Exclusivo: Guerrero fala da renovação com Corinthians, relembra Mundial e afirma: "Ainda quero mais"

Em entrevista ao site oficial da Copa América, artilheiro não garante permanência no Timão e projeta as chances do Peru na competição continental

Paolo Guerrero, atacante do Corinthians, relembra a noite de 16 de dezembro de 2012, quando ele fez história com a camisa do Timão e marcou o gol da vitória sobre o Chelsea, garantindo o segundo título mundial do clube brasileiro. Além de herói da torcida alvinegra, o jogador também é a esperança dos peruanos na Copa América 2015.

O centroavante falou com exclusividade ao site oficial da Copa América Chile 2015, fez um balanço da competição continental, comentou a expectativa de trabalhar com o argentino Ricardo Gareca na seleção do Peru, e destacou a polêmica renovação de contrato com o Timão.: "Estou deixando nas mãos do meu empresário, mas ainda não podemos falar de renovação por algumas coisas pendentes que o time tem com alguns", diz o atacante. 

Confira a entrevista exclusiva com Guerrero:

Podemos dizer que você vive o melhor momento na sua carreira aqui no Corinthians?
"Agora, agora, não é meu melhor momento. Já estive em melhor forma. Nunca estou satisfeito. Sempre quero mais e mais. Dar o melhor de mim, isso é o mais importante. Nunca vou me conformar com meu rendimento e sempre irei querer melhorar".

A sua adaptação ao Corinthians foi surpreendentemente rápida. O que influenciou para você conseguir isso?
"Sabia que seria difícil, depois de jogar dez anos na Europa, mais precisamente na Alemanha. Graças a Deus achei uma família aqui no Corinthians, meus companheiros me receberam muito bem, e isso foi o mais importante que tive aqui: chegar ao Corinthians e ter os meus companheiros, corpo técnico e todos os funcionários me acolhendo da melhor forma. Eu agradeço por isso. Toda essa situação me deu uma satisfação grande, permitiu que eu jogasse com mais tranquilidade. Fazer gols de títulos e ganhar campeonatos importantes com o Corinthians: isso é o mais importante".

No Corinthians, você definitivamente viveu momentos especiais. O título mundial e os gols no Japão são as principais lembranças da carreira? Dá para ter a noção de que os corintianos falarão de você para sempre?
"Com certeza foi o momento mais especial dar esse título mundial para o Corinthians. O gol da classificação para a final (vitória por 1 a 0 sobre o Al-Ahly, do Egito, na semifinal) e o gol da final (triunfo por 1 a 0 sobre o Chelsea) são os mais importantes que já marquei na minha vida, mas eu ainda quero mais".

O Corinthians diz que quer renovar com você e você diz que quer renovar com o Corinthians... O que está faltando para o acordo? Está otimista? (Guerrero tem contrato com o clube até 15 de julho).
"Ainda não podemos falar...temos coisas pendentes para resolver. Estou deixando nas mãos do meu empresário, mas ainda não podemos falar de renovação por algumas coisas pendentes que o time tem com alguns, como meses de atraso (direitos de imagem de alguns atletas), mas espero resolver o mais rápido possível".

Após passar um ano sabático, Tite voltou para o Corinthians nesta temporada, e o clube vive grande fase desde então - já são 11 jogos de invencibilidade. Você se sente aliviado por ele não ter assumido a Seleção e virar um rival na Copa América?
"É (risos). Seria difícil, porque o professor Tite é um treinador muito experiente, um zorro (raposa, em espanhol), sabe muito bem como aprontar o time taticamente. Graças a Deus temos ele aqui no Corinthians, e ele está fazendo de tudo para que o Corinthians vença a Libertadores. Creio que todo corintiano está ansioso para torcer novamente no Mundial".

Por falar em Libertadores, como foi pra você apenas assistir aos jogos contra São Paulo e San Lorenzo? (Guerrero foi expulso no primeiro jogo da Pré-Libertadores, contra o Once Caldas, e acabou suspenso por três jogos).
"Foi difícil, mais ainda pelo fato de estes dois jogos serem contra grandes clubes como São Paulo e San Lorenzo. Eu assisti pela TV aos dois jogos e dava raiva por não estar em campo e por não estar fazendo gols. Queria estar presente".

