Dunga admite possíveis mudanças na escalação e destaca dificuldade das Eliminatórias após começo irregular

Técnico afirma que "todos têm condições de jogar" e Douglas Costa pode ganhar chance no time titular, mas exalta jogo coletivo da equipe antes de enfrentar o Peru

O Brasil se prepara para enfrentar o Peru, nesta terça-feira, pela quarta rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. E com apenas quatro pontos somados nos primeiros jogos, a pressão por um bom resultado jogando em casa é grande, o que pode levar o treinador a mudar a equipe para tentar melhorar o seu rendimento depois do empate contra a Argentina.

Para o próximo confronto, Douglas Costa, que entrou bem e participou do gol de empate no clássico, pode ganhar uma vaga no ataque, mas Dunga evitou confirmar a escalação, abrindo a possibilidade para alguma mudança no time, já que, segundo o comandante, "todos têm condições de jogar".

"Eu gostei do jogo contra a Venezuela. No primeiro, sabíamos que a Argentina ia pressionar. Do meio para a frente não conseguimos jogar. No segundo tempo botamos um jogador mais agudo [Douglas Costa]. Trouxemos o Neymar para o meio, deu uma dinâmica diferente. Todos têm condições de jogar", afirmou o técnico.


Douglas Costa pode ser titular contra o Peru (Foto: Miguel Schincariol/AFP/Getty Images)

Dunga também comentou as primeiras partidas, destacando o aspecto coletivo do jogo brasileiro, que é complementado pelas individualidades dos jogadores, mas também falou sobre as situações adversas do torneio, que não permitem muitos dias de treinamentos e também há outras forças no continente.

"É uma equipe competitiva, usa-se a qualidade técnica, não é novidade para ninguém como será disputada as Eliminatórias. Nos seis primeiros jogos encontramos adversários fortes e temos que somar pontos pensando na classificação para a Copa do Mundo. Temos que aproveitar as características dos nossos jogadores e surpreender o adversário. Para todos que estão jogando as Eliminatórias estão tendo situações adversas, dois dias apenas para treinar", disse.

Já sobre o clássico contra a Argentina, que deixou as duas seleções em situação ruim, o técnico relembrou outras vezes em que uma das duas seleções também não começou bem e teve dificuldades para se classificar, e considerou normal esse equilíbrio nas primeiras rodadas, garantindo que ainda é cedo para fazer um prognóstico.

"Estamos no início, o campeonato vai ser longo, complicado como sempre foi, e a gente vê muito o momento, mas se formos analisar as Eliminatórias do passado também tiveram alguns problemas. Às vezes uma seleção sai na frente, outra sai atrás. Em 1990 ou 1994 também foi muito parecido. O mais importante é concentrar no que foi programado e fazer. Tem que ter convicção no que está fazendo", completou.


Confira os números do Brasil nas Eliminatórias até aqui:


Confira outros tópicos da entrevista de Dunga:

Pouco tempo para treinamentos

"Nós gostaríamos de ter mais, mas esse é o tempo que temos, temos que aproveitar da melhor maneira possível, tentar corrigir as coisas. Também não podemos desgastar muito os jogadores que vêm de viagem, para terem energia suficiente. Eliminatórias é uma questão de superação e vai continuar sendo sempre assim."

Possíveis vaias da torcida

"Eu acho que o torcedor está assistindo todos os jogos das Eliminatórias e sabe da importância de apoiar a sua equipe, foi assim com Chile e Brasil e Equador e Bolívia. É um detalhe que decide, tem que ter paciência. O torcedor tem que compreender, mas temos que estar prontos para enfrentar essas situações."

Entrosamento entre jogadores do mesmo clube

"Na seleção é um pouco diferente. Todos falam muito do Botafogo lá atrás, mas não tinham tantos jogadores em diversos clubes, os jogadores de seleção estavam sem seu país. Hoje quem estiver melhor, vai jogar, independente do clube."


Entrosamento não é vantagem para Elias e Renato Augusto no time titular (Foto: André Mourão/Mowa Press)

Próximos jogos também serão no Nordeste?

"Primeiro, nós escolhemos essas duas cidades por uma série de fatores. O jogo de março ainda nem conversamos. Temos que esperar. Sem dúvidas são dois estados que apoiam a seleção, mas os demais também. Jogamos em São Paulo contra o México e a torcida nos apoiou. Depende de logística para nós marcarmos os jogos."

Sem David Luiz, muda a forma de jogar?

"A forma de jogar continua a mesma, a característica de um jogador ou outro muda, e ele próprio tem que se adaptar ao seu companheiro. Mas a seleção tem sua forma de jogar."

Neymar no dentista é problema?

"Não, treinou ontem, vai treinar hoje, não tem nenhum problema."


Capitão Neymar está confirmado contra o Peru (Foto: Juan Mabromata/AFP/Getty Images)

Cargo Ameaçado?

"Ameaçado? É o futebol. É normal a cobrança em todas as profissões, a gente comenta em trabalho a longo prazo, mas é resultado. Ameaçado é uma palavra um pouco forte."

Tragédia de Paris

"Entre todos nós que acompanhamos as notícias, isso foi falado. Eles são jogadores experientes, maduros, isso não vai atrapalhar o rendimento. Estão preocupados como todos os seres humanos."

Treinos fechados

"Normal. Tem dia que você dá bronca, tem dia que está tranquilo, varia muito. O melhor é você treinar, repetir, conversar com os jogadores, questioná-los para eles interagirem com a comissão técnica. Acho que faz parte de um trabalho você ter um pouco mais de privacidade para fazer as coisas."