A Caminho da Copa: eles podem surpreender

Conheça as seleções que podem fazer mais que o esperado no Mundial; algumas têm chance de incomodar os gigantes do torneio

Por Rodrigo Calvoso, Tauan Ambrósio e Tiago Domingos

A Copa do Mundo não costuma ser um ambiente muito propício para zebras. Quase que invariavelmente, quando o torneio se afunila, são as grande seleções que conseguem se impor e acabam protagonizando as partidas decisivas. Apesar disso, elas ainda aparecem de tempos em tempos, tornando as disputas mais interessantes e fazendo a alegria dos torcedores que gostam de apoiar os mais fracos.

Desde o início da década de 60, a decisão sempre foi disputada por um mesmo grupo de seleções: Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, França, Inglaterra, França, Espanha e Holanda (esta última, a única que não conquistou nenhuma taça ainda). Antes disso, Uruguai (bicampeão que agora começa a recuperar sua força), Suécia (que jogava em casa em 1958), Hungria (com uma maravilhosa geração) e Tchecoslováquia (potência em tempos mais remotos) participaram de outras finais.

Mas, às vezes, uma surpresa desponta na competição e chega a ameaçar a soberania dos favoritos. Áustria, Polônia, Bulgária, Croácia, Turquia e Coreia do Sul são seleções que já chegaram a sonhar em disputar o título e acabaram parando no último degrau antes de uma decisão de Copa do Mundo.

A equipe Goal separou algumas equipes para o leitor ficar de olho neste Mundial, destacando alguns pontos que o credenciam a surpresa do torneio que vai acontecer no Brasil. Confira:

GRUPO A

CROÁCIA

A equipe croata deu o azar de ter em seu grupo talvez a seleção belga mais talentosa da sua história. Com isso, a situação ficou complicada para garantir a vaga no Mundial de forma direta. Mesmo assim, o destino poderia ter sido diferente se a equipe não desperdiçasse tantos pontos na reta final do qualificatório (foram três derrotas e um empate na últimas quatro partidas). Na repescagem, a sorte lhe sorriu e os croatas enfrentaram os azarões islandeses e fizeram valer a sua força.

A equipe tem bons talentos, como Darijo Srna e Ivica Olic, mas os holofotes se voltam para dois jogadores titulares de gigantes europeus: Luka Modric e Mario Mandzukic. O primeiro é um meia de muita qualidade e habilidoso, que atua mais pelo lado esquerdo do campo. Tem também a vocação para deixar os companheiros na cara, característica que se encaixa muito bem com o outro destaque do time. Mandzukic tem faro de gol, principalmente pela sua altura, para as jogadas pelo alto, e sua atitude, já que é considerado um atleta de desiste das jogadas. A sorte para o Brasil é que o atacante foi expulso por esse excesso de vontade no duelo final contra a Islândia e, por isso, está fora da abertura da Copa do Mundo.

GRUPO B

CHILE

Se a Croácia deu azar nas eliminatórias, os chilenos deram azar na Copa do Mundo mesmo. No sorteio dos grupos do Mundial, a equipe sul-americana caiu simplesmente na chave dos finalistas da última edição, Espanha e Holanda. Mas o caminho do time de Jorge Sampaoli até o Brasil o credencia, pelo menos, para receber atenção especial dos rivais da primeira fase.

O Chile foi o terceiro melhor das eliminatórias da América do Sul, garantindo a vaga de forma antecipada. Tem uma filosofia de jogo que favorece o bom espetáculo para o torcedor, jogando e deixando o adversário jogar. Não se intimida em jogar contra grandes rivais, como mostrou o duelo contra a Alemanha em Stuttgart, em março.

O grande problema do Chile, que promete meter medo nos adversários no Mundial, é que o grande destaque da equipe, Arturo Vidal, se machucou gravemente e pode perder a competição. Destaque da Juventus, com mais de 20 gols na temporada, o meia passou por um cirurgia no joelho no início do mês e corre para recuperar a tempo. Outros destaques são os atacantes Eduardo Vargas (Valência) e Aléxis Sanchez (Barcelona).

GRUPO C

COLÔMBIA

A Colômbia tem tudo para fazer uma grande campanha. O time comandado pelo argentino José Pekerman foi vice-campeã das eliminatórias da Conmebol e o bom futebol jogado pelos colombianos deu ao país um ânimo que não vinha desde a geração de Valderrama e Rincón, no início dos anos de 1990. A principal estrela da companhia é Falcao Garcia, mas a presença do atacante do Mônaco na lista final dos 23 nomes ainda é incerta, já que o goleador se recupera de uma grave lesão no joelho.

Mas o selecionado da Colômbia não conta apenas com El Tigre como destaque. Vários são os jogadores que fizeram uma boa temporada em seus clubes, como Carlos Bacca (Sevilla) e Adrián Ramos (Hertha Berlin, negociado com o B. Dortmund). Cobiçados por grandes clubes da Europa, Jackson Martínez (Porto) e Fredy Guarín (Inter) também são peças importantes.

Quem também pode ter destaque no torneio é o jovem meia James Rodríguez, do Monaco. Vice-campeão francês nesta temporada, o jogador tem uma experiência vencedora nos tempos de Porto e alia juventude, experiência e habilidade.

