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A Goal.com analisa a situação de Vasco, Botafogo, Flamengo e Fluminense no início do Campeonato Carioca, que começa neste sábado

O Campeonato Carioca 2013 começa cheio de pequenas mudanças. A grande alteração proposta pela FERJ, que queria a inclusão de um terceiro turno, foi rejeitada pelos quatro grandes, mas, mesmo assim, o regulamento oficial do estadual “mais charmoso do Brasil” sofreu mudanças importantes em relação aos anos anteriores.

A principal delas é em relação a vantagem do empate em semifinais e finais. As equipes que se classificarem como primeiras colocadas nos seus grupos irão disputar as semifinais com a vantagem de poder empatar os dois jogos. Se na final de turno houver confronto entre primeiros ou segundos lugares, terá a vantagem o time que tiver somado maior número de pontos durante a fase de grupos. Em caso de pontuações iguais, serão aplicados os critérios de desempate.

Na finalíssima do Carioca, disputada entre os campeões da Taça Guanabara e da Taça Rio, a vantagem do empate ficará com o time que obtiver mais pontos na classificação geral, considerando-se apenas as fases de grupo dos dois turnos. Somente se os dois times tiverem a mesma pontuação é que a vantagem morre, e aí sim poderá haver uma disputa de pênaltis.

Ao contrário dos últimos anos, no primeiro turno do Carioca 2013 – a Taça Guanabara – as equipes do Grupo A enfrentarão as equipes do Grupo B. No returno – a Taça Rio – os times se enfrentarão dentro dos próprios grupos.

Outra alteração polêmica da regra diz respeito à possibilidade de pagamento de multa para liberação de atletas suspensos por três amarelos. O pagamento, entretanto, não irá anular os dois cartões anteriores e, a cada novo amarelo, o valor da multa irá dobrar, partindo do inicial de R$500. Segundo o regulamento, o valor acumulado será dado ao time mais disciplinado.

O regulamento também prevê um troféu secundário para um torneio paralelo entre os quatro grandes. Vasco, Botafogo, Flamengo e Fluminense disputarão o ‘Super Clássico’, que nada mais é um do que um troféu simbólico que será dado ao clube que tiver somado o maior número de pontos levando-se em consideração apenas os clássicos contra os outros grandes durante as fases se grupo das taças Guanabara e Rio.

Dos quatro grandes, apenas o Fluminense terá que dividir sua atenção com a disputa da Libertadores, deixando o Carioca um pouco de lado. Botafogo, Flamengo e Vasco terão pela frente a Copa do Brasil, que, com a mudança do calendário da CBF, irá começar apenas em abril.

GRUPO A GRUPO B
Botafogo Flamengo
Vasco Fluminense
Friburguense Audax Rio
Madureira Bangu
Nova Iguaçu Boavista
Olaria Duque de Caxias
Quissamã Macaé
Volta Redonda    Resende


BOTAFOGO


O ano de 2013 para o Glorioso começa ligeiramente mais promissor do que o de 2012. Tudo por conta da presença de Clarence Seedorf. O holandês, que chegou ao Botafogo na metade do ano passado, já ocupou seu espaço nos corações alvinegros e tornou-se ídolo imediato pelo talento e a classe demonstrada dentro de campo, bem como pela liderança positiva exercida sobre a equipe. Entretanto, Seedorf não tem previsão para estrear e deverá se poupado da maior parte dos jogos neste começo de ano. A comissão técnica não quer correr riscos com a preparação do craque que.

A base do ano passado foi praticamente toda mantida. Dos jogadores que foram titulares em toda ou boa parte da campanha passada, apenas Elkeson e Fábio Ferreira deixaram o clube. Para o lugar do zagueiro, o Fogão trouxe Bolívar, André Bahia e Rodrigo Defendi. Para o ataque, chegou Henrique, revelado pelo São Paulo e que estava no Sport. Márcio Azevedo ainda tem seu futuro indefinido e pode estar próximo de acertar com o Palmeiras, mas o Botafogo preencheu a lateral-esquerda com Júlio César, ex-Grêmio e Fluminense. O clube ainda busca mais um atacante, especialmente depois de Loco Abreu, que estava emprestado ao Figueirense, dar adeus ao Rio de Janeiro para acertar com o seu time do coração, o Nacional-URU.

