com ele que o Alvinegro foi Campeão do Gelo, na épica excursão à Europa. Díez ainda comandou o time no tricampeonato mineiro em 54, 55 e 56.

Ele teve três passagens pelo clube: 50/51, 54/56 e 58. Díez comandou o time de Lourdes em 171 jogos, conquistando 104 vitórias, 33 empates e 34 derrotas. Foram 401 gols a favor e 228 contra.

Único remanescente da histórica conquista na Europa, Vavá foi treinado por Ricardo Díez (Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG/Divulgação)

Entre a primeira e a segunda passagem do uruguaio, seu compatriota, Ondino Vieira, assumiu o Atlético-MG em 1954 e iniciou a caminhada do título mineiro daquele ano, mas foi substituído pelo próprio Díez, que concluiu o trabalho e levantou a taça.

Depois, na década de 1960, o Galo teve outro gringo no comando, desta vez, um paraguaio: o lendário Fleitas Solich. Ele ficou no Alvinegro entre 1967 e 1968, em época difícil para o Atlético-MG, que via o crescimento e a hegemonia do Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes, Piazza e companhia. Solich não conquistou títulos nem fez um trabalho histórico, como em suas passagens por Flamengo e Real Madrid.

História curiosa

Após o paraguaio, o time mineiro demorou quase 20 anos para voltar a ter um técnico estrangeiro. Isso voltou a acontecer apenas em 1985, quando o uruguaio Walter Oliveira, de forma curiosa, assumiu o comando. Ele era jogador do Atlético-MG, e como zagueiro, disputou 72 partidas e anotou oito gols pelo clube. No entanto, por uma dor crônica lombar, encerrou a carreira no próprio Galo, durante o Campeonato Mineiro de 1985. Dias depois, ele acabou contratado como treinador, e foi campeão estadual naquele ano como técnico e atleta.

Ídolo do São Paulo, Darío Pereyra treinou o Galo (Foto: Site Oficial/saopaulofc.net)

Depois, mais 14 anos se passaram até chegar o próximo e, até a contratação de Diego Aguirre, último comandante estrangeiro da história do Atlético-MG. Zagueiro histórico do São Paulo, Darío Pereyra assumiu o Galo em 1999, após trabalhar no Coritiba em 1998.

Seu início no Alvinegro foi bom: ele conquistou o Campeonato Mineiro e a Copa dos Três Continentes, disputada no Vietnã. Em 40 jogos, foram 21 vitórias, 11 derrotas e oito empates. No entanto, ele foi demitido na reta final do Campeonato Brasileiro, dando lugar a Humberto Ramos, que acabou com o vice-campeonato daquele ano, sendo derrotado pelo Corinthians na decisão.

Agora, 16 anos depois, Diego Aguirre chega para ser o 11º técnico estrangeiro da história do Atlético-MG com grandes desafios e em uma das melhores fases do clube desde sua fundação, em 1908.