O efeito 7 a 1: O Brasil ainda é o "país de futebol"?

Protagonista daquela partida histórica, Alemanha assume papel de destaque e indica que imagem do Brasil no mundo já não é mais a mesma

Cinco títulos mundiais. Craques como Pelé, Garrincha, Ronaldo e Romário, entre todos os outros. A alcunha de "país do futebol". A Seleção Brasileira é uma das mais importantes da história, e é respeitada no mundo todo contra qualquer adversário. Porém, há exato um ano, o fatídico dia da derrota de 7 a 1 para a Alemanha, na Copa do Mundo, mudou, ao menos momentaneamente, a maneira como ela é vista.

Do outro lado, um país que deu uma verdadeira aula durante a sua estadia no país para a disputa do Mundial. Uma geração construída com profissionalismo, demonstrando na construção de um centro de treinamento em cinco meses apenas para receber a delegação durante o período da competição. Uma renovação que ignorou um vice-campeonato mundial, em 2002, em prol de algo maior, que demoraria 12 anos - tempo que talvez o brasileiro não esteja pronto para esperar. Uma verdadeira revolução na maneira de enxergar o futebol.

A chance de o Brasil recuperar a sua imagem veio na Copa América, mas, novamente, ela veio em forma de decepção, com uma eliminação nas quartas de final contra o Paraguai - que depois levaria de 6 a 1 da Argentina. Agora, a possibilidade de não se classificar para o Mundial de 2018, algo que nunca aconteceu na história, é vivo no pensamento do torcedor.


(Foto: Getty Images)

Qual a visão alemã sobre a goleada?

Comparando apenas os jogadores, era de se esperar que a Alemanha levasse um pequeno favoritismo, principalmente pelo número maior de jogadores capazes de definir uma partida. Além disso, a ausência de Neymar foi um grande baque para a torcida e companheiros antes da semifinal. Porém, por outro lado, toda a aura apontava para uma vitória do Brasil, que poderia enterrar o fantasma de 50 e criar uma nova história no Maracanã.

"É claro que os alemães sabiam que a lesão de Neymar deixaria o Brasil mais fraco, mas, no entanto, poucos acharam que seria um jogo fácil, já que o Brasil jogava em casa e a maioria de seu elenco não deveria ser subestimado", recorda Claas Philipp, da Goal Alemanha.


(Foto: Getty Images)

Em campo, a opção por um time mais aberto de Felipão, entre outros vários pontos, culminaram em uma das piores, senão a pior, derrotas da Seleção Brasileira. E da mesma maneira que os brasileiros ficaram perplexos naquela dia, a reação do adversário foi a mesma.

"A maioria dos alemães não conseguiam acreditar nos seus olhos. O público ficou eufórico e sentiu que havia presenciado algo histórico", continua Claas.

A capa do jornal Bild, que tem uma das maiores circulações da Alemanha, definiu bem o sentimento geral daquela tarde/noite: "Sem palavras".


(Foto: Getty Images)

E o futuro?

Bem, o respeito pela Seleção Brasileira continua intacto, mas, ao contrário de outras épocas, o time treinado por Dunga não é mais temido. A vitória da Colômbia e a classificação do Paraguai, por exemplo, mostraram que a equipe tem grandes chances de sofrer nas Eliminatórias para a Copa da Rússia de 2018, que começam ainda neste ano.

E ao contrário do Quadrado Mágico de 2006, ou da dupla Ronaldo e Rivaldo de 2002, atualmente a Seleção atende por Neymar, e esse sentimento não é apenas brasileiro. O camisa 10 é um forte candidato a se tornar o melhor do mundo em alguns anos, mas a geração não o acompanhou, e o técnico não tem outras possibilidades que também sejam capazes de decidir um jogo.


Foto: Getty Images

"O sentimento é de que o Brasil é muito dependente de Neymar e que não chega nem perto de ter os grandes times que o país teve no passado", completa o jornalista alemão.

O caminho para a recuperação da auto-estima do Brasil será longo. O afastamento do público é algo inevitável e os adversários não veem o país como uma potência mais. Agora, esse posto está com a Alemanha. De caçador em 2002, os alemães agora são a caça. E a CBF, em um ano, provou que o 7 a 1 ainda não ensinou nada. Não basta uma tragédia?