Caso Neymar: Justiça espanhola conclui que Barcelona cometeu crime fiscal na contratação do jogador

Divergência no valor da contratação de Neymar ao Santos indica sonegação fiscal de € 9,1 milhões (R$ 28 milhões). Contratação do brasileiro pode se tornar a mais alta da história
A Fazenda espanhola analisou por quatro meses as acusações de fraude fiscal cometida pela Barcelona na contratação de Neymar, e concluiu: houve mesmo irregularidade. Segundo o juiz Pablo Ruz, da Agência Tributária, a sonegação na operação foi de € 9,1 milhões (R$ 28 milhões).

Fontes jurídicas comunicaram à agência EFE que o Barça pode ter cometido o delito ao não tributar os € 37,9 milhões da contratação de Neymar ao Santos, que não incluiriam o adiantamento fez ao clube paulista em 2011. Os culpados, segundo a justiça espanhola, seriam o próprio Barcelona e o ex-presidente Sandro Rosell. Rosell renunciou após o "caso Neymar" vir à tona. Ambos deverão ser acionados judicialmente.

O Barcelona descontou em fevereiro € 13,5 milhões (R$ 41,6 milhões) à Receita espanhola, dizendo na época que esse valor eximiria o delito. No entanto, o Código Penal espanhol estabelece uma punição mais severa, que vai até seis vezes o valor da quantidade fraudada. O que significa que o clube, além de pagar os € 9,1 milhões, deverá pagar até € 54 milhões (cerca de R$ 166,6 milhões).

Dessa forma, Neymar pode se tornar indiretamente o jogador mais caro da história. Embora o Real Madrid tenha pago € 94 milhões (R$ 290 milhões) por Cristiano Ronaldo e € 91 milhões (R$ 280 milhões) por Gareth Bale, Neymar custou segundo o Barcelona € 57,1 milhões (R$ 183,2 milhões), mas logo o clube mudou o valor. Após o escândalo, o clube considerou bônus, acordos de marketing e adiantamentos ao Santos, totalizando € 86,2 milhões (R$ 265 milhões).

Dependendo da punição o valor poderá ultrapassar os € 100 milhões, algo inédito até então, somando até € 140 milhões (R$ 430 milhões). O Barcelona garante que irá recorrer e provar inocência no caso.