Time base: Jefferson; Lucas, Antônio Carlos, Dória e Márcio Azevedo; Marcelo Mattos, Renato, Andrezinho, Seedorf e Lodeiro; Bruno Mendes. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

DESTAQUE | Seedorf, meio-campista
Seedorf é, facilmente, a grande estrela do Carioca. Certamente, onde quer que vá jogar, vai juntar gente só para vê-lo de perto. Do alto dos seus 36 anos, o holandês esbanja boa forma. E o futebol é de uma classe à parte.  Não é certo que Seedorf seja muito utilizado no Estadual, mas ele mesmo não diminui a importância da competição. Para Seedorf, a possibilidade de sentir mais de perto a rivalidade carioca é uma experiência que merece ser vivida.



FLAMENGO



O Flamengo 2013 ainda é uma incógnita, mas é, certamente, um Flamengo renovado. Com uma diretoria nova à frente do clube, não é só o time que muda em relação a 2012, mas, principalmente, a mentalidade. Depois de uma campanha frustrante e muito abaixo do esperado pela Nação, o Flamengo quer correr atrás e recuperar o tempo perdido. Mas, dessa vez, sem fazer as habituais loucuras, sempre tão comuns na Gávea. A nova cúpula prega os pés no chão e a responsabilidade financeira.

O que não quer dizer abdicar completamente de reforçar bem o time. O Rubro-Negro ainda corre atrás de fechar o elenco, mas alguns nomes relevantes já estão treinando sob o comando de Dorival Júnior, mantido pela nova direção no cargo. O volante Elias, ex-Corinthians, que estava no Sporting de Portugal, é a principal contratação até aqui. Gabriel, atacante revelação do Bahia, chega para reforçar o fragilizado setor ofensivo, que ficou ainda mais debilitado após a saída de Vagner Love. Devido à dívida do Flamengo com o CSKA e também ao alto salário de Love, o atacante retornou para a Rússia. O lateral João Paulo, que se destacou pela Ponte Preta no Brasileirão 2012, também chega. O último reforço, até aqui, é o de Wallace, zagueiro que estava no Corinthians.

Depois de desistir de contratar Robinho por conta dos altos valores pedidos pelo Milan, Carlos Eduardo, ex-Grêmio e atual Rubin Kazan, é a bola da vez.

Time base: Felipe; Léo Moura, González, Alex Silva e Ramon; Amaral, Renato Abreu, Elias e Adryan; Nixon e Gabriel. Técnico: Dorival Júnior.

DESTAQUE | Elias, volante
No Atlético de Madrid e no Sporting, Elias não conseguiu repetir o sucesso do Corinthians, mas isso não diminui a empolgação Rubro-Negra com a chegada do volante. 'Mais um?', você pode pensar, ao olhar para a já abundante posição no Flamengo. Mas Elias traz facilmente se diferencia e se destaca dentre todos os outros jogadores da função atualmente na Gávea. Dono de grande técnica e poder ofensivo para acompanhar no combate, Elias não é 'só mais um' e, querendo se reencontrar com o futebol que o levou para a Europa e chamar a atenção de Felipão, esforço e dedicação certamente não faltarão.



FLUMINENSE



Único dos cariocas na Libertadores, o Fluminense deve ter o estadual como a última das suas preocupações. O Flu deve explorar o poder do seu elenco de luxo e aproveitar bem os seus reservas, enquanto Botafogo, Flamengo e Vasco tendem a utilizar mais os titulares. Teoricamente, isso diminui as chances do atual campeão de conquistar o bi-estadual – mas só teoricamente, e nada que incomode aos torcedores, que certamente estarão incentivando foco total na competição continental.

