Márcio Rezende de Freitas não esquece falhas na final

Apesar das reclamações santistas devido aos erros de arbitragem no Pacaembu, botafoguenses alegam erro no Maracanã

Três erros e 15 anos depois, Márcio Rezende de Freitas ainda é lembrado como um dos protagonistas da partida final do Brasileiro de 1995, que terminou empatada em 1 a 1 e deu o título ao Botafogo, diante do Santos. As falhas na decisão marcaram a carreira do ex-árbitro, aposentado desde 2005, mas o próprio não se incomoda com o assunto. Para o dono do polêmico apito, os fatos serviram como exemplo, recordado ao longo da vida.

Márcio Rezende validou gol de Túlio Maravilha impedido, deixou passar tento de Marcelo Passos após condução pela mão direita de Marquinhos Capixaba e anulou bola na rede do atacante Camanducaia, que estava em posição legal entre os zagueiros e, assim, garantiria a taça ao Santos. Problemas de sobra, guardados com Márcio Rezende em vídeo até hoje.

- Tudo isso ficou marcado em mim. Tenho a partida gravada. É... Eu também gravo as cagadas. Na hora, vi aquilo que assinalei e pronto. Árbitro só tem um lado da moeda: quando erra - comentou.

A calma veio com o passar do tempo, as reclamações santistas também diminuíram, mas a manhã depois do confronto no Pacaembu reservou fortes emoções e tensão para Márcio Rezende de Freitas.

- Depois do jogo, eu me desliguei de tudo. Não vi televisão e na mesma noite voei para Minas. No outro dia é que fui avisado por familiares que tinha errado. Quando o primeiro falou, só respondi: F..., f... de vez. Achei que estava queimado - disse.

Márcio Rezende de Freitas não foi punido pela CBF e teve mais uma chance, ao ser escalado para a final de 1996. A traumática experiência do ano anterior tinha tudo para atrapalhar o duelo entre Grêmio e Portuguesa, mas inspirou positivamente:

- Antes da decisão, vi duas vezes o jogo de 95 inteiro. Coloquei na cabeça: mais uma dessas e minha carreira acaba. Entrei no Olímpico, apitei bem e, assim que acabou, corri para o vestiário. Chorei como um menino - desabafou.

BOTAFOGO ALEGA ERRO NO MARACANÃ COMO DEFESA

Pelo lado do Glorioso, o gol de Camanducaia anulado por Márcio Rezende no segundo duelo da final não é justificativa para considerar o título de 1995 como produto da arbitragem. Os botafoguenses alegam que no primeiro jogo, no Maracanã, Túlio teve gol mal invalidado por Sidrack Marinho.
Sérgio Manoel levou vantagem após falta feita por Narciso e tocou a bola para o Maravilha chutar para o fundo das redes. Porém, nada mais estava valendo. No fim, o placar certo seria o 3 a 1 para o clube de General Severiano e neum um "justo" Santos 2 a 1, no Pacaembu, mudaria o rumo da taça.

Bate-Bola

Márcio Rezende de Freitas - Árbitro da decisão de 1995

1)Você guarda algum arrependimento pelos episódios na final?

Márcio Rezende de Freitas: Aqui, o mais importante é você ter humildade para assumir as falhas. Assumi que errei assim que vi o lance, assim como volto a assumir agora, 15 anos depois daquele jogo no Pacaembu.

2)Quando foi a última vez que viu os lances da partida?

Márcio Rezende de Freitas: Tenho isso guardado, mas não vejo há alguns anos. Mas está comigo e sei de toda importância.

3)Como foi conviver com a pressão da imprensa pelos erros?

Márcio Rezende de Freitas: Fui procurado por muita gente, todas cheias de perguntas. Realmente não foi tarefa fácil.

4) Se pudesse voltaria no tempo?

Márcio Rezende de Freitas: Não dá para mudar. Errou, errou. Faz parte do jogo. O erro é humano. Não posso voltar lá atrás e consertar os erros.