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Alemanha preocupada com crescente neonazismo em torcidas pequenas

A sombra do neonazismo volta a deixar os dirigentes do futebol alemão em guarda. O diretor da Bundes Liga, Reinhard Rauball e o ex-presidente da DFB, Theo Zwanziger, estão preocupados com as recentes manifestações racistas e  alertam para o crescente perigo nazista no futebol alemão.

"Acompanho o problema dos neonazistas com muita atenção. Preocupa-me mais a influência deles no futebol amador", disse Zwanziger ao site alemão Morgenpost. "A ideologia neonazista é projetada para ganhar espaço na base e assim converter pessoas que não são tão politizadas. É por isso que, vários dos nossos 26 mil clubes em que há uma enorme parcela de trabalho voluntário, são lugares mais vulneráveis", completou.

O Alemannia Aachen, que disputa a terceira divisão alemã, tem encontrado dificuldades para combater manifestações de grupos neonazistas. "O caso específico do Alemannia é complicado, pois o clube não é membro da Liga e não podemos agir muito. Essa questão vem atingindo cada vez mais os clubes de divisões inferiores do futebol alemão", disse Reinhard Rauball.

Além disso, o presidente do Borussia Dortmund, outro clube que tem seguidores da extrema-direita entre torcedores, Hans-Joachim Watzke, disse que a questão sai do futebol:

"O consenso geral é de que este não é um problema só do futebol. Temos que estar atentos à 'contaminação' dos nossos jovens pelos neonazistas na sociedade", afirmou

O Borussia chegou a impor uma proibição a oito seguidores da Associação Nacional de Resistência de Dortmun (NWDO na sigla em alemão) de entrarem no estádio do time depois de confusões e manifestações nazistas. Faz parte deste grupo Sigfried Borchardt, o "SS Sigi", um dos mais conhecidos torcedores radicais da Alemanha.

Em Aachen, em agosto, houve um confronto entre a "Karlsbande" e os "Aachen Ultras 1999". A primeira tem cerca de 250 membros, um deles, Sascha Wagner, é funcionário do NPD (partido de ultra direita) e membro do conselho nacional da Juventude Democrata Nacional.

"Não podemos ter tolerância com os neonazistas e o antissemitismo", diz Rauball. "Precisamos de toda ajuda, melhorar os sistemas de monitoramento para podermos identificar e banir esse tipo de pessoa dos estádios".