Holanda 0 (2) x (4) 0 Argentina: Romero pega dois pênaltis e argentinos garantem a vaga na final

Em jogo com poucas oportunidades, Romero agarra duas cobranças na disputa e vira o novo herói nacional no Dia da Independência do país

Os 7 a 1 aplicados pela Alemanha sobre o Brasil deixaram Holanda e Argentina receosos na outra semifinal. Em 120 minutos, poucas chances e uma disputa de pênalti praticamente esperada pelos jogadores durante o jogo. E foi nessa decisão, hoje, na Arena Corinthians, justamente no Dia da Independência do país, que a Argentina conheceu um novo herói. Romero agarrou as cobranças de Vlaar e Sneijder e, com quatro companheiros convertendo as suas oportunidades, os sul-americanos carimbaram o passaporte para o Maracanã, no próximo domingo, voltando à final após 24 anos. E Lionel Messi, logo na casa do maior rival de seu país, terá a primeira chance real de ganhar a Copa do Mundo.

O jogo

Depois da goleada histórica sofrida pelo Brasil na primeira semifinal, Holanda e Argentina fizeram um jogo muito mais equilibrado. Com o apoio da torcida brasileira, os europeus começaram a trocar passes sob gritos de “olé” logo nos primeiros minutos, mas os sul-americanos, apesar de também deixarem o adversário jogar, chegou ao ataque com perigo, principalmente com Lavezzi, pelas pontas, e Messi, carregando a bola da defesa.

A primeira chance da partida veio com Lionel Messi, aos 14 minutos, em cobrança de falta. O craque argentino teve a oportunidade próxima à área e soltou a bomba para o gol, mas Cillessen, mostrando segurança após a polêmica substituição contra a Costa Rica, agarrou sem dar rebote. A Holanda teve um contra-ataque algum tempo depois, puxado por Van Persie, mas o passe de Sneijder que deixaria Robben em boas condições foi longo demais e saiu do campo.

As duas equipes não conseguiram encaixar as jogadas no primeiro tempo, apesar de não ter faltado correria. Pelo lado argentino, Messi não se escondeu do jogo e tentou começar as jogadas, mas De Jong se manteve firme na marcação, não permitindo a abertura de espaços. Já Robben, que, na teoria, deveria fazer o mesmo, pouco apareceu, deixando a armação das jogadas a cargo de Sneijder ou a base do chutão na direção de Van Persie.

Equipes demonstram medo de atacar e acabam deixando o zero no placar

Com poucas finalizações, Romero e Cillessen foram verdadeiros espectadores da partida, e as equipes foram ao vestiário sem chegar perto de abrir o placar. Depois do descanso no intervalo, o campo começou a ficar mais pesado no segundo tempo, com o aumento da chuva, o que dificultou ainda mais a continuidade do jogo.

A Holanda ficou a maior parte do tempo com a bola no segundo tempo, invertendo o panorama do primeiro tempo. Enquanto Robben, ainda que timidamente, aparecesse mais para a partida, Messi acabou ficando preso de vez à marcação, o que fez a sua presença praticamente não ser notada. Apesar disso, Romero não precisou trabalhar, já que Van Persie não teve oportunidades para finalizar.

Aos 38 do segundo tempo, Marcos Rojo resolveu arriscar de longe e Cillessen não teve dificuldades para defender. Mesmo sendo um lance inexpressivo, foi uma das poucas tentativas de surpreender o time adversário. Nem o campo molhado foi capaz de mudar o ritmo do jogo e as equipes, aparentemente com medo de perder.

No final, Robben teve a oportunidade que esperou durante toda a partida, mas encontrou um dos melhores em campo, Mascherano, no seu caminho. Depois de um belo passe de Sneijder, o camisa 11 invadiu a área com tranquilidade e armou o chute que poderia dar a vitória, mas o volante argentino, cirúrgico, travou na hora exata. O lance definiu o empate no tempo normal, que mostrou dois times bem armados, mas pouco objetivos.

Prorrogação mantém o panorama do tempo normal

Na prorrogação, Van Gaal queimou a sua terceira substituição, colocando Huntelaar no lugar de Van Persie. Como já tinha promovido a entrada de Janmaat e Clasie, o técnico deixou Krul no banco, afastando o pensamento na disputa dos pênaltis. E realmente a Holanda entrou determinada a acabar com a partida. Mostrando um vigor físico maior, os europeus dominaram o jogo e tiveram as melhores chances, ainda que pequenas.

Aos oito do primeiro tempo, Robben arriscou para o gol e Romero defendeu. Esse foi o primeiro chute da Holanda na direção do goleiro durante toda a partida. O camisa 11 continuou levando perigo, mas foi caindo de produção durante a prorrogação.

Já no final do segundo tempo, quem chegou perto de marcar foi a Argentina. Primeiro Palacio, em uma cabeçada de frente para o gol, apenas recuou para o goleiro. Depois, em cruzamento da direita, Maxi Rodríguez também finalizou fraco, com Cillessen novamente mostrando segurança.

Esperando as cobranças de pênalti, assim como os jogadores, o árbitro ignorou o longo atendimento a Zabaleta e finalizou a partida com apenas um minuto de acréscimo.

Romero pega dois pênaltis e vira o herói da classificação

Nos pênaltis, Cillessen teve a chance de provar o seu valor após a escolha por Krul na última partida. Porém, a Holanda não teve o mesmo resultado. Logo na primeira cobrança, Vlaar, que fez ótima partida, bateu mal e Romero pegou. Depois de Messi, Robben e Garay converterem, Sneijder também parou nas mãos do goleiro. Agüero e Kuyt marcaram, até que Maxi Rodríguez, no último pênalti, venceu o goleiro Cillessen, que tocou na bola, mas não pode evitar a derrota. Depois de 24 anos, a Argentina está de volta à decisão. E justamente na casa de seu maior rival.