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Spurs adotaram xingamentos antissemitas do City como emblema de honra. Em entrevista, o volante Sandro reconheceu o apoio dos judeus, mas ressaltou importância de toda a torcida

Por Tauan Ambrosio (@ambrosiotauan)

Tottenham e Manchester City duelam neste domingo no White Hart Lane, em Londres, pela 34ª rodada do Campeonato Inglês. O jogo é importantíssimo: em caso de derrota do City, vice-líder do certame, o Man.United pode garantir o seu 20º título nesta segunda-feira. Já o Tottenham luta com unhas e dentes por uma vaga na próxima Champions League. Mas a partida também tem um valor histórico interessante, pois foi em um Man.City x Tottenham que o time do norte de Londres “abraçou” a causa judaica.

  RESPOSTA INESPERADA ÀS PROVOCAÇÕES

O Tottenham é “o time dos judeus” na Inglaterra. Isso porque nas redondezas de seu estádio andavam muitos judeus ortodoxos. Os torcedores rivais começaram, então, a entoar cânticos antissemitas direcionados à torcida dos Spurs, que ficava calada, ignorava ou respondia com xingamentos normais para quem está acostumado a ir aos estádios. Mas, durante um encontro contra o Manchester City, no início dos anos 1980, a situação mudou. Os torcedores adotaram o insulto dos adversários como emblema de honra.

Enquanto ouviam os Citizens  cantarem – dentre muitos outros xingamentos – “Eu tenho prepúcio, eu tenho prepúcio e você, não”, os torcedores do time londrino que eram judeus e estavam no estádio reuniram-se, abaixaram as calças e mostraram a “identidade” (digamos assim) para os torcedores azuis de Manchester. A reação surpreendente e inesperada calou os fãs do City. Depois disso, hooligans do Tottenham (Yid Army, nome de conotações judaicas) passaram a fazer da bandeira israelense seu estandarte.

Yid Army, uma das principais torcidas organizadas do Tottenham: escudo sobreposto à Estrela de Davi


O interessante nessa história é que muitos torcedores do Tottenham que não são judeus passaram a “abraçar a causa” em virtude do time e dos feitos da Yid Army, principalmente no início dos anos de 1990. Quando o atacante alemão Jürgen Klinsmann (foto ao lado) chegou ao clube, em 1994, os torcedores cantavam a seguinte música:

“Chimm-chimminee, chim-chimminee, chim-chim-churoo, Jüergen was a German, but now he's a Jew”. Na tradução, fica: “Chimm-chimminee, chim-chimminee, chim-chim-churoo, Jüergen era alemão, mas agora é um judeu”.


            Com a palavra, o volante Sandro

Um dos jogadores mais importantes do Tottenham nas últimas temporadas foi o brasileiro Sandro, que se recupera de uma grave lesão sofrida em janeiro. O meio-campista chegou ao clube londrino em 2010, depois de despontar como um dos principais nomes do Internacional.

A diferença do idioma dificultou a adaptação após sua chegada. No entanto, o próprio jogador disse, em entrevista exclusiva ao Goal.com, que a identificação com os Spurs foi quase imediata.

“Mesmo tendo essa dificuldade no começo, me identifiquei muito rápido com o torcedor. Todos me receberam bem demais e viram que tinha capacidade para ajudar o clube a crescer”, disse.

Sobre a identificação dos torcedores judeus com o Tottenham, Sandro reconheceu que é uma coisa muito forte, mas preferiu falar da torcida dos Spurs como um todo:

"Dá para ver que (as comunidades judaicas) acompanham bastante a equipe, se fazem presente em todos momentos. Mas é importante falar de toda a torcida do clube, que sempre está junto com o time, apoiando. Isso ajuda bastante o trabalho da gente", disse o brasileiro, que mantém a confiança de que o clube termine o Campeonato Inglês nas primeiras posições.

"Sabemos que o time é forte e tem muita gente de qualidade. Ainda temos condições de alcançar os objetivos que temos nessa temporada."

Para se manter forte na reta de chegada do Campeonato Inglês, o Tottenham vai precisar do empenho máximo de seus atletas e do apoio de todos os seus torcedores, sejam eles judeus, católicos, protestantes, muçulmanos, ateus, agnósticos, etc...

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