GRUPO D

URUGUAI

A seleção do Uruguai se classificou apenas nas repescagens, está com o elenco envelhecido. No entanto, pode dar muito trabalho em um torneio curto como a Copa do Mundo. A grande prova disso foi a Copa das Confederações, quando os uruguaios venderam muito caro sua eliminação contra o Brasil.

O time de Óscar Tabárez não tem Forlán em sua melhor forma, mas aposta no incrível faro de gols de Luis Suárez, grande craque e artilheiro do Liverpool na temporada. Cavani, do PSG, também promete ajudar a balançar as redes no sonho (bem difícil, é verdade) de voltar a disputar a final no Maracanã.

Um dos grandes problemas uruguaios é estar no “Grupo da Morte” da Copa, ao lado de Inglaterra e Itália. A esperança é poder contar com a fase instável na qual vivem os rivais.

GRUPO E

SUÍÇA

Logo após conquistar a Copa das Confederações, a Seleção Brasileira encarou os suíços em um amistoso onde o time de Felipão era apontado como o grande favorito. Porém nesta ocasião a seleção europeia mostrou sua força e superou os brasileiros por 1 a 0, mostrando um futebol veloz com uma defesa segura.
Ali a Suíça mostrava que não estava disposta a ir para a Copa do Mundo como uma simples coadjuvante.
Mesmo tendo caído em um grupo relativamente fácil nas Eliminatórias, onde a Islândia foi a vice-campeã, a Suíça fez a sua parte e não teve nenhuma dificuldade em se garantir no mundial.

O grande destaque do time é Xherdan Shaqiri. Nascido na região do Kosovo, durante a época do conflito no local, logo se mudou para a Suíça, onde cresceu e adquiriu paixão pelo futebol. Mesmo jogando em um país de pouca tradição no futebol mundial, logo chamou a atenção de dirigentes do Bayern de Munique, que trataram logo de contratá-lo junto ao Basel. Atleta de forte vigor físico, não abdica da velocidade e habilidade, que o transformaram na maior referência de sua seleção nesta Copa do Mundo.

GRUPO F

NIGÉRIA

A Nigéria é uma aposta a surpresa na fase de grupos da Copa do Mundo. O grande “mérito” do time foi ter caído em uma chave na qual não há favorito para a segunda fase (já que o primeiro lugar deve ficar com a Argentina). Apesar de não ter brilhado nas eliminatórias africanas, não teve sustos e passou com autoridade pelas duas fases do qualificatório. Além disso, é um time sem badalação e pode comer pelas beiradas, após uma geração brilhante que surgiu a partir da segunda metade da década de 90.

A grande aposta para surpreender é Victor Moses, atacante de 23 anos que chega a sua primeira Copa como uma referência da sua seleção. Mesmo sem conquistar o titulo da Premier League pelo Liverpool, o jovem se tornou peça importante no esquema da equipe inglesa. Muito se comenta que o empréstimo do Chelsea o fez muito bem e como quer mostrar serviço, pode ser uma grata surpresa da equipe africana. Além disso, pode contar a experiência e qualidade de jogadores como Enyeama, Mikel e Emenike,

GRUPO G

EUA

Apesar de não lutar pelo título, o selecionado estadunidense tem mostrado boa evolução ao longo dos anos e podemos ver alguns jogadores da ‘Terra do Tio Sam’ cada vez mais expandindo seus horizontes no futebol europeu.

Dentre esses, o grande destaque é o goleiro Tim Howard, do Everton. Guzan, do Aston Villa, também da Inglaterra, é outro que integra a lista. Mas o cérebro da equipe continua sendo o experiente Landon Donovan (LA Galaxy), meia-atacante que vai para a sua quarta Copa do Mundo.

O desafio será superar as duas equipes favoritas no grupo para se classificar para as quartas-de-final, Alemanha e Portugal. Gana também não pode ser desprezada e, por isso, a meta de passar da fase de grupos exigirá muita dedicação dos norte-americanos.

GRUPO H

BÉLGICA

Os belgas conseguiram reunir, talvez, a mais qualificada geração futebolística da história da sua seleção. Imaginar que a Bélgica teria uma das melhores campanhas das eliminatórias e chegaria à Copa como cabeça de chave, certamente, era algo pouco provável antes da bola rolar.

Contando com renomados atletas em todos os setores do campo, como o goleiro Courtois, o zagueiro Kompany, o meia Fellaini, e o atacante Januzaj, o grupo ainda é regido pelo astro Hazard, que foi eleito o melhor jogador do Chelsea nesta temporada. Por isso, apontar esse time como um dos mais fortes candidatos a surpresa não é das tarefas mais polêmicas.

Eden Hazard vive o seu melhor momento na carreira e já começa a ser apontado como um dos mais prováveis vencedores da Bola de Ouro, que hoje pertence a Cristiano Ronaldo. Thibaut Courtois chega a este Mundial como um dos atletas mais valorizados. Apontado como um dos destaques da campanha histórica do Atlético de Madrid nesta temporada, o jogador que pertence ao Chelsea, já é considerado uma referência da posição, mesmo com apenas 22 anos.