Para 2013, a base campeã brasileira está mantida. Alguns problemas detectados no elenco por Abel Braga, como o das laterais, estão sendo corrigidos. A ideia da diretoria tricolor é trazer ainda mais um ou dois jogadores para fechar o grupo para o primeiro semestre. Após mais uma lesão de Deco, fica claro que encontrar um nome capaz de substituir o maestro do meio-campo à altura é importante, já que Thiago Neves e Wagner não convenceram no ano passado. Conca, Riquelme e Kaká foram cogitados, mas todos acabaram descartados. De concreto, chegaram Wellington Silva, ex-Fla, para a lateral direita, Felipe, ex-Vasco, e Rhayner, meia-atacante que estava no Náutico. Fabian Monzón, argentino do Lyon, ainda não foi confirmado para a lateral esquerda por conta de problemas cardíacos detectados durante os exames médicos.

Time base: Diego Cavalieri; Wellington Silva, Gum, Leandro Euzébio e Carlinhos; Edinho, Jean, Deco (Wagner) e Thiago Neves; Wellington Nem e Fred. Técnico: Abel Braga.

DESTAQUE | Fred, atacante
Artilheiro, matador, craque, incrível... Todos os adjetivos que poderiam ser usados para descrever Fred já o foram. Em 2012, o ídolo tricolor conseguiu manter-se longe das lesões durante a maior parte do ano e levou o Flu ao título Carioca e Brasileiro, o faro de gol mais apurado do que nunca. Os olhos do astro estarão voltados para a Libertadores, mas nada que o impeça de fazer seus já típicos gols de bicicletas no estadual.


VASCO DA GAMA



De todos os torcedores cariocas, o vascaíno é, com certeza, o mais desconfiado. O clube passa por uma séria crise financeira e política e sofreu uma verdadeira debandada ao fim do Campeonato Brasileiro. A perda mais dolorosa foi a do ídolo Juninho, que não chegou a um acordo com a diretoria sobre a renovação do seu contrato e partiu para a liga norte-americana. Mas ele não foi o único.

A barca cruz-maltina foi enorme: Fernando Prass, Fabrício, Auremir, Jonas, Eduardo Costa, Nilton, Alecsandro, Diego Rosa, Chaparro, William Matheus, Pipico, Jonathan e William Barbio. A maioria deixou o clube por falta de pagamentos. O último a se desligar da colina foi o meia Felipe, que reclamou abertamente da diretoria e acabou sendo “descartado”, contra a vontade da torcida, que chegou a escrever uma carta aberta à Dinamite pedindo a permanência do ídolo. De nada adiantou, pois Felipe foi reforçar o rival das Laranjeiras. Para suprir todos buracos deixados pela debandada chegaram o goleiro Michel Alves, o zagueiro André Ribeiro, o lateral Elsinho, os volantes Fillipe Soutto e Sandro Silva, os meias Bernardo e Pedro Ken e os atacante Leonardo e Thiaguinho.

Diante de uma revolução tão grande e de problemas ainda não completamente contornados, é difícil saber o que esperar o Vasco. Depois de um período de recuperação estupendo, com a conquista da Copa do Brasil e as ótimas campanhas no Brasileiro e na Sulamericana, o time parece ter, mais uma vez, perdido o rumo. Resta saber se o técnico Gaúcho será capaz de devolver a equipe ao caminho da luz. Grande que há mais tempo não vence o estadual, acabar com o jejum será uma ótima oportunidade para chutar para longe os problemas de 2012 e começar 2013 com o pé direito.

Time base: Michel Alves; Elsinho, Dedé, Douglas e Thiago Feltri; Sandro Silva, Wendel, Bernardo e Carlos Alberto; Éder Luís e Tenório. Técnico: Gaúcho.


DESTAQUE| Dedé, zagueiro
Diante de tantos abandonos, a permanência de Dedé, que chegou a ser sondado pelo Corinthians, além de clubes europeus, é um conforto para os vascaínos. Depois de uma temporada inconstante, atrapalhada pelas lesões, o Melhor Zagueiro do Brasil estará mais disposto do que nunca a mostrar serviço; com um novo técnico na Seleção, Dedé precisará reconquistar seu espaço para garantir participação na Copa das Confederações, em junho.


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