Fábio completa, nesta quarta, 400 jogos pelo Cruzeiro

Goleiro celeste pode ser recordista de jogos em pouco mais de dois anos

Ir para a Europa e atuar em clubes medianos de países que não têm nenhuma tradição no futebol. Tudo em prol da tão comentada independência financeira. Esse é o sonho de 90% dos jogadores que atuam no Brasil atualmente. Mas, no meio de tantos na busca do sonho europeu, existem aqueles que jogam o futebol ainda com dedicação ao seu clube, sendo exemplo para os mais jovens e ídolo da torcida. Esse é o caso do goleiro Fábio, que, nesta quarta-feira, às 19h30, contra o Atlético-GO, pelo Campeonato Brasileiro, completará 400 jogos com a camisa celeste.

O camisa 1 chegou ao clube em 2000, mas poucas oportunidades teve na época, o titular era André. Contudo, teve tempo para fazer a sua estreia, vitória por 2 a 1 sobre o Universal, na meta estrelada, partida que nunca foi esquecida.

- Lembro da primeira vez que entrei no Mineirão, contra um time do Rio de Janeiro, o Universal. Foi marcante para mim, foi muito importante. Dentro do Mineirão, em um amistoso, em que, se não me engano, tive a oportunidade de entrar no segundo tempo, acho que nem comecei jogando. Mas foi importante e foi o primeiro passo. Depois várias coisas aconteceram, fui emprestado para o Vasco, me compraram e tive a oportunidade de retornar ao Cruzeiro – relembrou.

Após o início tímido, Fábio foi para o Vasco, onde ficou por quatro anos. Voltou ao Cruzeiro mais maduro e apto para ser, dessa vez, o dono da camisa 1. E assim foi. O goleiro agarrou a oportunidade e nunca mais soltou, chegando nesta quarta ao 400º jogo pela Raposa. Marca que traz identificação com a torcida, mas também mais responsabilidade.

- Você se torna uma referência e, às vezes, as cobranças pelas conquistas e pelas vitórias será maior sobre você. O torcedor cria uma identificação. Isso é importante para você se dedicar ainda mais dentro do clube que você gosta de atuar, aprendeu a amar e onde você se esforça para que a torcida esteja sempre feliz com os bons resultados – afirmou.

Chances raras na Seleção

Desde o ano de 2009, quando auxiliou a Raposa a chegar na final da Taça Libertadores, o goleiro Fábio é um pedido constante da torcida cruzeirense para a Seleção Brasileira. Antes com Dunga, agora com Mano Menezes, o camisa 1 celeste tem recebido pouquíssimas chances de mostrar o seu potencial debaixo da meta canarinha.

Fábio foi até convocado para os amistosos contra Holanda e Romênia, ambos preparatórios para a Copa América. Mas sequer atuou. O treinador da Seleção preferiu utilizar Júlio César contra a Oranje e Victor contra os romenos. Na Copa América, nova desilusão. Mano, além de Júlio César e Victor, convocou Jefferson para ser o terceiro suplente.

Ruim para Fábio e para o Brasil, ótimo para a torcida celeste, que pôde contar com o jogador em um momento complicado da equipe do Brasileirão.

Há tempo para ser o recordista de jogos

O volante Zé Carlos é o recordista de partidas com a camisa cruzeirense, com 632 jogos. O ex-jogador atuou nas décadas de 60 e 70 na Raposa e foi campeão da Taça Libertadores, Taça Brasil e nove vezes do Campeonato Mineiro. No final da carreira, no Guarani, ainda foi campeão brasileiro em 1978.

Fábio, com 400 partidas e contrato até 2016, teria tempo para ultrapassar a marca de Zé Carlos. Se fizer uma média de 60 jogos por temporada, Fábio conseguirá superar o ex-meio-campista no início de 2014.

- Bom, tenho um contrato em vigor e, se Deus permitir, e eu merecer dentro de campo, a cada jogo, me empenhando e me dedicando nos treinamentos, honrando a camisa do Cruzeiro, vai ser gratificante. Ter essa história numa grande equipe do futebol mundial, ficar marcado para os meus filhos, meus netos, para todas as gerações de torcedores do Cruzeiro. Então, se Deus permitir, as coisas vão acontecer da melhor forma possível – disse o atleta.