Ninho do Urubu: ​Zé Ricardo tem 'estrela' enorme. Mas também muito trabalho

"Nessa busca pelo melhor padrão de jogo, todos tiveram, em algum momento da temporada, a sua chance de entrar e mostrar que poderia abocanhar a vaga"

GOAL Por Bruno Guedes

O cenário é sempre o mesmo: Um jogador que a torcida questiona (geralmente o perseguido por ela) começa a aquecer à beira do campo. Das arquibancadas, sons de reprovação. Zé Ricardo "dá de ombro", passa as instruções e o atleta entra em campo. Minutos depois ele marca o gol e todos comemoram em meios às faces espantadas (ou sem graça?) dos rubro-negros. Alguns chamam de estrela. Também é. Mas é trabalho. Muito trabalho.

Zé Ricardo desde que chegou ao Flamengo deu oportunidade a todos os atletas. Absolutamente todos. Ninguém foi esquecido e, se virou titular, foi por méritos próprios. Ao contrário dos torcedores que não vivem o dia a dia do clube e muito menos conhecem pessoalmente os jogadores, o técnico convive diariamente com cada um e sabe como estão se dedicando ou não nos treinamentos.E foi com essa mentalidade que o treinador montou um esquema tático que pudesse aproveitar o melhor da característica de cada um e o que poderia arrancar do elenco como um todo. 



E nessa busca pelo melhor padrão de jogo, todos tiveram, em algum momento da temporada, a sua chance de entrar e mostrar que poderia abocanhar a vaga. Foi assim que o Zé recuperou atletas questionados pela torcida, como Pará, Márcio Araújo e Fernandinho. E ganhou também o grupo, que viu no profissional alguém sério e que trabalha. Sem falar dos que ficam no banco e, nem por isso, saem disparando ou criando clima ruim, como em outras épocas. É o caso do super consagrado Juan ou o bom Mancuello. Todos sabem que uma hora ou outra, serão lembrados também.


(Fotos: Gilvan de Souza / CR Flamengo / Divulgação)

Ricardo não transformou ninguém em Craque Bola de Ouro. E nem é essa a ideia. O que o técnico quer é ter um time, uma equipe, um conjunto que faça a diferença. E ele faz. Entre os artilheiros, nenhum do Flamengo. Com mais assistências? Nenhum Rubro-Negro. O que friamente poderia parecer algo preocupante, olhando para o topo da tabela se prova que o segredo do treinador e do clube é o time, não a "estrela". É o trabalho.

Foi assim que Fernandinho entrou e decidiu várias vezes. Foi assim que Émerson Sheik reapareceu e marcou o gol decisivo. Foi assim que Cirino entrou no domingo e marcou. Mas também é assim que Pará cruza e marca com eficiência toda partida, que Márcio Araújo se torna o pilar da defesa, que o Gabriel faz o corredor como ninguém... é assim, com muito mais trabalho que apenas "estrela".