Edson Arantes do Nascimento completou 75 anos no último dia 23 de outubro, e segue relembrando o quão imortal é a imagem de Pelé. Em entrevista concedida à Revista Placar, o maior jogador de todos os tempos abordou diversos assuntos. Um deles foi Seleção Brasileira, e como seria o seu desempenho se pudesse entrar em campo nos dias de hoje.
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“Eu sempre brinco assim: 'Hoje o Pelé seria melhor ainda'. Porque com todo o preparo, os cuidados que tem hoje... O dom é uma coisa de Deus, é uma coisa que Deus deu e ninguém tira. Agora, se você estiver preparado, se estiver em condições físicas... Eu, como sou o Edson, amigo do Pelé desde criança, não tenho nada do que reclamar”, afirmou, bem-humorado.
"Como sou o Edson, amigo do Pelé desde criança, não tenho nada do que reclamar" (Foto: Reprodução)
“Eu acho que a grande vantagem era o meu condicionamento físico. Porque, além de ter o dom divino de jogar futebol, na parte física eu conseguia superar. Graças a Deus eu sempre estive bem fisicamente. E olha que eu tive fratura no tornozelo, no joelho, no ligamento, virilha, tive tudo”.
“O jogador tem muito mais recursos do que a gente tinha antes. A partir do material esportivo. O material esportivo é todo de primeira, os estádios... Então, se fosse que nem agora seria muito mais fácil, se for pensar nesse sentido. O gramado é um tapete, a chuteira é levinha”, avaliou o Atleta do Século.
Seleção Brasileira enfrenta período difícil, afirma
Ao comentar a atual fase da Seleção Brasileira, Pelé avaliou a atual geração de jogadores como muito boa. Entretanto, vê como grande problema a “falta de medo” dos adversários ao enfrentarem o escrete canarinho.
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“Eu acho que nós estamos atravessando uma fase difícil. Não dá pra você fazer uma aposta de que nós somos superiores. Mas, ainda, claro que o nível é muito bom. Nós estamos com alguma dificuldade, não continuamos no mesmo momento de melhor equipe, melhor seleção. Infelizmente, é coisa do futebol, mas tomamos de 7 da Alemanha. Tomamos de três da Holanda, pra você ver o nível. Foi um desastre, que não acontece nunca, e aconteceu contra a Alemanha”.
"Mudanças de técnico também afetam o andamento da Seleção", diz Pelé (Foto: NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)
“A Holanda é um time bom, também, mas às vezes a gente empatava, perdia de 1 a 0, aí tudo bem, até... Estamos atravessando uma fase difícil. Quer ver? É até difícil dizer honestamente. Mas nós temos só o Neymar como nossa figura hoje (...) Ninguém tem medo de jogar contra o Brasil mais, e esse é um grande problema”.
“Agora, nessas últimas convocações, bati um papo com o Dunga, desejei boa sorte pra ele, aí ele falou: ‘Pô, quando você vai passar aqui pra conversar? Vamos marcar um dia pra você bater um papo com os jogadores. Os caras sempre perguntam, querem te ver e tal’. Eu acho que essas mudanças de técnico também afetam o andamento da Seleção e, infelizmente, está acontecendo nos clubes também. Os técnicos, agora, ficam dois, três meses, no máximo cinco meses”.