O Peru ficou com um histórico terceiro lugar na última Copa América. O que esperar da próxima edição?
"É difícil falar agora. A situação não tem sido muito fácil para nós. Primeiro porque ficamos um tempo sem treinador. Estamos há apenas uma semana com um novo técnico. A preparação não tem sido muito boa para a Copa América, mas de qualquer jeito vamos tentar fazer de tudo para ganhá-la".

Em qual nível o time do Peru se encaixa na atualidade?
"Sabemos que há seleções mais entrosadas, com muito mais confiança e que jogaram o Mundial. Também sei da importância de Brasil e Argentina, que sempre brigam pelo título, mas agora também tem Chile, Colômbia e Uruguai, que estão jogando muito bem. Não posso falar do Peru. Sabemos que temos seleções melhores no momento, muito mais entrosadas".

Conhece Ricardo Gareca? O que achou de sua contratação para técnico do Peru? Vocês foram rivais ano passado, quando ele comandava o Palmeiras...
"Gareca é um treinador com experiência, já conhece o futebol peruano. Não o conheço muito, não tenho referência do professor. Só sei que temos que fazer uma força especial para colocar o Peru até as fases finais da Copa América".

Seu desempenho individual na Argentina, há quatro anos, também foi excelente: cinco gols e artilheiro da competição. Ansioso e esperançoso para balançar as redes no Chile?
"Ainda estou pensando no Corinthians. Quando tiver a convocação, aí pensarei no Peru. Estou ansioso para jogar essa Copa América. Quero dar o melhor pela minha Seleção e felicidade para o meu povo, porque sei que meu povo vai torcer muito para nós fazermos uma boa Copa América. Temos que nos preparar bem e estou muito ansioso. Espero ter um desempenho ainda melhor do que na última".

Colômbia, Brasil e a emergente Venezuela. Como você analisa o grupo peruano na Copa América? Capaz que você enfrente companheiros de Corinthians como o Elias e o Gil...
"Um grupo difícil. Qualquer grupo seria difícil. Todas as seleções melhoraram muito e estão jogando bem. O primeiro jogo contra o Brasil será complicado. Sabemos que o Brasil é um dos favoritos ao título, mas vamos fazer de tudo para tentar ganhar. É ir passo a passo e primeiro focar no primeiro jogo contra o Brasil".

Você está fora do amistoso contra a Venezuela (cumpre suspensão). O quão ruim pode ser perder este início de trabalho do Gareca?
"Fico tranquilo de perder o primeiro jogo. Sei que teremos mais jogos antes da Copa América. Vou poder conversar e conhecer melhor o treinador antes do torneio, mas gostaria de estar presente para esse jogo".

Na primeira convocação, Gareca chamou novamente Cláudio Pizarro, veterano do Bayern de Munique. Crê na manutenção da parceria para a Copa América?
"Não sei como o Gareca vai armar a equipe, mas sei que jogamos muito tempo juntos, no Bayern de Munique, na Seleção Peruana, e já conheço o Pizarro muito bem. Sobre isso, vamos deixar para o treinador decidir como ele vai armar o time. Guerrero e Pizarro comemoram gol em 2012".

Você acha que o fato de o Peru ter sido o último time a definir um técnico pode atrapalhar o desempenho na Copa América?
"Com certeza pode atrapalhar, mas aí o professor vai ter que usar suas artimanhas para armar um time bom, com experiência. Sabemos que temos muitos jovens que vem aí jogando na Europa, mas alguns em equipes reservas, então acho que precisaremos dos mais experientes nessa Copa América. Vamos enfrentar seleções muito bem entrosadas, então não dá para experimentar, fazer mudanças, como a gente vinha jogando na última Eliminatória. O Gareca que vai decidir isso, sei que é um técnico com muita experiência, e isso me deixa tranquilo. Sei que ele vai procurar a melhor forma para a gente jogar".

Como referência, de qual forma você analisa a nova geração peruana?
"Tem uns quatro ou cinco meninos que estão se entrosando ainda, não estão jogando nos seus times na Europa, mas jogam um bom futebol. Esses convocados mostram que estão prontos para a Seleção, mas precisam dessa experiência dos clubes para encararem jogos de Copa América e Eliminatórias".

Para encerrarmos, você aponta um grande destaque na Copa América? Alguém que você admire ver jogar e que tema como adversário.
"Todas as seleções tem destaques, não dá para falar de um ou dois. Vamos ver como a gente vai encarar essa Copa América".